Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

25.8.10

Em seara alheia

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Na impossibilidade de hoje te florir apaziguo a saudade muda e áurea singularizando a memória. dirás no teu canto de cinzas que ...
35 comentários:
18.8.10

Adormecemos com sede

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As águas baixaram. Amainada a maré vieram as gaivotas poisar-nos na janela. O brilho inesperado dos barcos e das dunas doía no olhar. ...
39 comentários:
9.8.10

Sem possibilidade de fuga

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Edward Hopper Sem possibilidade de fuga habito a luz intensa da treva e guardo, no olhar, a líquida sombra, que sobrevive na memória d...
39 comentários:
29.7.10

Calaram-se os pássaros

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Ana Pires Calaram-se os pássaros. Regressou enferma a ave que rasgou a sombra das árvores em pleno verão sem encontrar o caminho para a...
44 comentários:
21.7.10

Em seara alheia

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Excessos A partir de hoje vou usar todas as palavras. Não vou corrigir as sublinhadas a vermelho. Muito menos escrever a palavra certa dez v...
36 comentários:
12.7.10

Pela noite

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Pedro Pires Pela noite, as sardinheiras aprisionam a luz, para enganar a morte dos desejos. É por isso que o olhar matina...
42 comentários:
29.6.10

Desejo

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Magritte Sei o som dos passos com que regressas a casa. No quarto virado a norte, a prevenir-nos de todos os invernos, aguardo que prol...
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17.6.10

No meu país

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António Quadros No meu país havia marinheiros com braços de tempestade. Havia um cais e um sonho ateado em cada mastro. E havia no ve...
49 comentários:
10.6.10

Em seara alheia

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UMA VIDA A lua lambe os limos fétidos. Aborda o cais. Espreguiça o sono. Isto era um rio. O nosso. Reconheces aqueles dois? Há três mil an...
37 comentários:
3.6.10

Consentidas emoções

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Edward Hopper Com flores exuberantes em torno das ancas rememoro incontáveis sombras no meu rosto e traço os caminhos em que me perd...
41 comentários:
27.5.10

Do lado mais calado do tempo

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Walker Evans Do lado mais calado do tempo podemos falar das mãos das mães, tão frágeis, quando trazem nas costas a febre dos filhos. Po...
46 comentários:
20.5.10

As papoilas devassam as sombras

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M. G. Luffarelli De costas para o meu rosto as papoilas devassam as sombras e assinalam o destino de um grito. Um grito alucinado que ...
43 comentários:
13.5.10

O silêncio pressentido

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Vincenzo Balocchi O vento da tarde entra pelas casas sem convite e enreda nos vidros o excessivo horizonte do mundo. Em paredes ásperas...
52 comentários:
6.5.10

Em seara alheia

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Navegação Não avistarei a terra depois desta nua solidão. Sem luz e sem imagem, o vazio inventa-me e consome-me como este sonho cruel que já...
38 comentários:
29.4.10

Mãe

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Ana Pires Só na memória do teu rosto, mãe posso encontrar agora as paredes da casa onde nasci. Como se fosse possível voltar àq...
52 comentários:
22.4.10

A Poesia andou na rua

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Os barcos têm sede: falta mar. Os lenços não respiram: falta vento. Que outro (a)mar das marés do teu olhar me tragam ao país a que pertenço...
30 comentários:
15.4.10

Em seara alheia

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sabes, mãe. uma asa não deixa de bater porque cai do corpo de um pássaro. o nome que nos dão, ao nascer, fica nos retratos, nos envelopes in...
40 comentários:
8.4.10

Alguém me disse

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Ana Pires Alguém me disse, um dia, que as aves marinhas vão morrer (ou repousar) no solitário coração dos barcos afundados. Que sugestã...
53 comentários:
2.4.10

Na data prevista

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Maria Clarinda Na data prevista, desfez-se a noite em sombras autobiográficas. Demandei, por isso, o mais distante navio para alcanç...
44 comentários:
25.3.10

Memórias de Dulcineia XVIII

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Gustave Dore A notícia se espalhava: um cavaleiro andante em doida cavalgada pelo vento, ridículo, intruso de si mesmo. A notícia corri...
42 comentários:
18.3.10

Tão cúmplices, as palavras

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Edward Hopper Às vezes vêm de muito longe: de fatigadas viagens, de mortes prematuras, de excessivas solidões. Mas vêm. E trazem a...
47 comentários:
11.3.10

Em seara alheia

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Devia olhar o rei Mas foi o escravo que chegou Para me semear o corpo de erva rasteira Devia sentar-me na cadeira ao lado do rei Mas foi no ...
43 comentários:
4.3.10

O buscador de pérolas

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Obrigada, José Manuel Vilhena Era um buscador de pérolas. Atravessou a mais densa escuridão para abrigar na expressão do rosto uma luz a...
49 comentários:
25.2.10

Tiro a máscara

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Rudolph Tegner À queima-roupa, tiro a máscara com que me desfiguro e transfiguro. Desenho na cara o mirante donde se avista a via-sacra...
45 comentários:
18.2.10

Diz o que quiseres

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Marta López Vilar Quando a imensidade das sombras se acercar de mim promete que dirás que fui com as aves matinais pernoitar à boca...
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20.1.10

ATÉ SEMPRE, MÃE

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Até sempre, Mãe Mãe Mãe: Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endur...
5 comentários:
14.1.10

Em seara alheia

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INDOLOR Quando eu tiver As mãos doridas De tanto escrever Invento uma forma Indolor E escrevo Na parte de dentro Das folhas Onde não magoa O...
32 comentários:
7.1.10

O rumo das palavras

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D'Ângelo No fim da tarde, apenas é incerto o rumo das palavras. Divago entre verbos uma intriga qualquer cruzando hipótese...
60 comentários:
30.12.09

A passagem do tempo

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Manuel Alvarez Bravo Dantes a passagem do tempo deixava-se adivinhar no contorno imperfeito das pedras que pisamos. Os antigos conheci...
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18.12.09

NATAL

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Michelangelo NATAL Leio o teu nome Na página da noite: Menino Deus... E fico a meditar No milagre dobrado De ser Deus e menino. Em Deus não...
61 comentários:
12.12.09

Memórias de Dulcineia XVII

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Claire Rydell Porque os sentidos se furtam a qualquer ausência sei que nunca me aconteceu a tua morte. Teus gestos recordo. Teu nome c...
38 comentários:
5.12.09

Em seara alheia

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É DAS FONTES QUE FALO! Falo das casas de rosto contente virado para o mar, da procura apaixonada das conchas raras abandonadas na vazante, ...
38 comentários:
28.11.09

As flores tardias de maio

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Obrigada, Maria Clarinda Aqui, olhando as pessoas ao acaso, vêm-me à lembrança aqueles dias em que os nossos olhos se ajustavam e tu ...
44 comentários:
22.11.09

Nada sei

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Claude Simon Nada sei da sedução da morte nos olhos dos pássaros atingidos pelo trilho dos incêndios no interior das searas. Não sei que...
51 comentários:
7.11.09

Dois Convites

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Para os que moram na Figueira da Foz, ou por perto: Dia 12 de Novembro de 2009, às 18 horas, na Biblioteca Pública Municipal Para os...
60 comentários:
1.11.09

Em sinal de luto

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Ansel Adams Conto, pelos dedos, o tempo de entardecer cansaços. Um negativo de lembranças, compulsivamente recortadas no coração, transfo...
47 comentários:
24.10.09

Todos os sinais do rosto

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Dorothea Lange Pelo vértice dos abismos posso espreitar o fulgor inventado da sombra que me precede. Todos os sinais do rosto se ...
53 comentários:
17.10.09

Outono: lugar frágil

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Edouard Boubat Acendo as mãos para aquecer o olhar de quem atravessa apressadamente o outono. Um morno ruído desdobra o voo quebrado d...
51 comentários:
7.10.09

Em seara alheia

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Fábula da Fábula Era uma vez Uma fábula famosa, Alimentícia E moralizadora, Que, em verso e prosa, Toda a gente Inteligente Prudente E sabed...
37 comentários:
1.10.09

Por meio do fascínio

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Os deuses reuniam-se de noite. Debruçavam-se sobre os bosques para sacralizar as árvores, debaixo das quais os tocadores de lira enca...
49 comentários:
24.9.09

Onde o outono aquece

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Ana Pires Aqui, na fenda da rotina onde o outono aquece vou desenhar a sede, lentamente. Já não falo de nós, peregrinos das rotas q...
55 comentários:
18.9.09

Um silêncio obsessivo

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Marthe Há um deserto adiado no interior das papoilas desdobradas sobre o movimento dos dedos. Aqui é a passagem para um silênci...
45 comentários:
10.9.09

Memórias de Dulcineia XVI

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António Quadros Como calar a incoerente voz do pensamento para encontrar as palavras com que me invento? Demasiado cedo me soube irmã d...
53 comentários:
3.9.09

Em seara alheia

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A prontidão das sombras resume Um simples corpo e resvala sinuosa. Sei que recordo tudo em certos momentos. Recordo-te até como se te chamas...
39 comentários:
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