Nunca pedi sempre aceitei
afirmou minha mãe.
Tinha noventa anos
e a autenticidade discreta
de quem sempre soube receber
através do tanto que deu.
Suas mãos tão inteiras
no ensejo de dar
cheiravam a terra e a pão.
Graça Pires
De Talvez haja amoras maduras à entrada da noite, 2025, p.14

5 comentários:
Muito linda poesia e homenagem! Felicidades às mamães que por aqui passarem nesse dia! beijos, chica
Hoje, lembramos as nossas mães ou a memória que temos delas.
Um abraço.
Boa tarde minha querida amiga e poeta Graça. Minha mãe fez 83 anos em janeiro. Obrigado pela homenagem as mães. O Dia das Mães é comemorado no Brasil, no segundo domingo de maio. Uma excelente tarde de domingo e um abraço do seu amigo carioca.
Que belo poema, amiga Graça.
Como o eu lírico retrata a generosidade da mãe, que se torna a sua identidade e, por extensão, a de todas as mães, homenageadas hoje em Portugal.
No Brasil, será no próximo domingo.
O verso inicial já nos diz muito sobre a sabedoria ancestral das mães: “Nunca pedi sempre aceitei”, que já vem sublinhado no poema a dizer-nos que “quem se doa por inteiro acaba preenchido pelo que recebe”. Ou pelo fragmento o “cheiro de terra e de pão” que evoca o trabalho, as mãos calejadas das mães, ao revelar o cuidado com a vida de todos à sua volta e o sustento da alma.
Um beijo especial para a mamãe Graça, que eu tanto admiro!
Tive o privilégio de conhecer de perto a Mãe da Graça.
Conservo a sua memória como um encantamento, uma dádiva que vive e viverá sempre comigo.
Beijinhos, Graça
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