Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

27.5.12

Tão verdes as mãos com que agarrávamos o tempo

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Ana Pires Os rituais da infância não nos deixam esquecer: Era verde a sombra das árvores no pátio da escola. Eram verdes os trigais pejad...
16.5.12

CONVITE

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11.5.12

Do meu país vos digo

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Do meu país vos digo: Dos aromas de urze e alfazema. Dos caminhos de rosmaninho e alecrim. Dos matizes, no verão, rasando a terra se...
5.5.12

Onde estás, Mãe?

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Vieira da Silva Defino geometrias na memória, para reconstruir a casa onde nasci e, apenas, a lenta urgência dos teus passos e...
30.4.12

A escassez do amor e do pão de cada dia

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Dorothea Lange                        Desconhecemos as cicatrizes das mãos que manejaram a mó dos moinhos e a fadiga das que mond...
24.4.12

Na esperança de um só dia

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19.4.12

As palavras andam por aí

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Sarah Afonso As palavras penetram o espaço e o tempo. Amadurecem em papel de seda, manipulando a cor, ateando o silêncio, incendiando ...
12.4.12

A túnica lilás

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Sandro Botticelli A túnica lilás desesperava-se de ser anjo no meu corpo de criança. Rasguei-a há muito tempo. Os anjos não perdoam que...
5.4.12

Um requiem pelos sonhos

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Manuel Fazenda Lourenço Refazemos o tempo nocturno no mais escondido olhar para que ninguém veja os passos em falso com que trilhamos o d...
29.3.12

A vigília do olhar

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Uma explosão sobrevoa a vigília do olhar preso às pontas do vento. Vejo da minha janela as labaredas da suspeita galgando as árvores. R...
21.3.12

A poesia não morreu

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Pedro Pires A minha impaciência não cabe no poema ou na pedra afiada pelo silêncio que me fere os pulsos. Gravei a sangue o furor dos di...
15.3.12

Nostalgia

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Dorothea Lange Um vento de norte arrefeceu o passado que nos resta e pôs em perigo a noite que, desde a meninice, nos seduzia. Há páss...
8.3.12

Elas

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Lempicka Elas têm olhos de vespa como as antigas deusas e mordem o freio que lhes sangrou os lábios. Fazem minuciosamente o inventário do...
1.3.12

O nevoeiro da espera colado nos sonhos

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Desenrola-se em nossos olhos a vertigem transparente que agride o declínio do dia quando a lua se encosta nos vidros e temos o nevoeiro...
23.2.12

À memória do Zeca

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Passou por aqui um poeta: inquieto, polémico, subversivo. Com a noite entrincheirada nos dedos, engatilhou as letras contra os lábios, até ...
17.2.12

Ausências sem rosto

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Magritte  Entre o culto da lua e um estranho ódio, cresce uma noite de lendas e feitiços e deflagra um luar íntimo em busca da conivência ...
10.2.12

Os olhos verdes

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Para a  minha irmã Teresa Pires Os olhos verdes   de meu pai herdou-os a minha irmã. Agora os panos dos veleiros encharcam-se com as ág...
3.2.12

Olhas para além dos barcos

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Para o meu irmão Zé Pires Instáveis como as sombras, as nuvens perpassam o teu olhar carregado de melancolia. Olhas para além dos barc...
26.1.12

Procuro o teu rosto

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António Quadros Presa às marés, outras margens me circundam. Procuro os teus braços. Esgota-se em cada dia, lentamente, a viagem do temp...
19.1.12

MÃE!

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Tanto tempo que eu passei sem aqui vir disseste, mãe, quando notaste como era imenso o azul do mar. Teus olhos carregados de ausência. ...
12.1.12

Tudo se passou naquele inverno

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Tudo se passou naquele inverno em que caiu a figueira junto ao muro. As oliveiras escondiam entre as folhas alguns aromas da tarde que o a...
5.1.12

Como um lamento

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Ana Pires Tento esboçar o tamanho da lua cheia no vértice das empenas viradas a nascente. Tento calcular a geometria do mar que bate...
29.12.11

Regressamos aos lugares da infância

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Dorothea Lange Mais do que uma voz, a vibração de um trompete exila o pranto inesperado do olhar preso à curva do sol nascente. Regressa...
19.12.11

A estrela de Natal

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Foi um sonho que tive: Era uma grande estrela de papel, Um cordel E um menino de bibe. O menino tinha lançado a estrela Com ar de que...
9.12.11

Amo as açucenas

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A mo as açucenas na branquíssima vertigem do princípio do mundo. Ninguém pode amá-las assim nas madrugadas de linho e de nácar. Ninguém...
1.12.11

Aloés

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De dezembro a fevereiro os aloés florescem à beira das estradas. Têm hastes longas presas aos cactos. Cleópatra, dizem, utilizava-os pa...
22.11.11

A que país pertenço?

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Robert Coombs Acordo nos degraus de novembro e volto a ser menina. É o dia dos meus anos. Ponho um vestido cor de rosa e um laço de cetim a...
14.11.11

Memórias de Dulcineia XXII

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Trémula, ajusto à mão a posse das palavras e conto: Numa aldeia da Mancha um homem recuperou a razão e começou a morrer. Banido de seus son...
7.11.11

Em tons de azul

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Matisse Recolho-me no interior azulado das imagens que atravessaram os teus olhos. Podem ser as figuras femininas de Matisse em recort...
31.10.11

Nas noites excessivas

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Ana Pires Para poderem atenuar a cruel inclinação das sombras nos alpendres, quando os pátios virados a sul manobram a direcção dos ventos,...
21.10.11

A febre das uvas a morder-nos a língua

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Dos montes inclinados à sedução das vinhas apenas sabemos a linguagem das brisas e o voo absolutamente breve dos insectos. N inguém susp...
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