Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

29.8.08

Neles me reconheço

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Menez Quando identifico os passos dos que vagueiam sem endereço e neles me reconheço entendo por que há aves que cegam com a transparência ...
29 comentários:
26.8.08

Em seara alheia

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Precisava de falar-te ao ouvido De manter sobre a rodilha do silêncio A escrita. Precisava dos teus joelhos. Da tua porta aberta. Da indigên...
26 comentários:
22.8.08

Ariadne

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Ariadne nada sabia da morte. Quis ter a eterna idade das águas. Naxos foi o exílio onde levou aos olhos a curva do luto. Sobre as rochas d...
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18.8.08

Poema de amor

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Manuel Fazenda Lourenço Enquanto os meus passos procuram nos teus a ressonância da alegria e ambos reconhecemos a luz fascinada do ol...
49 comentários:
14.8.08

Na data prevista

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Maurício Abreu Na data prevista, agosto arde e nem sequer uma sombra indaga a desolação da terra nos montados. Os pássaros trancam o ve...
23 comentários:
11.8.08

Memórias de Dulcineia V

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Alvarez Bravo Ponho nestas memórias a íntima clandestinidade dos amantes. Hei-de dizer o nome de quantas aves se perderam por roçarem ...
23 comentários:
7.8.08

Se viesse do mar

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Maicar Förlag Se viesse do mar o silêncio transparente desta mágoa, eu podia desenhar um barco para fugir, ou esperar que a maré levasse...
32 comentários:
4.8.08

Em seara alheia

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Franz von Suppe: Poeta e Camponês A jovem camponesa que faz versos. Não os passa ao papel porque não sabe escrever, mas diz que os preserva ...
23 comentários:
30.7.08

Do lado do rio

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Carlos Botelho Escrevo trovas no vértice de uma dança. Sulco toadas, verso a verso, no eixo dos meus pés. A manhã começa do lado do rio....
40 comentários:
25.7.08

Memórias de Dulcineia IV

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Vermeer Indecisa, seguro entre as mãos a carta que um dia recebi: sem remetente, sem data, sem perfume. Com uma haste de fogo a queimar-...
25 comentários:
21.7.08

O mais secreto brilho do verão

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Rachel Giese Acordei assustada: tinha cortado os pulsos para matar a sede. Agora que a sede sangra nos meus lábios, devoro, gota a gota...
30 comentários:
16.7.08

Memórias de Dulcineia III

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Quando fui ao teu encontro levei no decote um rebento de alecrim para que me avistasses pelo aroma. Graça Pires De Uma extens...
26 comentários:
12.7.08

Em seara alheia

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Nau de sonho Quase roçando a areia, tão beijada pelas ondas do mar, serenamente, à luz avermelhada e fulva do poente, eu paro... passa a min...
15 comentários:
7.7.08

Um rio nasce perto dos lábios

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Edouard Boubat Um rio nasce perto dos lábios de quem improvisa a sede, ou sabe usar as mãos para colher as primeiras amoras do verão. ...
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3.7.08

Retrato improvisado

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Picasso Por dentro da tua voz, posso adivinhar a cidade longínqua que te perturba o rosto. Vieste de todos os lugares onde as emoções s...
25 comentários:
30.6.08

Em seara alheia

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QUE FORMALISMO? De lamber as palavras como se rasas de silêncio elas fingissem e não se trucidassem contra o vento e não voassem fundo e nã...
16 comentários:
26.6.08

É um verso

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Claude Monet É um verso, toda a luz filtrada pelo olhar, quando me surge, das mãos, um barco desvairado. Vozes longínqu...
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22.6.08

Memórias de Dulcineia II

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Daniel Garber Ninguém imagina por quantos lugares a noite me encontrou em retirada. Comecei a ler romances de cavalaria para não temer o...
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18.6.08

Ganho asas

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Yousuf Karsh Quase tudo é previsível. O dilema total é escapar do calendário dos profetas. Solto-me. Ganho asas. Estou no século do...
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14.6.08

A hora propícia

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Picasso Esta noite, do lado mais encoberto do rio, acercarei o meu corpo do teu. A hora é propícia à perturbação dos olhos, disponíveis...
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9.6.08

Memórias de Dulcineia I

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André Kertész Era tanto o alvoroço dos pássaros nas árvores mais antigas, que uma inquieta suspeita se me ajustou ao coração. Então ti...
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6.6.08

Os dias de Junho

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Robert Doisneau Neste lugar, onde as giestas derramam o mel junto aos caminhos, medimos os dias de junho pelo exacto despertar do hori...
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2.6.08

O mar

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Sem hora marcada, os navios passam ao largo das ondas. Nenhum mar existe sem a silhueta dos mastros, para chorar os peixes verdes em exti...
21 comentários:
28.5.08

Os aloendros

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Manuel Fazenda Lourenço Falta, ainda, dimensionar o canteiro de rosas brancas, frente à porta, para que se conte, do amor, outros segre...
29 comentários:
23.5.08

Escrevo rio

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Somente a minha sombra atravessou comigo o brilho das manhãs cativas do meu próprio espanto. Em meus lábios, tão repousados d...
31 comentários:
18.5.08

Em seara alheia

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Debaixo do sigilo o teu cabelo chove nas minhas mãos. e não vens ainda sobre a terra. sabes a tempo imóvel e rios sustenidos. dizes a paisag...
20 comentários:
15.5.08

Foram embora os pássaros

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Foram embora os pássaros. Foram embora, procurando um tempo onde a luz deflagre em suas asas. O seu inevitável regresso há-...
28 comentários:
11.5.08

A suspeita de um poema

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Imogen Cunningham Acordei com a suspeita de um poema a pontuar a manhã. Quantas vezes a palavra se demora, e dói, e deixa na voz uma r...
32 comentários:
7.5.08

Como se viesse o anjo

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Leonardo da Vinci Fecho-me no quarto. Há demasiada luz espalhada nas paredes como se viesse o anjo que anuncia a extinção das sombras. ...
21 comentários:
4.5.08

Todas as mães do mundo

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Ansel Adams Em direcção a um inequívoco conforto, corro pelos sulcos dos olhos da minha mãe: planície imensa onde rebolo a infância...
24 comentários:
1.5.08

Há noites

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Há noites em que morremos de tristeza, à espera que uma estrela nos rebente no olhar. Depois, pela manhã, amontoam-se-nos, na b...
25 comentários:
27.4.08

Lembras-te?

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Ruth Burke Se eu viesse do mar, falaria do vento, do sol inclinado para o sul, ou da sombra azulada das gaivotas. E diria: o teu corpo ...
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23.4.08

LIBERDADE

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Esta é a madrugada que eu esperava O dia inicial inteiro e limpo Onde emergimos da noite e do silêncio E livres habitamos a substância do te...
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20.4.08

Refaço a espera

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Degas Veio, devagar, um pássaro sobrevoar minhas mãos tão adiadas das tuas. Refaço a espera. Digo o teu nome para que voltes. Foi secre...
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14.4.08

Convite

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Gostava que estivessem presentes todas as minhas amigas e todos os meus amigos. Como se fosse a véspera de morrer, segurei na boca...
39 comentários:
10.4.08

Em seara alheia

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Busco em cada estrela o fogo capaz de acalentar os meus olhos mais antigos. Foi sempre a fome, companheira peregrina, que me impeliu ...
19 comentários:
5.4.08

Alentejo

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Manuel Fazenda Lourenço Quando as estevas entraram no poema, souberam, os nossos filhos, que a brancura das casas se mantém, eternament...
33 comentários:
1.4.08

A melancolia deste instante

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Edouard Boubat Sinto, poro a poro, a alucinação vegetal da terra, tecendo os seixos cativos do orvalho, ou lambendo os mastros p...
22 comentários:
28.3.08

História de amor

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Michele Lamontagne Era primavera em todas as montanhas tecidas de lilás e o luar escorria pelas casas, decifrando alegorias e monólogo...
22 comentários:
24.3.08

Certos pressentimentos

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Alain Jenkins Os últimos nós do silêncio, nos cantos da boca gritam que há lugares onde se cobre de lodo o destino dos homens e se rasg...
22 comentários:
20.3.08

O poeta

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Contemporâneo dos deuses é o poeta. Os seus templos têm abóbadas de silêncio e nostalgia. Os seus ritos roçam a magia, a raiva, o...
21 comentários:
17.3.08

No mês de Março

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Menez Estávamos no mês de março. Na caixa do correio, encontrei um postal ilustrado : Menez (guache s/papel). Era teu. E, entre outras...
24 comentários:
13.3.08

Todos os contrastes

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Cleri Biotto Coloco, ao alcance dos lábios, todas as convicções e desdobro as palavras sobre a noite. Regresso à caligrafia indomável ...
25 comentários:
10.3.08

No olhar, um barco

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Richard Price Surpreendida pelo ideário de um marinheiro sem rota, o meu olhar abrigou um barco e reaprendeu, sem dificuldade, os mesmo...
22 comentários:
7.3.08

Às mulheres do meu país

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Matisse O dia cobre-se de pássaros, que sobrevoam quotidianas ficções. No meu país, as mulheres têm a cor da sede nos seus olhos, ávid...
18 comentários:
2.3.08

Um relógio parado

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Salvador Dali Que ruído me devolveu o insulto de espelhos quebrados junto à pele? Na insónia confidente, um relógio parado marca o cam...
26 comentários:
26.2.08

Em seara alheia

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DÁ-ME DE BEBER... Dá-me de beber em tuas mãos uma nesga do céu sem coares as nuvens que passam. Morde (se quiseres) a romã entre ...
17 comentários:
21.2.08

Regresso à praia húmida

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Edouard Boubat De costas voltadas para a fadiga dos dias, regresso à praia húmida onde nasço quantas vezes eu quero, livre do mov...
24 comentários:
17.2.08

A desordem da noite

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Peter Wileman Quase tudo se articula na sorte ou na desgraça de resgatar memórias, como um pretexto rebelde, marginando os dias. Quant...
22 comentários:
13.2.08

Enamoramento

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Edouard Boubat Agora, que os teus e os meus olhos se entrelaçam, em que penas se movem os meus dedos que, de lentos pássaros, povoam m...
27 comentários:
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