Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

24.4.11

Voz activa

›
Canta, poeta, canta! Violenta o silêncio conformado. Cega com outra luz a luz do dia. Desassossega o mundo sossegado. Ensina...
30 comentários:
20.4.11

Da paixão e da morte

›
Só os lírios roxos me são próximos no lado mais comovido da manhã quando a luz margina a solidão dos meus olhos e dos ardis da memória ...
47 comentários:
13.4.11

Todas as palavras são adequadas

›
Obrigada, Cátia Azenha Todas as palavras são adequadas para evocar os dias para sempre agarrados à cal da casa onde nascemos. Quase ...
47 comentários:
6.4.11

Em seara alheia

›
BILHETE-POSTAL Voltei aos jardins mas nem sombra de nós vi na face das coisas - somos filhos do instante. E no entanto que longos me ...
29 comentários:
28.3.11

Acerco-me de Gauguin

›
Como se uma quimera dobasse o desalinho dos desejos acerco-me de Gauguin para que me cubra o corpo com o tom terroso dos países onde a ág...
44 comentários:
20.3.11

Talvez existam anjos com olhos de musgo

›
Manet Caminhamos por entre as árvores com a boca a saber a menta e a malvas. Trazemos nas mãos um herbário de tão fugaz esperança que nenhu...
53 comentários:
10.3.11

CONVITE

›
Para ler, clicar (uma vez) em cima da convite Gostava de vos ver por lá, se quiserem e puderem.
52 comentários:
2.3.11

Círculo de mulheres

›
Veio primeiro o tempo em que, pela boca das mães, se conhecia o aroma do leite e os filhos, de lábios atravessados pelo mel, moldavam ...
41 comentários:
22.2.11

No sal de seus olhos

›
Isidore Pils Nenhum caminho é acessível à tremenda brancura da espuma que as marés enfurecidas enrolam nos rochedos enquanto os marinheiros...
46 comentários:
15.2.11

Em seara alheia

›
Seguiam-se momentos obscuros decifrados nas docas e nos cais. Os andantes da noite procuram prazeres mundanos e instantes propícios às pa...
43 comentários:
9.2.11

Tão hábeis os teus dedos

›
Talvez não seja inútil colher, ao fim da tarde, os miosótis plantados nos teus pulsos: tão hábeis os teus dedos manejando afagos. Graça Pire...
52 comentários:
2.2.11

Memórias de Dulcineia XX

›
Katia Chausheva Ao longo dos anos conservei uma inesperada tristeza reflectida em meus olhos cor da sede. Pedra a pedra, casa a casa, sombr...
51 comentários:
26.1.11

Nas casas abandonadas

›
Ana Pires Nas casas abandonadas, as silvas vão tecendo as rédeas do tempo. A terra inquieta fende o cimento afagado, desfaz a cal das pared...
57 comentários:
18.1.11

Em seara alheia

›
Partida Quando parti ninguém apareceu à beira da pista. Quando parti as viagens eram coisa simples e banal, e não este desejo de procurar um...
31 comentários:
12.1.11

Gosto de objectos geométricos

›
Manuel Fazenda Lourenço Gosto de objectos geométricos desenhados a compasso por mãos intransigentes. A multiplicidade dos traços povoa e de...
50 comentários:
3.1.11

Em litorais longínquos

›
Paul Cézanne Em litorais longínquos as mulheres deitam-se sobre a areia junto à rebentação das ondas. Com os braços em cruz afastam as emba...
57 comentários:
22.12.10

De uma memória tão antiga

›
Gaudiol dizer Dezembro como se o mar tocasse a voz ou dizer uma rosa rubra atravessada por lábios de luz. dizer o oriente de uma estrela e ...
58 comentários:
15.12.10

É do mastro mais alto

›
Claude Simon Quando, a breve prazo, a caligrafia transforma as palavras em navio é do mastro mais alto que o silêncio adere à pele como um ...
40 comentários:
8.12.10

Em seara alheia

›
BARCO Este é o barco que navega Muitos mares Longitudes Plenitudes Âmago Desânimo É o barco brando verde Que me sulca Me cruza Interpreta E...
32 comentários:
1.12.10

Insular

›
Ana Trindade Entre o outono e a neve construí uma ilha e deixei correr nos meus olhos a véspera de um rio e a linguagem absurda das ideias ...
49 comentários:
24.11.10

A oriente dos sonhos

›
Dorothea Lange Aqui já ninguém se comove com canções românticas. Noutros lugares talvez. Não aqui, onde há homens encostados ao muro do des...
37 comentários:
17.11.10

Canções sem palavras

›
Pouco a pouco desfolharam-se as rosas em todos os jardins iniciando o enredo das chuvas sobre as casas. Estávamos no mês em que os crisânt...
42 comentários:
10.11.10

Pode ser um grito

›
Gleb Garanich Às vezes nascem do silêncio os dedos do medo, com anéis de falso ouro oxidado pelo brilho do olhar de quem pressente um luto ...
42 comentários:
3.11.10

Em seara alheia

›
30. procura o curso da água se te acercares do rosto da cidade. todos os homens beijarão as tuas preces à medida que sobrevives ao ventre do...
35 comentários:
27.10.10

A velha nespereira

›
Ana Pires Em contraluz, a velha nespereira tem um perfil de vigília. Quem dela se aproxima pode ver os múltiplos ângulos do dia explodindo ...
42 comentários:
21.10.10

Habito a deriva dos labirintos

›
Paul Strand Habito a deriva dos labirintos, com vontade de ser cativa de uma presença, de um nome, de um aceno. Sou um peregrino. Recorto n...
45 comentários:
14.10.10

Esperou pela mais baixa maré

›
Friedrich Seguindo a linha sinuosa do horizonte, ele estudou o lento esvoaçar dos pássaros circunscrevendo o mar. Esperou pela mais baixa m...
36 comentários:
6.10.10

O ofício das mãos

›
Vermeer O ofício das mãos não se intimida com a apressada cadência do tempo. Não tem fim o silencioso enleio que se esconde por entre a arg...
46 comentários:
29.9.10

Em seara alheia

›
Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos. Puseram-se a contar pelos dedos os barcos que faltariam para chegar o verão. Nenhum deles fa...
33 comentários:
22.9.10

Sou habitante da cidade

›
Gérard Castello Lopes Sou habitante da cidade, como os pombos que esvoaçam a esperança de lés a lés. Sou habitante da cidade, como todos os...
49 comentários:
15.9.10

Faço do pensamento a muralha de um cais

›
Monet Sempre foram fortuitas as palavras na génese da utopia. Eu sei. O exílio existe num quarto vazio de abraços, quando a agonia p...
52 comentários:
9.9.10

Memórias de Dulcineia XIX

›
Ana Pires Morreste sem alarido. De que morte? me pergunto. Descentrado no tempo, rasgavas o silêncio dos caminhos que te perseguiam. A...
49 comentários:
1.9.10

À procura das fontes

›
Manuel Fazenda Lourenço Ela abria as mãos sobre as pedras e ouvia o som da água na margem das encostas. Conhecia o voo dos pássa...
40 comentários:
25.8.10

Em seara alheia

›
Na impossibilidade de hoje te florir apaziguo a saudade muda e áurea singularizando a memória. dirás no teu canto de cinzas que ...
35 comentários:
18.8.10

Adormecemos com sede

›
As águas baixaram. Amainada a maré vieram as gaivotas poisar-nos na janela. O brilho inesperado dos barcos e das dunas doía no olhar. ...
39 comentários:
9.8.10

Sem possibilidade de fuga

›
Edward Hopper Sem possibilidade de fuga habito a luz intensa da treva e guardo, no olhar, a líquida sombra, que sobrevive na memória d...
39 comentários:
29.7.10

Calaram-se os pássaros

›
Ana Pires Calaram-se os pássaros. Regressou enferma a ave que rasgou a sombra das árvores em pleno verão sem encontrar o caminho para a...
44 comentários:
21.7.10

Em seara alheia

›
Excessos A partir de hoje vou usar todas as palavras. Não vou corrigir as sublinhadas a vermelho. Muito menos escrever a palavra certa dez v...
36 comentários:
12.7.10

Pela noite

›
Pedro Pires Pela noite, as sardinheiras aprisionam a luz, para enganar a morte dos desejos. É por isso que o olhar matina...
42 comentários:
29.6.10

Desejo

›
Magritte Sei o som dos passos com que regressas a casa. No quarto virado a norte, a prevenir-nos de todos os invernos, aguardo que prol...
46 comentários:
17.6.10

No meu país

›
António Quadros No meu país havia marinheiros com braços de tempestade. Havia um cais e um sonho ateado em cada mastro. E havia no ve...
49 comentários:
10.6.10

Em seara alheia

›
UMA VIDA A lua lambe os limos fétidos. Aborda o cais. Espreguiça o sono. Isto era um rio. O nosso. Reconheces aqueles dois? Há três mil an...
37 comentários:
3.6.10

Consentidas emoções

›
Edward Hopper Com flores exuberantes em torno das ancas rememoro incontáveis sombras no meu rosto e traço os caminhos em que me perd...
41 comentários:
27.5.10

Do lado mais calado do tempo

›
Walker Evans Do lado mais calado do tempo podemos falar das mãos das mães, tão frágeis, quando trazem nas costas a febre dos filhos. Po...
46 comentários:
20.5.10

As papoilas devassam as sombras

›
M. G. Luffarelli De costas para o meu rosto as papoilas devassam as sombras e assinalam o destino de um grito. Um grito alucinado que ...
43 comentários:
13.5.10

O silêncio pressentido

›
Vincenzo Balocchi O vento da tarde entra pelas casas sem convite e enreda nos vidros o excessivo horizonte do mundo. Em paredes ásperas...
52 comentários:
6.5.10

Em seara alheia

›
Navegação Não avistarei a terra depois desta nua solidão. Sem luz e sem imagem, o vazio inventa-me e consome-me como este sonho cruel que já...
38 comentários:
29.4.10

Mãe

›
Ana Pires Só na memória do teu rosto, mãe posso encontrar agora as paredes da casa onde nasci. Como se fosse possível voltar àq...
52 comentários:
‹
›
Página inicial
Ver a versão da Web

Acerca de mim

A minha foto
Graça Pires
Portugal
Ver o meu perfil completo
Com tecnologia do Blogger.