Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

29.3.21

Em seara alheia

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  6. Garimpar a luz  de certas palavras mortiças  até ao doce sabor dos frutos de outono.  Cuidar dos laços que desataste  na minha tristez...
66 comentários:
21.3.21

As palavras andam por aí

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Sarah Affonso  As palavras penetram o espaço e o tempo.  Amadurecem em papel de seda,  manipulando a cor, ateando o silêncio,  incendiando ...
73 comentários:
15.3.21

Encontrou-o à entrada do deserto

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Encontrou-o à entrada do deserto,  absorto, como se conhecesse  todas as invocações do silêncio.  Lia-se nos olhos dele a atracção pelo ven...
64 comentários:
8.3.21

Secaram as roseiras bravas

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Federica Erra Secaram as roseiras bravas  cultivadas no atalho da paisagem.  Uma mulher canta roucamente  e o seu canto é um brado  em desa...
65 comentários:
1.3.21

Se os despojos da noite

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Hengki koentjoro  Se os despojos da noite  se insinuavam na gruta do olhar  como uma advertência,  com suas mãos se rasgava  debruando o fri...
59 comentários:
22.2.21

Memórias de Isadora V

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Sobre o esguio molde  de minhas pernas  acoitei o ritmo imprevisto  de todos os rumores.  Com elas soergui o corpo  até ficar íntima do chão...
58 comentários:
15.2.21

Em seara alheia

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Um dia tudo se resolve  Um dia tudo se resolve  E milhares de ansiedades são atendidas gerações completam-se  num dia fraterno e apertado p...
60 comentários:
8.2.21

Ela bordou ponto por ponto

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                                                                                                Para a minha irmã, Teresa Pires Ela bordou ...
74 comentários:
1.2.21

Memórias de Isadora IV

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Nasci sob a estrela de Afrodite,  dizia eu, na idade de todas as crenças.  Hesitei tantas vezes no rio do olhar,  tão afluente, quando se a...
60 comentários:
25.1.21

Memórias de Isadora III

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E na trama deste enredo me observo.  Isadora, o meu nome aqui recordo,  no desprendimento de mim.   Dobo o fio da inocência  para preservar...
49 comentários:
18.1.21

Já se extinguiu a voz

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Já se extinguiu a voz   que lhe ensinou tudo o que sabe  e que os seus olhos repetem  em requebros de silêncio,  até lhe ser nítido tudo o q...
55 comentários:
11.1.21

Memórias de Isadora II

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Por meu olhar, repito.  Pelo olhar mais breve, mais ávido, mais livre.  O olhar peregrino de abarcar o mundo todo.  De manhãs claras possuí...
59 comentários:
4.1.21

Do outro lado dos homens

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Robert Cattan Do outro lado dos homens  a memória das sombras e dos mortos  maneja o exílio das palavras  e tece um tempo sem bênçãos  para ...
60 comentários:
20.12.20

Interação Fraterna de Natal 2020

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A convite da Amiga Rosélia Bezerra aqui deixo a minha participação  nesta fraterna interação de Natal. Que se descubram palavras  com asas d...
93 comentários:
14.12.20

Memórias de Isadora I

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Aceito.  Deliberadamente aceito  reencontrar-me comigo. Em confusa harmonia,  começa por meu olhar  a urgência inaugural do reencontro.  Um ...
60 comentários:
7.12.20

Em seara alheia

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A Queda Oca no Silêncio  Ignoro a vida  das coisas quando  o olhar me dói,  apressada que vou  para chegar a tempo  do nascimento das sombra...
61 comentários:
29.11.20

Novo Livro de Poesia

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  Notícia da Editora Labirinto: Poesia Título: JOGO SENSUAL NO CHÃO DO PEITO Autor: Graça Pires Prefácio: Eugénia Vasques Capa: Daniel Gonç...
67 comentários:
23.11.20

Apetecia-lhe chorar

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Francesca Woodman Apetecia-lhe chorar .  Gritar palavras sem nexo  até enrouquecer.  À distância da raiva,  era visível ainda, a porta  que ...
65 comentários:
16.11.20

A redenção de um abraço

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Montserrat Gudiol Para todas as pessoas que estão a sofrer e para todos aqueles que mitigam esse sofrimento Um cheiro insólito espalha-se pe...
76 comentários:
9.11.20

Amava a montanha desde que nasceu

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Ansel Adams Amava a montanha desde que nasceu.   Amava-a tanto como se fora outra mãe  que o protegia.  Um dia em que dilatou o olhar para o...
70 comentários:
2.11.20

Deambulou ao acaso

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Olívia Marques Deambulou ao acaso ,  soltando os fantasmas e os sonhos.  Transpôs os espelhos quebrados,  os muros caídos, as árvores já vel...
67 comentários:
26.10.20

Em seara alheia

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Dragão  a Alcanhões, a minha terra   Nasci guardado por um dragão antigo.  Pedi-lhe que me ensinasse a extrair  todas as profecias do futuro...
53 comentários:
19.10.20

Não é ficção nem simbologia

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Adriano Miranda Não é ficção nem simbologia.   São homens sem abrigo,  excluídos da luz, à espera  de um mês propício para morrer.  Em seus ...
65 comentários:
12.10.20

Habitava aquele sítio por engano

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                                                                 Richard Misrach  Habitava aquele sítio por engano.  Não era ali o lugar que...
61 comentários:
5.10.20

Não frequentou a escola

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Adriano Miranda Não frequentou a escola   no tempo de criança que lhe coube.  O trabalho instalou-se, desde sempre,  na orfandade de suas mã...
61 comentários:
28.9.20

Com as unhas fincadas no vaso de barro

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Federica Erra Com as unhas fincadas no vaso de barro  onde crescem as sardinheiras brancas,  ela rememorou alguns poemas  escritos em folhas...
59 comentários:
21.9.20

Não quis falar do vinho

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Não quis falar do vinho  entornado sobre a mesa.  O bordado da toalha  escondia enigmas  que só as mãos das mulheres  sabem decifrar no resg...
65 comentários:
14.9.20

Em seara alheia

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Amo pelas manhãs o interior da casa  a calma pousada sobre as coisas  os objectos poucos  ou da tua pele as adormecidas ruas  poema e cida...
56 comentários:
7.9.20

O estranho retorno de um espanto

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O estranho retorno de um espanto  aconteceu-lhe muitas vezes.  Mas nunca como naquele dia  em que a luz foi mais intensa  nos seus olhos de ...
62 comentários:
31.8.20

Apareceu como uma assombração

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Dorothea Lange Apareceu como uma assombração  quase imperceptível no meio do inverno.  Tinha deambulado pelas cidades, anónimo,  com um sac...
57 comentários:
24.8.20

Caminham por dentro do próprio desalento

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Gregory Crewdson Caminham por dentro do próprio desalento com a memória exausta de pretéritos desejos.  Já não sabem quem são.  Dia após dia...
55 comentários:
17.8.20

Em seara alheia

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E VAI LENTO O NAVIO, enorme como os emblemas  De um longo tempo nos cabelos do mar,  E assumimos assim a composta melancolia,  Em novelos...
48 comentários:
10.8.20

Foi numa tarde de maio

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Albino Moura Foi numa tarde de maio que as fontes secaram.   O primeiro sinal foi dado pelas pombas  que voavam espavoridas ao rés das janel...
58 comentários:
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