Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

24.4.17

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Gonçalo Viana Os barcos têm sede: falta mar. Os lenços não respiram: falta vento. Que outro (a) mar das marés do teu olhar me traga...
62 comentários:
17.4.17

Indiferente ao desígnio das sombras

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Katia Chausheva   São longos os dedos que sulcam o rosto difuso das noites em que o luar queima os crisântemos sem deixar vest...
56 comentários:
10.4.17

Em seara alheia

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Hoje acordei com a dor das árvores; estou de pé e o meu corpo sustém o vazio e a solidão dos ramos côncavos de espera, impacientes de...
53 comentários:
2.4.17

O lilás claro das hortênsias

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O lilás claro das hortênsias, galgando a periferia dos jardins, espalha todos os aromas pela terra enquanto as horas passam e de...
61 comentários:
25.3.17

Para a minha Mãe, no centenário do seu nascimento

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67 comentários:
20.3.17

Percorro devagar a minha sombra

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Olga Astratova Percorro devagar a minha sombra para não assustar o bando de aves adormecidas sob os dedos. Vou traçar o perfil d...
57 comentários:
13.3.17

Em seara alheia

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Encontro Nem sempre sei Onde deixar esta urgência de ti... Se nas palavras, Se nos olhos, Sem que se perca no ar Ou nas intransigê...
57 comentários:
6.3.17

Espera

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Katia Chausheva Em plena noite cheguei a casa  com os pés envoltos em conchas.  Com eles risquei no chão o barco e as velas  e ...
69 comentários:
27.2.17

Só folheio os jornais de vez em quando

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Magritte Só folheio os jornais de vez em quando. Quase tudo o que se escreve são golpes confusos que abrem nas entranhas a impr...
49 comentários:
20.2.17

No transtorno das mãos

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Amanda Cass Lentos os dias. Lento o vazio das ruas. Lentos os caminhos sulcados pelas veias. Tão lentos que um lento gesto me ...
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13.2.17

Inês, o meu nome

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CNB Para sempre o teu olhar interdito. O teu rosto sombrio. O teu corpo clandestino de mim. Para sempre. Com que sopro, diz, in...
55 comentários:
6.2.17

Em seara alheia

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BEIJO MAR Gosto de rasgar-te a pele rochedo provocador nos diálogos sem fim. Grato por guardares a agenda  dos meus desabafos,...
53 comentários:
30.1.17

As laranjas

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As laranjas, vergando as árvores de tanto sumo, fizeram-me sede. Colho-as com os dentes propícios à abundância de um soro cris...
58 comentários:
23.1.17

Pátria

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Manuel Fazenda Lourenço No lugar onde outrora um grupo de nómadas  percorreu todo o litoral até se colar às rochas  em melancól...
57 comentários:
16.1.17

Esta solidão de janeiro

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Pertence-nos agora esta solidão de janeiro colada ao teu silêncio, mãe Guardamos no olhar a transparência dos teus olhos, a mitigar a ...
60 comentários:
9.1.17

Em seara alheia

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Acordo e caminho na erva ainda tenra, húmida, deixando pequenas marcas dos pés cansados de caminhar no leito da noite. Sinto a alma ...
40 comentários:
2.1.17

A intimidade de uma súplica

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Laura Makabresku Às vezes a grafia é escassa no desadorno do poema. Ponho no rebordo dos dentes uma ferocidade que estremece q...
64 comentários:
20.12.16

Nem sempre os pinheiros são verdes

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Olívia Marques Nem sempre os pinheiros são verdes. Nem sempre há pinheiros no Natal. Nem sempre as folhas dos pinheiros são pere...
75 comentários:
12.12.16

Uma esquiva chama

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Georges de La Tour Agarrada a desafios sem freio, a minha voz arredondou o canto e removeu devagar o espelho que reflectia as a...
52 comentários:
5.12.16

Em seara alheia

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Um rio, um nome Na terra de meu pai corria um rio e não era ainda o do tempo nem eu nadara no múltiplo leito de Heraclito, era um r...
48 comentários:
28.11.16

No meu coração litoral

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Agnieszka Motyka Habita-me o brilho dos areais quando a salsugem tem a densidade de um aceno. A navegação é inadiável. Em min...
51 comentários:
21.11.16

Subversão

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Francesca Woodman Cortei todos os dedos no claustro  das liturgias iniciáticas mais severas.  As minhas mãos são agora as estrema...
47 comentários:
14.11.16

Não tem limites

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Jean Dieuzaide Não tem limites a cúmplice desordem das cidades onde resistimos ladeando de argila as janelas das casas para qu...
55 comentários:
7.11.16

Em seara alheia

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Ainda é cedo, sabes? As pedras são maiores que as nossas mãos. No ar pesa a espessura da tristeza. As uvas estão verdes. Não é tempo ...
61 comentários:
31.10.16

Tantas vezes vida, tantas vezes morte

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Agnieszka Motyka  Neste momento dou ao meu perfil a configuração de uma haste que, ao primeiro sopro do vento, adivinha um fogo...
49 comentários:
25.10.16

A escrita das águas

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Emerico Imre Toth Olho em meu redor. A chuva afaga as raízes das árvores e agita seus ramos como se fossem mantilhas de seda aga...
53 comentários:
17.10.16

Quero inventar o mar de cada dia

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Hoje, que não escuto o mar fujo na crina de um potro livre, sem jugo, em veloz cavalgada. Tenho nos olhos um incêndio tangível ...
53 comentários:
10.10.16

Em seara alheia

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Cantou cansado Um hino ao desencanto, Como se fosse possível Tomar para a alegria O caudal de impurezas A deslizar da solidão. Can...
43 comentários:
3.10.16

Paz

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Larry Burrows Sobrepor a voz à dor sem pátria.  Estar lá onde o olhar de todas as mães  procura o olhar de todos os filhos.  Ter...
53 comentários:
26.9.16

Bailado de gestos

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Nijinsky Aceito que o olhar teça e desteça o contraste dos dias num bailado de gestos que se desdobram e prolongam para além da...
56 comentários:
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