Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

29.10.12

Lugares que são faca e cinza

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 Rui Ochôa Há lugares que têm a feição das coisas instáveis e perecíveis. Lugares sobrepovoados onde os gatos vagueiam em silênci...
18.10.12

Convite

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  Agradeço a todas as pessoas que estiveram, no Porto, na apresentação do meu livro "Poemas escolhidos: 1990-2011". Bem hajam p...
12.10.12

Indago a forma definitiva do outono

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Ana Pires   Indago a forma definitiva do outono. Um diálogo pode mudar a paisagem. Fazer nascer um poema. Criar obsessões. D...
5.10.12

O cheiro das vindimas

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Um tumulto de uvas prematuras ecoa pelas vinhas profanadas por sebes de adubo na fenda dos ventos. No início do outono o cheiro das v...
28.9.12

Por meu olhar de sede e mel

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Cristin Atria Hoje improviso a atmosfera dourada de um pátio andaluz onde o brilho das lajes esconde os cristais do choro e me lemb...
21.9.12

Já há amoras

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Vem, meu amor. Não tarda aí o fim do dia e ainda não plantámos as avencas junto do ribeiro para que o rosto da terra resplandeça no...
14.9.12

Aguardamos uma luz

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Brancusi Aguardamos uma luz de seiva que reacenda a treva que nos cega. Uma luz que não fira a brancura dos muros nem as sombras dos al...
6.9.12

O instante em que as sombras dançam

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Maria Clarinda Monótonos se tornam os gestos com que refaço, grão a grão, o celeiro dos dias, mil vezes ardilosos, na arca onde s...
30.8.12

Por dentro da memória

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Katia Chausheva                                                                                 Para a minha Amiga Luísa Henriqu...
26.8.12

A incidência da luz

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Sei que junto a um cais as pedras são cúmplices de remotas solidões no coração das âncoras. Os mapas mais primitivos e as recentes ...
19.8.12

Como um aviso

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Pedro Pires Quando as espigas surgiram de repente nos sulcos das searas, sem que o braço e a foice afagassem o trigo, houve homens ...
12.8.12

Talvez o aroma dos lilases

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Talvez este país deixe ver mais do que a sujidade pegada aos prédios ou a agitação das pessoas que regressam apressadas dos lugares ...
6.8.12

Em busca do bojador

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 Para a Graça Neto, minha amiga de sempre Os remos adormecem-te nas mãos, cansada que estás de tanto remares sem destino certo. ...
29.7.12

De seda

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São pequenas as jarras de porcelana onde deixámos os lírios brancos que resistiram ao tempo da secura. E quando os nossos olhos orv...
22.7.12

Sílabas de som tenso

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Ton Koene Um exílio começa no ferrete dos lábios queimando o ébano dos pianos que fazem gemer o prelúdio das mãos. A boca, com síl...
15.7.12

De muito longe

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Conta-se que há laranjais que rebentam ao pé dos poços deixando um aroma de pétalas branquíssimas no bordo dos cântaros. Todos os d...
8.7.12

Somos a sombra de uma vara

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De pé, demoradamente invocando o grito do destino, somos a sombra de uma vara, presa à inclinação do sol, que define a vertigem que no...
1.7.12

Como se esperasse ser salva

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Katia Chausheva É sobretudo ao anoitecer que ouço exaustivamente o fado em vozes solitárias. Deixo que um xaile negro me cubra os ombros ...
24.6.12

Antes do homem havia a terra

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A ntes do homem havia a terra: geografia mágica, sagrada que,   na luz e na treva, explodiu de espanto e guardou, milenarmente, os mi...
17.6.12

A cor convicta do poente

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Quando a aurora começa a dissipar as trevas   na palidez da terra avançamos com a argúcia da palavra sobre a imperfeição de cada inst...
10.6.12

Quase lágrimas

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  Walker Evans O viajante ajoelhou-se sobre a terra e cantou e cantando rezou. Carregava nos ombros o afluente de um rio para o larg...
3.6.12

Enquanto abrigas nas mãos

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István kerekes Toco-te. Percorro-te. Os dedos subitamente peregrinos tangendo a matriz sensual da tua pele. A pérgula das buganvíl...
27.5.12

Tão verdes as mãos com que agarrávamos o tempo

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Ana Pires Os rituais da infância não nos deixam esquecer: Era verde a sombra das árvores no pátio da escola. Eram verdes os trigais pejad...
16.5.12

CONVITE

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11.5.12

Do meu país vos digo

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Do meu país vos digo: Dos aromas de urze e alfazema. Dos caminhos de rosmaninho e alecrim. Dos matizes, no verão, rasando a terra se...
5.5.12

Onde estás, Mãe?

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Vieira da Silva Defino geometrias na memória, para reconstruir a casa onde nasci e, apenas, a lenta urgência dos teus passos e...
30.4.12

A escassez do amor e do pão de cada dia

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Dorothea Lange                        Desconhecemos as cicatrizes das mãos que manejaram a mó dos moinhos e a fadiga das que mond...
24.4.12

Na esperança de um só dia

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19.4.12

As palavras andam por aí

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Sarah Afonso As palavras penetram o espaço e o tempo. Amadurecem em papel de seda, manipulando a cor, ateando o silêncio, incendiando ...
12.4.12

A túnica lilás

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Sandro Botticelli A túnica lilás desesperava-se de ser anjo no meu corpo de criança. Rasguei-a há muito tempo. Os anjos não perdoam que...
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