3.6.26

Em seara alheia

 





é do barro que moldo a primeira palavra

à noite pelos atalhos
vou colhendo das sebes e das trepadeiras
vocábulos incomuns
e outros simples
como os que dizem as crianças
quando brincam sozinhas às princesas

enquanto na ampulheta
o sobressalto da areia vai desenhando trajetórias vãs
deixo o poema na mesa a levedar
mas
meu amor
será para ti a primeira fatia.

Teresa Alvarez
In: A luz breve das rosas, 2025, p. 157

41 comentários:

Graça Pires disse...

Teresa: No evento “Aqui vai livre” foi a mim que me calhou este teu livro. Fiquei muito contente porque já tinha ouvido alguns poemas ditos pelo António Cravo e fiquei com vontade de o adquirir. É um livro muito belo. Parabéns. Li e reli o livro. A cada poema mais gostei. Obrigada. Um beijo.

Rajani Rehana disse...

Beautiful blog

Rajani Rehana disse...

Please read my post

chica disse...

Lindo demais,Graça! Belo poema ! beijos, ótimo dia! chica

Fá menor disse...

Que belíssima escolha!
Grata por nos mostrar.

Beijinhos tudo de bom!

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde Amiga Graça
Este poema revela a poesia como um gesto de criação paciente e íntimo. A voz poética recolhe palavras da natureza e da inocência da infância, amassando-as como quem trabalha o barro ou prepara o pão.
Entre o tempo que escorre na ampulheta e a espera necessária da escrita, o poema cresce e ganha forma. O desfecho, delicado e afectuoso, transforma a criação literária numa oferta de amor, reservando ao destinatário a "primeira fatia" desse pão-poema acabado de nascer.
Entre o barro das palavras e o fermento do afeto, a poesia encontra o seu mais belo alimento.
Um belo poema e uma boa partilha .
Semana Feliz com saúde e paz.
:)



edite disse...

Um belo oema para ler com o olhar e apreciar com o coração . Abraços

https://kantinhodaedite.blogspot.com

Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amiga Graça, aqui na Seara Alheia você
nos brinda com esse interessante poema, que gostei
de ler.
Uma ótima quinta feira, amiga, muita paz.
Beijo, amiga.

Juvenal Nunes disse...

O amor é um sentimento de partilha conforme est+a bem expresso no texto do poema.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Emília Simões disse...

Bom dia Graça,
Que poema tão belo!
O final é simplesmente maravilhoso.
Gostei muito de conhecer esta Poeta.
Muito obrigada pela partilha, minha Amiga Graça.
Beijinhos e um dia de Corpo de Deus muito abençoado.
Emília

Marta Vinhais disse...

Tudo acontece...lenta, delicadamente...
Lindo... adorei o poema....
Beijos e abraços
Marta

Luiz Gomes disse...

Boa tarde minha querida e poeta Graça. Obrigado pelo lindo poema. Aproveito para desejar uma linda tarde de quinta-feira e um grande abraço do seu amigo carioca.

Mário Margaride disse...

Olá,amiga Graça.
Sem dúvida que é um belíssimo livro. Como este lindo poema indicia.
Excelente partilha, estimada amiga.
Beijinhos e continuação de bom semana.

Mário Margaride

São disse...

Gostei do poema.

Amiga, beijinho de tudo de bom e feliz feriado :)

Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, amiga Graça, que poema lindo, amiga,
não conhecia a poeta Teresa Alvarez,
muito obrigada pela partilha!
Um bom fim de semana que está chegando.
Beijinhos, muita paz por aí nesse mundo muito conturbado.

Lucinalva disse...

Bom dia, Graça
Lindo poema. As palavras simples das crianças são fabulosas. Um forte abraço.

Carlos Augusto Pereyra Martínez disse...

El poema de un final, hecha a la dulzura de la boca. Un abrazo. Carlos

carlos perrotti disse...

Felicitaciones Graça por esta nueva gran muestra de su destreza y autoridad poética...
Abrazo admirado una vez más.

Klaudia Zuberska disse...

as always, a wonderful poem that will stay in your heart for a long time

bea disse...

Qie bonito, compara o amor ao pão ou qualquer massa que precisa levedar. E mais bonito ainda, o dar da primeira fatia.
Já lhe disse que acho louvável esta sua iniciativa de mostrar poemas e poetas? Pois já. Então, repito.
Bom fim de semana, Graça

Eduardo Medeiros disse...

Esplendido poema!

Abraços, Graça.

J.P. Alexander disse...

Lindo y dulce poema. Te mando un beso.

Roselia Bezerra disse...

Amiga Graça, boa noite de paz!
Que lindo ofertar a primeira fatia ao amor!
Belo...
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos

Os olhares da Gracinha! disse...

Gosto do poema que na mesa ... levedou!
👏👏👏😘

A.S. disse...

Muito belo e delicado este poema da Teresa Alvarez!...
Com o poema bem levedado, a primeira fatia de pão será seguramente
um delícia!
Um bom fim de semana minha amiga Graça.
Um beijo.

baili disse...

Dear Grace , it’s lovely poem reflecting the inner struggles of a poet who owns love and seeks for the words to nourish and nurture with his sublime thoughts and expressions, I loved the end of the poem and I agree that love is the inspiration for the whole process of creativity
Health peace and happiness to you and yours ♥️🙏

Toninho disse...

Maravilha a Teresa neste processo da criação.
Levedar a poesia é ornar com toda sensibilidade e arte,
para ver o resultado que sabe é maravilhoso e compartilhado.
Bela partilha Graça.
Bjs e feliz fim de semana iluminado.

Cesar disse...

Resumido e intenso. Estilo semelhante ao teu.
Boa semana e um feliz mês de junho, Graça.

Marco Luijken disse...

Nice words Graça!!

Many greetings,
Marco

manuela barroso disse...

Como que colhendo as primeiras flores de um passeio primaveril , o sorriso continua à espera da respetiva colheita do perfume já a surpresa da primeira degustação não deixa dúvidas : é uma partilha feliz
Parabéns à autora .
Um beijo grande para ti minha querida Graça .

Maria Rodrigues disse...

Delicado e belo poema.
Excelente escolha.
Beijos

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça,
Passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

brancas nuvens negras disse...

Feliz o destinatário desse poema.
Um abraço.

Isa Sá disse...

Que bonito poema.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Eros de Passagem disse...

Que bela partilha, Graça! Que poema intenso e bem construído. Pela amostra, nota-se o quão rica deve ser a poesia de Teresa. É tão bela a escolha das palavras para tomá-las na sua criação poética como um processo artesanal, como um ofício manual: inicialmente, o eu lírico compara o ato de escrever ao trabalho do oleiro ("é do barro que moldo") e do padeiro ("deixo o poema na mesa a levedar"). A palavra não nasce pronta; ela é extraída da terra e moldada à mão. Note-se a colheita noturna de palavras, unindo o erudito ("vocábulos incomuns") e o espontâneo ("outros simples como os que dizem as crianças"), o que resulta na dualidade entre o raro e o cotidiano. Note-se, ainda, a consciência da finitude na imagem da ampulheta e o desfecho com foco na solidão da escrita e na sua utilidade prática e afetiva: alimentar o ser amado com a "primeira fatia". Obrigado mais uma vez pela partilha, Graça!
Beijo!

Jaime Portela disse...

Olá Graça,
Não conheço a poetisa e muito menos o poema.
Que é excelente.
Obrigado pela partilha.
Boa semana.
Um beijo.

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Passando por aqui, para desejar uma ótima semana com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com

alberto bertow marabello disse...

Davvero molto carina. La ricerca delle parole, particolari e semplici, l'attesa che fa crescere e lievitare la poesia e poi la poesia che va condivisa, fetta a fetta.
Carina davvero.
Ciao amica Poetisa, buona settimana
Um beijo

Laura. M disse...

Dejo el poema sobre la mesa para que fermente...
Fermentará y le llegará esa porción. Mucho sentimientos.
Un abrazo.

❦ Cléia Fialho ❦ disse...

Que delicadeza tão bonita…
Teu poema tem a suavidade de mãos que amassam o barro da palavra com paciência e alma.
A imagem dos vocábulos colhidos “pelos atalhos”, entre sebes e trepadeiras, ficou encantadora — como quem recolhe pequenos brilhos escondidos da vida para transformá-los em poesia.

E esse fechamento… ah, que ternura existe em “a primeira fatia”.
O poema levedando na mesa traz calor de afeto, de partilha, de amor servido ainda morno ao coração de quem se ama.
Há uma doçura íntima em teus versos que acolhe e emociona profundamente.

ruma disse...

As "palavras simples das crianças" são valorizadas no Japão desde tempos remotos. Hoje, estas palavras tornaram-se uma forma de arte clássica.

Saudações do Extremo Oriente do Japão - ruma