Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

21.6.07

Para tornar legível a emoção

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Édouard Boubat Agora, que uma luz difusa me fascina retenho a idade em que não ousava fazer do coração um lugar de conflito. Escoa-se, ...
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20.6.07

A cor do entardecer

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Manuel Fazenda Lourenço Planto urzes brancas em redor do caminho. No começo do verão, será tão intensa a cor do entardecer, que os ...
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15.6.07

Repara

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Para o meu filho Pedro Senta-te perto de mim, meu filho Não tenho a tua idade. Eu sei. Também já tive tanta pressa de desafiar o ven...
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14.6.07

Quem sabe

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As ruas têm anjos escuros, ocultos na expressão das mulheres com ancas de fogo. Quem sabe, a tristeza seja o rumo dos sonhos, pesando sob...
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12.6.07

Vieram os pássaros

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Bates Littlehales Vieram os pássaros, como um poema, em louca cavalgada por paredes de luz. Eu ouvi um tumulto de asas. Ou era a minha ...
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11.6.07

Em seara alheia

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OPUS 133 Escreveu-me cartas. Enviou-me uma roldana de ferro daquelas que se usam para tirar água dos poços. Enrolou-lhe um po...
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10.6.07

Os meus olhos doendo nos dela

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Balthus Sem pressa, formulo a urgência de sombras inquietas na neblina do olhar, como se recuperasse um tempo tão decisivo como a infân...
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6.6.07

Vamos falar de poesia

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A fascinação pela poesia tem sido, até hoje, uma das constantes da situação humana. Seria, contudo, um erro supor por detrás d...
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5.6.07

Uma ilha escondida na memória

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Ansel Adams Rodeada de mar, convoco o límpido diálogo dos abismos, para gritar, com Ulisses, o desejo de ser livre e mortal. Havia , as...
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4.6.07

Em seara alheia

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Antigamente havia sempre aquela música tu sabes. Era a música feita à beira da seara o cântico da sede e das ceifeiras. E nosso era o dire...
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3.6.07

Era o tempo das colheitas

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Manuel Alvarez Bravo Era o tempo das colheitas. Coroada de silvas, uma mulher dançava, nua, no meio do trigo. Tão líquida, a luz, contor...
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2.6.07

Conjugar afectos

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Menez Regresso ao modo e ao tempo de conjugar afectos por instinto. Distorço a forma, do lado controverso dos fonemas e não me excluo ...
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31.5.07

Crianças

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Gotthard Schuh Mansamente aprendendo o tempo, têm o espanto no rosto e querem saber as sílabas encantadas, o som dos barcos, os ninhos,...
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30.5.07

O coração não tem margens

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Robert Adams Como se todas as coisas fossem possíveis, mesmo o milagre de vozes solidárias e cúmplices na teimosia de quem acredita na ...
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29.5.07

Vem comigo

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Robert Doisneau Empurro, com gestos clandestinos, o intervalo existente entre mim e a sombra das tuas mãos. Diz-me palavras insensa...
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28.5.07

Em seara alheia

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era apenas um retrato que um fotógrafo de ocasião nos tirou e tinha a história de não ter história nenhuma (já li uma frase assim n...
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27.5.07

Para aprender a voar

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Raul Touzon Para aprender a voar nos bastava o começo e o fim de uma linguagem pessoal, em que as mãos, impacientes, despissem ...
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25.5.07

O colo côncavo de afectos

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Antecipo o sobressalto de um estio antigo. Vislumbro uma casa para agasalhar a infância. As paredes repletas de lembranças. A mãe : o ...
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24.5.07

No meio das palavras

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Luciana Abait Quando, nos lábios, começa um continente, suspenso no apelo líquido dos beijos, há um barco que cresce nos meus olhos e, e...
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23.5.07

Meme (*)

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Cartier-Bresson A felicidade é um projecto de inconformismo. Fernando Savater Este desafio foi-me colocado pela Menina Marota...
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22.5.07

Pelo interior do mito

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Duncan C. Clark Os veleiros aproximam-se dos portos pelo interior do mito. Um perfume nocturno, impregnado de limos, devolve-me as pal...
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21.5.07

Em seara alheia

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t urvam-se os olhos no amor como se turvam na morte há uma luz que treme e que se apaga rendida à sensação mais forte ama-se morre-se tão ...
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20.5.07

Apenas um momento

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Quando a véspera do mais prolongado sossego me fere a solidão da infância quero um momento, apenas um momento, para que o excesso de luz a...
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16.5.07

Tão plural como o silêncio

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Amedeo Modigliani Jejuei sob o nome das coisas desejadas, com a boca presa aos resíduos do medo na secura dos olhos. Herdei a nomenclatu...
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15.5.07

A noite é a sombra de um pássaro

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Duncan C. Clark A noite é a sombra de um pássaro que procura o mar em voo raso. Às vezes, rasga as margens do pudor, em erótica incursão...
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14.5.07

Livro de poesia

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13.5.07

Uma história com ondas e marés

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Na concha mais débil se adivinha uma história com ondas e marés, quando a sombra de um mar perturba a cor dos olhos e pov...
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10.5.07

Como silenciar as mãos?

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André Kertész Perturbada pelo desacato das emoções, utilizo um roteiro de artifícios para simular, em cada madrugada, a cumplicidad...
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9.5.07

A curva de um rio

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Pascal Renoux Sem pressa, os braços desenham o mais liso gesto para exilar abraços. Cavo, então, no peito uma nascente para que o deser...
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8.5.07

Aquela rosa branca

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Escuta estes cânticos de maio a espreitar a cidade e traz-me, outra vez, aquela rosa branca desenhada nos teus ombros, para que eu a exi...
3 comentários:
7.5.07

Em seara alheia

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E la levantou o joelho direito por entre as tuas coxas escreveu-te a boca com o húmido sal da manhã como se fosse uma deusa inesperad...
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6.5.07

Quando maio chegou contigo

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Para a minha filha Ana Isabel Queres saber o quê, minha filha ? É que não encontro respostas para as tuas questões. Uma mãe não hesi...
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5.5.07

A mãe

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Balthus Adivinhar, no teu rosto, o rio da infância e deslizar, em deslumbradas canoas, pelo sal dos teus olhos. Afaga os meus cabelos, ...
7 comentários:
4.5.07

O nomadismo dos afectos

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Donna Geissler Articulo-me nas convenções quotidianas. Nota-se, no meu andar, o nomadismo dos afectos. Dédalo construíu o labiri...
2 comentários:
3.5.07

Vamos falar de poesia

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Não podemos saltar por cima da nossa própria sombra. Poderá fazê-lo a poesia? George Steiner In Gramáticas da Criação .Li...
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2.5.07

Exausta de esperar

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Exausta de esperar, descanso o olhar na silhueta de veleiros pintados de negro. Depois, desenho, em minha insónia, um pássaro, que me sob...
4 comentários:
1.5.07

Ninguém me viu

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Alfredo Cunha Ninguém me viu mas, na multidão, era indelével o meu vulto atento à vida como um sonho aceso e no meu rosto havia uma band...
5 comentários:
30.4.07

Em seara alheia

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PENÉLOPE, MEIO DIA Está na cozinha, a sopa ao lume, os pratos na mesa, talheres para dois, como se ele viesse. Hoje. Ele não volta, anda e...
29.4.07

De múltiplas cores

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Encosto a cara às quimeras da infância, para exorcizar a inocência perdida e rodopiar, sobre os sonhos, a valsa solitária da criança que ...
4 comentários:
26.4.07

A luz mais que perfeita

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Richard Nowicki De pés tumultuados, caminhas pelo anoitecer, com os lábios viciados de algas azuis. Uma velhice súbita lateja sobre os ...
4 comentários:
25.4.07

Incendiando o trigo

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Steve Thoms Tinha chegado o tempo em que era possível ser livre. Souberem-no as palavras. E os pássaros. O voo das gaivotas motivou o ...
5 comentários:
24.4.07

As minhas mãos se dão

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Aqui, onde o coração reclama uma pátria melhor, volto ao lugar das palavras que nunca calei, por saber que o silêncio se articula na er...
6 comentários:
23.4.07

Em seara alheia

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LIBERDADE – Liberdade, que estais no céu... Rezava o padre nosso que sabia A pedir-te, humildemente, O pão de cada dia...
2 comentários:
22.4.07

O corpo do texto

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Migdalia Arellano Em movimento, o manequim desfila a saga fonética de um tema contraditório. Como dizer as jóias e as sedas de um diálo...
3 comentários:
21.4.07

Insisto num rosto efémero

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Modigliani Do outro lado do disfarce, insisto num rosto efémero. A que punhal ou perigo me insinuo? Sou o encontro adiado, neste pre...
2 comentários:
20.4.07

A quietude de um abraço

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Antonio Canova Há falsos profetas a levante do destino. É preciso fechar por dentro as águas furtadas da sorte. Emparedar os passos. N...
3 comentários:
19.4.07

O primeiro sinal da tua ausência

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Edward Hopper Rasgo, nos pulsos, a veia onde guardei o primeiro sinal da tua ausência. Esvaio-me em sangue, ou em raiva, co...
2 comentários:
18.4.07

Por dentro dos desejos

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Chip Forelli O entardecer tem ilhas no centro da noite. O barulho da água cobre de música a subtileza dos sentimentos. De ponta a ponta...
4 comentários:
17.4.07

A cor controversa dos teus olhos

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Manuel Fazenda Lourenço Para o Afonso, meu neto Não sei se a rotina do criador ignorou, por instantes, os limites da eternidade e ord...
6 comentários:
16.4.07

Em seara alheia

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Coração Polar 1. Não sei de que cor são os navios quando naufragam no meio dos teus braços sei que há um corpo nunca encontrado algures no...
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