Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

29.6.11

Quando chegaste

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Alvarez Bravo Como se nada pudesse alterar o percurso de uma paixão, enfeito os ombros de mimosas e mudo de perfume, para inquiet...
52 comentários:
22.6.11

Em seara alheia

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DOEM BRINQUEDOS NAS VEIAS Por trás da idade nasce a infância, os brinquedos enferrujados nas veias doem. As aves que levantam do coração...
27 comentários:
15.6.11

Junho é o teu mês, filho

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No início da primavera vou encher-te o jardim de amores-perfeitos . Assim falou meu filho quando janeiro findava. Eu guardei jun...
39 comentários:
3.6.11

Há máscaras de lama

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                                                                  István Kerekes Há máscaras de lama cobrindo a astúcia no focinho das f...
49 comentários:
27.5.11

Lentíssimo sonho

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Manuel Fazenda Lourenço As flores da macieira ocultam as abelhas em seu minucioso trabalho. Espesso é o pólen que a luz da manhã derrama s...
43 comentários:
20.5.11

Vou no barco de Conrad

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Hiroshi Yamazaki A indiferença das molduras fende, em minha boca, o asfalto dos dias e o feixe dos gritos dilatados na garganta. Um velu...
36 comentários:
13.5.11

Em seara alheia

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POR VEZES Por vezes tudo se confunde. As minhas mãos são sol dentro das tuas e há cintilações nos campos do Outono onde se guardam n...
32 comentários:
7.5.11

Maio é o teu mês, filha

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Maio é o teu mês, filha. Teu e das cerejas vermelhas. Cresceste com o assombro dos cravos entrelaçados no sonho. Por isso é de fogo a sede d...
46 comentários:
29.4.11

Emudecemos

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Dorothea Lange Emudecemos com a noite calada entre os olhos. Ao alcance dos espelhos colocamos a luz coada das janelas para que os filhos n...
37 comentários:
24.4.11

Voz activa

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Canta, poeta, canta! Violenta o silêncio conformado. Cega com outra luz a luz do dia. Desassossega o mundo sossegado. Ensina...
30 comentários:
20.4.11

Da paixão e da morte

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Só os lírios roxos me são próximos no lado mais comovido da manhã quando a luz margina a solidão dos meus olhos e dos ardis da memória ...
47 comentários:
13.4.11

Todas as palavras são adequadas

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Obrigada, Cátia Azenha Todas as palavras são adequadas para evocar os dias para sempre agarrados à cal da casa onde nascemos. Quase ...
47 comentários:
6.4.11

Em seara alheia

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BILHETE-POSTAL Voltei aos jardins mas nem sombra de nós vi na face das coisas - somos filhos do instante. E no entanto que longos me ...
29 comentários:
28.3.11

Acerco-me de Gauguin

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Como se uma quimera dobasse o desalinho dos desejos acerco-me de Gauguin para que me cubra o corpo com o tom terroso dos países onde a ág...
44 comentários:
20.3.11

Talvez existam anjos com olhos de musgo

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Manet Caminhamos por entre as árvores com a boca a saber a menta e a malvas. Trazemos nas mãos um herbário de tão fugaz esperança que nenhu...
53 comentários:
10.3.11

CONVITE

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Para ler, clicar (uma vez) em cima da convite Gostava de vos ver por lá, se quiserem e puderem.
52 comentários:
2.3.11

Círculo de mulheres

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Veio primeiro o tempo em que, pela boca das mães, se conhecia o aroma do leite e os filhos, de lábios atravessados pelo mel, moldavam ...
41 comentários:
22.2.11

No sal de seus olhos

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Isidore Pils Nenhum caminho é acessível à tremenda brancura da espuma que as marés enfurecidas enrolam nos rochedos enquanto os marinheiros...
46 comentários:
15.2.11

Em seara alheia

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Seguiam-se momentos obscuros decifrados nas docas e nos cais. Os andantes da noite procuram prazeres mundanos e instantes propícios às pa...
43 comentários:
9.2.11

Tão hábeis os teus dedos

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Talvez não seja inútil colher, ao fim da tarde, os miosótis plantados nos teus pulsos: tão hábeis os teus dedos manejando afagos. Graça Pire...
52 comentários:
2.2.11

Memórias de Dulcineia XX

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Katia Chausheva Ao longo dos anos conservei uma inesperada tristeza reflectida em meus olhos cor da sede. Pedra a pedra, casa a casa, sombr...
51 comentários:
26.1.11

Nas casas abandonadas

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Ana Pires Nas casas abandonadas, as silvas vão tecendo as rédeas do tempo. A terra inquieta fende o cimento afagado, desfaz a cal das pared...
57 comentários:
18.1.11

Em seara alheia

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Partida Quando parti ninguém apareceu à beira da pista. Quando parti as viagens eram coisa simples e banal, e não este desejo de procurar um...
31 comentários:
12.1.11

Gosto de objectos geométricos

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Manuel Fazenda Lourenço Gosto de objectos geométricos desenhados a compasso por mãos intransigentes. A multiplicidade dos traços povoa e de...
50 comentários:
3.1.11

Em litorais longínquos

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Paul Cézanne Em litorais longínquos as mulheres deitam-se sobre a areia junto à rebentação das ondas. Com os braços em cruz afastam as emba...
57 comentários:
22.12.10

De uma memória tão antiga

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Gaudiol dizer Dezembro como se o mar tocasse a voz ou dizer uma rosa rubra atravessada por lábios de luz. dizer o oriente de uma estrela e ...
58 comentários:
15.12.10

É do mastro mais alto

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Claude Simon Quando, a breve prazo, a caligrafia transforma as palavras em navio é do mastro mais alto que o silêncio adere à pele como um ...
40 comentários:
8.12.10

Em seara alheia

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BARCO Este é o barco que navega Muitos mares Longitudes Plenitudes Âmago Desânimo É o barco brando verde Que me sulca Me cruza Interpreta E...
32 comentários:
1.12.10

Insular

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Ana Trindade Entre o outono e a neve construí uma ilha e deixei correr nos meus olhos a véspera de um rio e a linguagem absurda das ideias ...
49 comentários:
24.11.10

A oriente dos sonhos

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Dorothea Lange Aqui já ninguém se comove com canções românticas. Noutros lugares talvez. Não aqui, onde há homens encostados ao muro do des...
37 comentários:
17.11.10

Canções sem palavras

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Pouco a pouco desfolharam-se as rosas em todos os jardins iniciando o enredo das chuvas sobre as casas. Estávamos no mês em que os crisânt...
42 comentários:
10.11.10

Pode ser um grito

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Gleb Garanich Às vezes nascem do silêncio os dedos do medo, com anéis de falso ouro oxidado pelo brilho do olhar de quem pressente um luto ...
42 comentários:
3.11.10

Em seara alheia

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30. procura o curso da água se te acercares do rosto da cidade. todos os homens beijarão as tuas preces à medida que sobrevives ao ventre do...
35 comentários:
27.10.10

A velha nespereira

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Ana Pires Em contraluz, a velha nespereira tem um perfil de vigília. Quem dela se aproxima pode ver os múltiplos ângulos do dia explodindo ...
42 comentários:
21.10.10

Habito a deriva dos labirintos

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Paul Strand Habito a deriva dos labirintos, com vontade de ser cativa de uma presença, de um nome, de um aceno. Sou um peregrino. Recorto n...
45 comentários:
14.10.10

Esperou pela mais baixa maré

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Friedrich Seguindo a linha sinuosa do horizonte, ele estudou o lento esvoaçar dos pássaros circunscrevendo o mar. Esperou pela mais baixa m...
36 comentários:
6.10.10

O ofício das mãos

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Vermeer O ofício das mãos não se intimida com a apressada cadência do tempo. Não tem fim o silencioso enleio que se esconde por entre a arg...
46 comentários:
29.9.10

Em seara alheia

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Sentaram-se na areia e descalçaram os sapatos. Puseram-se a contar pelos dedos os barcos que faltariam para chegar o verão. Nenhum deles fa...
33 comentários:
22.9.10

Sou habitante da cidade

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Gérard Castello Lopes Sou habitante da cidade, como os pombos que esvoaçam a esperança de lés a lés. Sou habitante da cidade, como todos os...
49 comentários:
15.9.10

Faço do pensamento a muralha de um cais

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Monet Sempre foram fortuitas as palavras na génese da utopia. Eu sei. O exílio existe num quarto vazio de abraços, quando a agonia p...
52 comentários:
9.9.10

Memórias de Dulcineia XIX

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Ana Pires Morreste sem alarido. De que morte? me pergunto. Descentrado no tempo, rasgavas o silêncio dos caminhos que te perseguiam. A...
49 comentários:
1.9.10

À procura das fontes

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Manuel Fazenda Lourenço Ela abria as mãos sobre as pedras e ouvia o som da água na margem das encostas. Conhecia o voo dos pássa...
40 comentários:
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