Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

22.11.11

A que país pertenço?

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Robert Coombs Acordo nos degraus de novembro e volto a ser menina. É o dia dos meus anos. Ponho um vestido cor de rosa e um laço de cetim a...
14.11.11

Memórias de Dulcineia XXII

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Trémula, ajusto à mão a posse das palavras e conto: Numa aldeia da Mancha um homem recuperou a razão e começou a morrer. Banido de seus son...
7.11.11

Em tons de azul

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Matisse Recolho-me no interior azulado das imagens que atravessaram os teus olhos. Podem ser as figuras femininas de Matisse em recort...
31.10.11

Nas noites excessivas

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Ana Pires Para poderem atenuar a cruel inclinação das sombras nos alpendres, quando os pátios virados a sul manobram a direcção dos ventos,...
21.10.11

A febre das uvas a morder-nos a língua

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Dos montes inclinados à sedução das vinhas apenas sabemos a linguagem das brisas e o voo absolutamente breve dos insectos. N inguém susp...
14.10.11

O outono que nos coube

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Dorothea Lange Deixo que um veludo roxo me toque as sobrancelhas devagar, para descobrir uma terra sem nome, onde repito vezes sem conta a...
7.10.11

Cor negra

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Edouard Manet Manet cultivou a paixão pela cor negra e com ela pintou os casacos dos homens e adornou o pescoço das mulheres. C omo se a...
30.9.11

Tango

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Pedro Alvarez Coloco sobre o corpo um vestido vermelho com peitilho de renda e digo tango . O duelo das pernas: corças descomandadas ...
23.9.11

Outono

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Ana Pires Alheia à continuidade das manhãs fixo um encontro comigo para a hora em que a terra se deixa amar sem cólera. Tudo con...
16.9.11

Ortografia do olhar

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Salvador Dali Os barcos aproximam-se do quotidiano, pelos atalhos da luz, no corpo da tarde. Ao mesmo tempo, de cidade em cidade, ...
8.9.11

Em seara alheia

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no princípio, somos esta luz queimada de água a água, o fogo ininterrupto que se alastra na comunhão das margens, a maré...
22 comentários:
31.8.11

Ainda assim

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As abelhas coladas à cal dos muros pela violência da luz tornam impossível a essência das colmeias. Ainda assim as mulheres lambem os favo...
30 comentários:
24.8.11

Um espesso pó nos aguarda

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Walker Evans Um espesso pó nos aguarda. Por isso transformamos a ombreira da porta num braço de mar. O soalho de madeira faz da ca...
34 comentários:
17.8.11

Qualquer gesto

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Munch Era quase a manhã a sangrar nos pulsos. Qualquer gesto seria inútil para entoar todos os silêncios que enchem a noite. Eu podia esper...
43 comentários:
4.8.11

Em seara alheia

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Hoje é o tempo do renascer vigoroso de deusas primordiais que dão à paisagem formas tecidas de folhas é o tempo do sol sorrir na trans...
30 comentários:
25.7.11

Memórias de Dulcineia XXI

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Andrew Wyeth Era lentura o que me cobria os olhos quando, ao longo do meu corpo, te ausentaste. Um vagaroso luto cercou todos os nomes que ...
37 comentários:
15.7.11

A cor cinza

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    De A Incidência da luz , 2011
44 comentários:
29.6.11

Quando chegaste

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Alvarez Bravo Como se nada pudesse alterar o percurso de uma paixão, enfeito os ombros de mimosas e mudo de perfume, para inquiet...
52 comentários:
22.6.11

Em seara alheia

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DOEM BRINQUEDOS NAS VEIAS Por trás da idade nasce a infância, os brinquedos enferrujados nas veias doem. As aves que levantam do coração...
27 comentários:
15.6.11

Junho é o teu mês, filho

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No início da primavera vou encher-te o jardim de amores-perfeitos . Assim falou meu filho quando janeiro findava. Eu guardei jun...
39 comentários:
3.6.11

Há máscaras de lama

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                                                                  István Kerekes Há máscaras de lama cobrindo a astúcia no focinho das f...
49 comentários:
27.5.11

Lentíssimo sonho

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Manuel Fazenda Lourenço As flores da macieira ocultam as abelhas em seu minucioso trabalho. Espesso é o pólen que a luz da manhã derrama s...
43 comentários:
20.5.11

Vou no barco de Conrad

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Hiroshi Yamazaki A indiferença das molduras fende, em minha boca, o asfalto dos dias e o feixe dos gritos dilatados na garganta. Um velu...
36 comentários:
13.5.11

Em seara alheia

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POR VEZES Por vezes tudo se confunde. As minhas mãos são sol dentro das tuas e há cintilações nos campos do Outono onde se guardam n...
32 comentários:
7.5.11

Maio é o teu mês, filha

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Maio é o teu mês, filha. Teu e das cerejas vermelhas. Cresceste com o assombro dos cravos entrelaçados no sonho. Por isso é de fogo a sede d...
46 comentários:
29.4.11

Emudecemos

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Dorothea Lange Emudecemos com a noite calada entre os olhos. Ao alcance dos espelhos colocamos a luz coada das janelas para que os filhos n...
37 comentários:
24.4.11

Voz activa

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Canta, poeta, canta! Violenta o silêncio conformado. Cega com outra luz a luz do dia. Desassossega o mundo sossegado. Ensina...
30 comentários:
20.4.11

Da paixão e da morte

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Só os lírios roxos me são próximos no lado mais comovido da manhã quando a luz margina a solidão dos meus olhos e dos ardis da memória ...
47 comentários:
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