Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

31.10.22

Em seara alheia

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VII  A infância,  um bouquet de colmeias no peito  e o sangue desenhado por Miró.  Alberto Pereira  In: Ecocardiodrama . Vila Nova de Fa...
43 comentários:
24.10.22

Quando a chuva se anuncia

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Quando a chuva se anuncia intransigente,  já não há andorinhas esvoaçando pelas casas  nem se distinguem as dunas  onde me deitei no mês ...
51 comentários:
17.10.22

Tempos houve em que pintava

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Christine Ellger Tempos houve em que pintava ,  com obsessão, paisagens amarelas.  Folheando a sua revista favorita  leu que uma estranha ...
60 comentários:
10.10.22

Memórias de Isadora XX

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Experimentei, tantas vezes,  o inesperado aroma  das árvores da infância e a humidade  do nevoeiro a entranhar-se-me nos ossos.  Nos sabor...
50 comentários:
3.10.22

Em seara alheia

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[A Palavra]  Dizem que a palavra morre  Quando é dita  Num qualquer dia.  Eu digo que a palavra  Só começa a viver  Nesse dia.  Emily Dickin...
47 comentários:
26.9.22

No outono

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Magdalena Russocka  Um punhal certeiro como um aviso  atinge o dia tombado  sobre o melindre das folhas no outono.  Na duração das noites, h...
54 comentários:
19.9.22

Uma tempestade no peito

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aykut ydogdu Emigro de mim.  Nunca ignoro a geometria de agitadas águas  visível nos seixos mais incertos,  quando uso um pretexto de fug...
55 comentários:
12.9.22

Fala-me da tua infância

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Cristina García Rodero Fala-me da tua infância  para que eu possa procurar a minha.  Onde está o berço, a cambraia,  a saliva na teia dos ...
50 comentários:
5.9.22

Em seara alheia

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Não consigo explicar a poesia. Ela é água para a nossa sede.  Ela agarra o céu e o mar. Ela nasce em mim como uma fonte,  cujo caudal ten...
54 comentários:
29.8.22

Queria em seus dedos

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Maria Kaimaki Queria, em seus dedos, um contexto rebelde.  Procurou a cicatriz dos dias, o risco da vida  e da morte, o choro dos filhos n...
55 comentários:
22.8.22

Por onde caminha Antígona

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Ilya Kisaradov Traço, neste texto, uma linha utópica  por onde caminha antígona com o olhar orvalhado,  confrontada com a tradição sagra...
57 comentários:
25.7.22

A graciosidade da juventude

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Ana Pires Livramento Uma vacilante clareza assume  o exacto perfil da idade na passagem dos dias.  Há resíduos enigmáticos na vertente  ...
65 comentários:
18.7.22

Em seara alheia

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18.  Um homem dorme nas arestas do frio,  os ossos apoiados na lembrança  de um verão abrasador.  Eis o sono do homem  que percorreu os ma...
44 comentários:
11.7.22

Memórias de Isadora XIX

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O meu tempo vivi.  Tive amigos.  Eram actores, músicos,  bailarinos, boémios.  Escreviam o meu nome  nos jornais e em cartazes.  Em berlim...
56 comentários:
4.7.22

Esboço a demora do amor

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Magdalena Russocka Em contrição febril, penitente,  esboço a demora do amor e concebo  um gozo preso nas frestas das portas,  tão próximo ...
51 comentários:
27.6.22

Interioridade

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Ana Pires Livramento Aqui estou, cercada de mim,  melancolia trazida  do interior de um bosque,  silhueta a preto e branco  na figuração d...
54 comentários:
20.6.22

Em seara alheia

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Pés  Leio as tuas palavras numa cidade  estranha e cheira-me subitamente a  pão e a casa. Ter-te comigo é como  poder andar descalça pelo...
53 comentários:
13.6.22

Escrevo água

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Tremem-me os dedos ao separar retratos antigos,  ao anotar os nomes, ao deixar que cada rosto  se insinue no meu âmago,  nos degraus de u...
54 comentários:
6.6.22

O culto mais privado dos sonhos

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Katia Chausheva E o culto mais privado dos sonhos  rasga o véu que me cobre  quando um contido silêncio  é uma lâmina de frieza  a magoar-...
58 comentários:
30.5.22

Roubava ameixas no quintal do vizinho

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Vincenzo Balocchi Roubava ameixas no quintal do vizinho .  Em volta das árvores,  o som dos seus passos  apressados metia-lhe medo.  Quand...
52 comentários:
23.5.22

Em que naufrágio me salvei

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António Costa Pinheiro Um cristal onde me espreito  devolve-me a minha imagem:  sudário desatado ao vento  como um veleiro a todo o nó,  r...
54 comentários:
16.5.22

Em seara alheia

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III  Os abraços  Os abraços da gente                 que sabe abraçar  Os abraços de corpo inteiro  Abraçar como se fosse acabar o mundo  ...
55 comentários:
8.5.22

Memórias de Isadora XVIII

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Paul Berger Como um desígnio aceitei  a demanda fecundada de meu ventre.  No cristal mais límpido da existência  me consenti o sublime an...
53 comentários:
1.5.22

No dia da mãe, para os meus filhos com amor

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Selfie tirada por Pedro Pires Vem de tão longe, meus filhos.  Vem do começo sagrado dos tempos  e do silêncio dos dias ao acaso,  a grande...
60 comentários:
25.4.22

Amor-cidade. Amor-abril

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O nosso amor é pássaro voando. Mas à toa. Rasgando o céu azul-coragem de Lisboa.   Amor partindo. Amor sorrindo. Amor doendo.  O nosso amor ...
61 comentários:
18.4.22

Para nasceres de novo

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Anka Zhuravleva Outrora inventavas e destruías as palavras  com que respiravas boca a boca a brisa das madrugadas.  Mas bastava-te um detal...
58 comentários:
11.4.22

Em secreto alarme

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Cristiana Ceppas Nunca se revela, eu sei, o recuo das mãos fatigadas  da fadiga do olhar, em secreto alarme.  Encostado a muitas solidõe...
51 comentários:
4.4.22

Memórias de Isadora XVII

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No lugar onde nasci  quase nenhum acolhimento  me foi dádiva.  Como se todas as estradas,  todas as águas, todas as pedras,  todas as gent...
53 comentários:
27.3.22

Em seara alheia

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A Casa  Faz uma casa de areia e conchas. Pinta-a de cor nenhuma,   nenhuma porta, nenhuma janela,  Vivemos na transparência do sonho .  En...
57 comentários:
21.3.22

Regressa a mim poesia

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Virgínia do Carmo Regressa a mim, poesia!  Vem vibrar-me no âmago.  Sem nomes, nem lugares,  nem significados, nem imagens.  Traz apenas o...
64 comentários:
14.3.22

A desordem do meu rosto

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Toulouse-Lautrec Sobressalto-me com a desordem do meu rosto.  Talvez me seja impossível entender  tudo o que é irremediável.  Um desafio ...
54 comentários:
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