é do barro que moldo a primeira palavra
à noite pelos atalhos
vou colhendo das sebes e das trepadeiras
vocábulos incomuns
e outros simples
como os que dizem as crianças
quando brincam sozinhas às princesas
enquanto na ampulheta
o sobressalto da areia vai desenhando trajetórias vãs
deixo o poema na mesa a levedar
mas
meu amor
será para ti a primeira fatia.
vou colhendo das sebes e das trepadeiras
vocábulos incomuns
e outros simples
como os que dizem as crianças
quando brincam sozinhas às princesas
enquanto na ampulheta
o sobressalto da areia vai desenhando trajetórias vãs
deixo o poema na mesa a levedar
mas
meu amor
será para ti a primeira fatia.
Teresa Alvarez
In: A luz breve das rosas, 2025, p. 157

42 comentários:
Teresa: No evento “Aqui vai livre” foi a mim que me calhou este teu livro. Fiquei muito contente porque já tinha ouvido alguns poemas ditos pelo António Cravo e fiquei com vontade de o adquirir. É um livro muito belo. Parabéns. Li e reli o livro. A cada poema mais gostei. Obrigada. Um beijo.
Beautiful blog
Please read my post
Lindo demais,Graça! Belo poema ! beijos, ótimo dia! chica
Que belíssima escolha!
Grata por nos mostrar.
Beijinhos tudo de bom!
Boa tarde Amiga Graça
Este poema revela a poesia como um gesto de criação paciente e íntimo. A voz poética recolhe palavras da natureza e da inocência da infância, amassando-as como quem trabalha o barro ou prepara o pão.
Entre o tempo que escorre na ampulheta e a espera necessária da escrita, o poema cresce e ganha forma. O desfecho, delicado e afectuoso, transforma a criação literária numa oferta de amor, reservando ao destinatário a "primeira fatia" desse pão-poema acabado de nascer.
Entre o barro das palavras e o fermento do afeto, a poesia encontra o seu mais belo alimento.
Um belo poema e uma boa partilha .
Semana Feliz com saúde e paz.
:)
Um belo oema para ler com o olhar e apreciar com o coração . Abraços
https://kantinhodaedite.blogspot.com
Olá, amiga Graça, aqui na Seara Alheia você
nos brinda com esse interessante poema, que gostei
de ler.
Uma ótima quinta feira, amiga, muita paz.
Beijo, amiga.
O amor é um sentimento de partilha conforme est+a bem expresso no texto do poema.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes
Bom dia Graça,
Que poema tão belo!
O final é simplesmente maravilhoso.
Gostei muito de conhecer esta Poeta.
Muito obrigada pela partilha, minha Amiga Graça.
Beijinhos e um dia de Corpo de Deus muito abençoado.
Emília
Tudo acontece...lenta, delicadamente...
Lindo... adorei o poema....
Beijos e abraços
Marta
Boa tarde minha querida e poeta Graça. Obrigado pelo lindo poema. Aproveito para desejar uma linda tarde de quinta-feira e um grande abraço do seu amigo carioca.
Olá,amiga Graça.
Sem dúvida que é um belíssimo livro. Como este lindo poema indicia.
Excelente partilha, estimada amiga.
Beijinhos e continuação de bom semana.
Mário Margaride
Gostei do poema.
Amiga, beijinho de tudo de bom e feliz feriado :)
Olá, amiga Graça, que poema lindo, amiga,
não conhecia a poeta Teresa Alvarez,
muito obrigada pela partilha!
Um bom fim de semana que está chegando.
Beijinhos, muita paz por aí nesse mundo muito conturbado.
Bom dia, Graça
Lindo poema. As palavras simples das crianças são fabulosas. Um forte abraço.
El poema de un final, hecha a la dulzura de la boca. Un abrazo. Carlos
Felicitaciones Graça por esta nueva gran muestra de su destreza y autoridad poética...
Abrazo admirado una vez más.
as always, a wonderful poem that will stay in your heart for a long time
Qie bonito, compara o amor ao pão ou qualquer massa que precisa levedar. E mais bonito ainda, o dar da primeira fatia.
Já lhe disse que acho louvável esta sua iniciativa de mostrar poemas e poetas? Pois já. Então, repito.
Bom fim de semana, Graça
Esplendido poema!
Abraços, Graça.
Lindo y dulce poema. Te mando un beso.
Amiga Graça, boa noite de paz!
Que lindo ofertar a primeira fatia ao amor!
Belo...
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos
Gosto do poema que na mesa ... levedou!
👏👏👏😘
Muito belo e delicado este poema da Teresa Alvarez!...
Com o poema bem levedado, a primeira fatia de pão será seguramente
um delícia!
Um bom fim de semana minha amiga Graça.
Um beijo.
Dear Grace , it’s lovely poem reflecting the inner struggles of a poet who owns love and seeks for the words to nourish and nurture with his sublime thoughts and expressions, I loved the end of the poem and I agree that love is the inspiration for the whole process of creativity
Health peace and happiness to you and yours ♥️🙏
Maravilha a Teresa neste processo da criação.
Levedar a poesia é ornar com toda sensibilidade e arte,
para ver o resultado que sabe é maravilhoso e compartilhado.
Bela partilha Graça.
Bjs e feliz fim de semana iluminado.
Resumido e intenso. Estilo semelhante ao teu.
Boa semana e um feliz mês de junho, Graça.
Nice words Graça!!
Many greetings,
Marco
Como que colhendo as primeiras flores de um passeio primaveril , o sorriso continua à espera da respetiva colheita do perfume já a surpresa da primeira degustação não deixa dúvidas : é uma partilha feliz
Parabéns à autora .
Um beijo grande para ti minha querida Graça .
Delicado e belo poema.
Excelente escolha.
Beijos
Olá, amiga Graça,
Passando por aqui, para desejar um feliz fim de semana, com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com
Feliz o destinatário desse poema.
Um abraço.
Que bonito poema.
Isabel Sá
Brilhos da Moda
Que bela partilha, Graça! Que poema intenso e bem construído. Pela amostra, nota-se o quão rica deve ser a poesia de Teresa. É tão bela a escolha das palavras para tomá-las na sua criação poética como um processo artesanal, como um ofício manual: inicialmente, o eu lírico compara o ato de escrever ao trabalho do oleiro ("é do barro que moldo") e do padeiro ("deixo o poema na mesa a levedar"). A palavra não nasce pronta; ela é extraída da terra e moldada à mão. Note-se a colheita noturna de palavras, unindo o erudito ("vocábulos incomuns") e o espontâneo ("outros simples como os que dizem as crianças"), o que resulta na dualidade entre o raro e o cotidiano. Note-se, ainda, a consciência da finitude na imagem da ampulheta e o desfecho com foco na solidão da escrita e na sua utilidade prática e afetiva: alimentar o ser amado com a "primeira fatia". Obrigado mais uma vez pela partilha, Graça!
Beijo!
Olá Graça,
Não conheço a poetisa e muito menos o poema.
Que é excelente.
Obrigado pela partilha.
Boa semana.
Um beijo.
Olá, amiga Graça.
Passando por aqui, para desejar uma ótima semana com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.
Mário Margaride
http://poesiaaquiesta.blogspot.com
Davvero molto carina. La ricerca delle parole, particolari e semplici, l'attesa che fa crescere e lievitare la poesia e poi la poesia che va condivisa, fetta a fetta.
Carina davvero.
Ciao amica Poetisa, buona settimana
Um beijo
Dejo el poema sobre la mesa para que fermente...
Fermentará y le llegará esa porción. Mucho sentimientos.
Un abrazo.
Que delicadeza tão bonita…
Teu poema tem a suavidade de mãos que amassam o barro da palavra com paciência e alma.
A imagem dos vocábulos colhidos “pelos atalhos”, entre sebes e trepadeiras, ficou encantadora — como quem recolhe pequenos brilhos escondidos da vida para transformá-los em poesia.
E esse fechamento… ah, que ternura existe em “a primeira fatia”.
O poema levedando na mesa traz calor de afeto, de partilha, de amor servido ainda morno ao coração de quem se ama.
Há uma doçura íntima em teus versos que acolhe e emociona profundamente.
As "palavras simples das crianças" são valorizadas no Japão desde tempos remotos. Hoje, estas palavras tornaram-se uma forma de arte clássica.
Saudações do Extremo Oriente do Japão - ruma
Um poema maravilhoso!
Belíssima escolha, também, outra coisa não esperaria da sua sensibilidade.
Um beijo
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