Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

30.8.12

Por dentro da memória

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Katia Chausheva                                                                                 Para a minha Amiga Luísa Henriqu...
26.8.12

A incidência da luz

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Sei que junto a um cais as pedras são cúmplices de remotas solidões no coração das âncoras. Os mapas mais primitivos e as recentes ...
19.8.12

Como um aviso

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Pedro Pires Quando as espigas surgiram de repente nos sulcos das searas, sem que o braço e a foice afagassem o trigo, houve homens ...
12.8.12

Talvez o aroma dos lilases

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Talvez este país deixe ver mais do que a sujidade pegada aos prédios ou a agitação das pessoas que regressam apressadas dos lugares ...
6.8.12

Em busca do bojador

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 Para a Graça Neto, minha amiga de sempre Os remos adormecem-te nas mãos, cansada que estás de tanto remares sem destino certo. ...
29.7.12

De seda

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São pequenas as jarras de porcelana onde deixámos os lírios brancos que resistiram ao tempo da secura. E quando os nossos olhos orv...
22.7.12

Sílabas de som tenso

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Ton Koene Um exílio começa no ferrete dos lábios queimando o ébano dos pianos que fazem gemer o prelúdio das mãos. A boca, com síl...
15.7.12

De muito longe

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Conta-se que há laranjais que rebentam ao pé dos poços deixando um aroma de pétalas branquíssimas no bordo dos cântaros. Todos os d...
8.7.12

Somos a sombra de uma vara

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De pé, demoradamente invocando o grito do destino, somos a sombra de uma vara, presa à inclinação do sol, que define a vertigem que no...
1.7.12

Como se esperasse ser salva

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Katia Chausheva É sobretudo ao anoitecer que ouço exaustivamente o fado em vozes solitárias. Deixo que um xaile negro me cubra os ombros ...
24.6.12

Antes do homem havia a terra

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A ntes do homem havia a terra: geografia mágica, sagrada que,   na luz e na treva, explodiu de espanto e guardou, milenarmente, os mi...
17.6.12

A cor convicta do poente

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Quando a aurora começa a dissipar as trevas   na palidez da terra avançamos com a argúcia da palavra sobre a imperfeição de cada inst...
10.6.12

Quase lágrimas

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  Walker Evans O viajante ajoelhou-se sobre a terra e cantou e cantando rezou. Carregava nos ombros o afluente de um rio para o larg...
3.6.12

Enquanto abrigas nas mãos

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István kerekes Toco-te. Percorro-te. Os dedos subitamente peregrinos tangendo a matriz sensual da tua pele. A pérgula das buganvíl...
27.5.12

Tão verdes as mãos com que agarrávamos o tempo

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Ana Pires Os rituais da infância não nos deixam esquecer: Era verde a sombra das árvores no pátio da escola. Eram verdes os trigais pejad...
16.5.12

CONVITE

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11.5.12

Do meu país vos digo

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Do meu país vos digo: Dos aromas de urze e alfazema. Dos caminhos de rosmaninho e alecrim. Dos matizes, no verão, rasando a terra se...
5.5.12

Onde estás, Mãe?

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Vieira da Silva Defino geometrias na memória, para reconstruir a casa onde nasci e, apenas, a lenta urgência dos teus passos e...
30.4.12

A escassez do amor e do pão de cada dia

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Dorothea Lange                        Desconhecemos as cicatrizes das mãos que manejaram a mó dos moinhos e a fadiga das que mond...
24.4.12

Na esperança de um só dia

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19.4.12

As palavras andam por aí

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Sarah Afonso As palavras penetram o espaço e o tempo. Amadurecem em papel de seda, manipulando a cor, ateando o silêncio, incendiando ...
12.4.12

A túnica lilás

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Sandro Botticelli A túnica lilás desesperava-se de ser anjo no meu corpo de criança. Rasguei-a há muito tempo. Os anjos não perdoam que...
5.4.12

Um requiem pelos sonhos

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Manuel Fazenda Lourenço Refazemos o tempo nocturno no mais escondido olhar para que ninguém veja os passos em falso com que trilhamos o d...
29.3.12

A vigília do olhar

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Uma explosão sobrevoa a vigília do olhar preso às pontas do vento. Vejo da minha janela as labaredas da suspeita galgando as árvores. R...
21.3.12

A poesia não morreu

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Pedro Pires A minha impaciência não cabe no poema ou na pedra afiada pelo silêncio que me fere os pulsos. Gravei a sangue o furor dos di...
15.3.12

Nostalgia

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Dorothea Lange Um vento de norte arrefeceu o passado que nos resta e pôs em perigo a noite que, desde a meninice, nos seduzia. Há páss...
8.3.12

Elas

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Lempicka Elas têm olhos de vespa como as antigas deusas e mordem o freio que lhes sangrou os lábios. Fazem minuciosamente o inventário do...
1.3.12

O nevoeiro da espera colado nos sonhos

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Desenrola-se em nossos olhos a vertigem transparente que agride o declínio do dia quando a lua se encosta nos vidros e temos o nevoeiro...
23.2.12

À memória do Zeca

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Passou por aqui um poeta: inquieto, polémico, subversivo. Com a noite entrincheirada nos dedos, engatilhou as letras contra os lábios, até ...
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