Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

28.12.08

Mãesagem

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É possível que as arestas das montanhas se arredondem de paixão pelo brilho da seiva, quando a manhã se acende. É possível que revoadas de...
59 comentários:
19.12.08

Em seara alheia

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O Natal Fotografia de Gisela Ramos Rosa: António Ramos Rosa a desenhar, Novembro de 2008 O campo que desdobro e rodopio é um corpo ...
77 comentários:
12.12.08

Por onde se volta à infância

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Inês Gonçalves Que cilada flutua sobre a espuma da língua enrolada em vocábulos? Com que voz se rompe o centro da desordem, para de...
53 comentários:
8.12.08

Memórias de Dulcineia X

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Degas De tão longe me tocaste. Ou foi a tua sombra que dançou na minha sombra? Podia ser de júbilo a linha do teu rosto quando soletras...
39 comentários:
3.12.08

Da tua ausência

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Rachel Giese Voltarei sempre às paisagens da tua sombra enfeitada de madressilvas. Gravarei o teu nome em todas as árvores, sem marg...
46 comentários:
30.11.08

Em seara alheia

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UM POEMA Não tenhas medo, ouve: É um poema. Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lava...
37 comentários:
26.11.08

O lugar interior

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Mark Rothko Queria descrever, ao pormenor, o lugar interior onde o poema recomeça o seu esboço de contornos invisíveis, rodeando os pul...
47 comentários:
22.11.08

A casa

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A minha irmã a trouxe: a foto da casa onde nasci, como se fora uma gaivota de névoa. Agora, a casa respira a meias com o longe que nos sep...
43 comentários:
17.11.08

Por dentro da noite

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Magritte As mulheres, de passo travado de amargura, espreitam no escuro uma emoção perdida. Na sua frente, a noite resolve ...
47 comentários:
13.11.08

Regresso

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Claude Simon Sacodes do corpo a poeira do exílio. Os destroços de uma agonia, duplamente perigosa, incharam-te nos pés. Vem. Dir-te-ei o qu...
38 comentários:
10.11.08

Memórias de Dulcineia IX

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Darlene Shiels Há crisântemos ao longo das estradas. Um chão orvalhado rebenta-me nos olhos. Eu sei: não há lembrança que o tempo não ...
35 comentários:
6.11.08

Em seara alheia

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DERAM-ME O NOME Deram-me o nome da mãe da avó e de outras ancestrais que não conheci a avó fez jus ao nome e de Andaluzia onde foi menina tr...
30 comentários:
3.11.08

Irremediavelmente

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Alfredo Cunha Talvez não valha a pena amarfanhar palavras para fugir do medo. A vida não é um jogo. É uma espécie de nudez, onde se per...
43 comentários:
30.10.08

Quem me disse?

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Marco Somoni Encostada às paredes interditas do futuro, vou desenhando as memórias do caos em que me escrevo, neste cansaço de pedr...
42 comentários:
27.10.08

Inventar nascentes

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Cartier-Bresson A minha profissão era inventar nascentes. Eu nada sabia da ressonância das ondas, até que fiz dos sonhos um alibi e arri...
41 comentários:
26.10.08

PRÉMIO

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Este prémio foi uma gentileza das Amigas e Amigos de: À beira de água ; ao longe os barcos de flores ; As mãos por dentro do corpo ; Linha d...
10 comentários:
23.10.08

Memórias de Dulcineia VIII

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Balthus Repito as palavras. Lentamente as pronuncio. Tão límpidas que me dói dizê-las: Ela batalha em mim e vence em mim e eu vivo e res...
35 comentários:
20.10.08

Em seara alheia

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tinha a sopa a arrefecer e a mãe chamava. tremiam-me as pernas no complicado anseio de saber se ela estava. já não me lembrava do nome. rosa...
34 comentários:
16.10.08

Sabor a romãs

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Manuel Fazenda Lourenço Fico à entrada do outono cativa de hábitos estivais. A palidez do sol arde nos beijos dos adolescentes e tem um...
43 comentários:
13.10.08

Alguns apontamentos

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Paul Strand Antes que a memória me apanhe desprevenida, tomo alguns apontamentos de lavoura: os cestos de vime escondem os sobressalto...
40 comentários:
9.10.08

É possível

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António Carneiro É possível que já não haja pássaros a esvoaçar em torno das palavras com que calei o desespero das manhãs quando tinha...
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6.10.08

A cidade

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André Kertész A cidade designa-se pelo desassossego impregnado de histórias errantes. Multidão anónima, individual, insondável. Geograf...
32 comentários:
2.10.08

Em seara alheia

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ARCANO As altíssimas torres foram trespassadas por pássaros alucinados. Um deus ofendido pelos povos terem inventado os dicionários, para f...
29 comentários:
29.9.08

Memórias de Dulcineia VII

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Goya Quero que me devolvam o meu riso. Inocente ou perverso, pertence-me. Ouço-o, ainda, pela infância fora quando ecoa na remota memór...
40 comentários:
25.9.08

À míngua de um abraço

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Henri Cartier-Bresson Como por aqui se afirma os rouxinóis saltitam de árvore em árvore com medo da morte dissimulada nos ramos das fig...
36 comentários:
22.9.08

Reencontro com o Outono

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Gérard Castello Lopes Reencontro-me com o estado primitivo do outono e deixo-me seduzir pelo paradoxal destino das gaivotas. Dentro...
35 comentários:
18.9.08

Apesar da sede

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Picasso Tudo podia ser mais simples. Mas a infância fica tão longe e os espelhos começaram a gritar-me uma inocência que deixou de ser m...
33 comentários:
15.9.08

Em nome do teu nome

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Alvarez Bravo Em nome do teu nome, invoco o sul do silêncio e arrimo o corpo ao vagar dos teus dedos. Depois, deixo que me invadas, p...
41 comentários:
12.9.08

Em seara alheia

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Não sei como dizer-te que a minha voz te procura e a atenção começa a florir, quando sucede a noite esplêndida e vasta. Não sei o que ...
20 comentários:
8.9.08

Memórias de Dulcineia VI

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Não vislumbro qualquer sinal de enleio nos meus ombros. Ao longe envelhecem, em mim, as planícies cobertas de giestas. E lembro ...
35 comentários:
5.9.08

Nenhum tumulto

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Rachel Giese Nenhum tumulto denuncia a hesitação das mãos colhendo os frutos. Apenas o restolhar das folhas no extremo do estio, chora, em ...
30 comentários:
2.9.08

Penélope

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A pouco e pouco, aloja-se-me no coração a cicatriz da espera. Alheio-me da minha cronologia porque o passado se tornou permanente. C aminho ...
28 comentários:
29.8.08

Neles me reconheço

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Menez Quando identifico os passos dos que vagueiam sem endereço e neles me reconheço entendo por que há aves que cegam com a transparência ...
29 comentários:
26.8.08

Em seara alheia

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Precisava de falar-te ao ouvido De manter sobre a rodilha do silêncio A escrita. Precisava dos teus joelhos. Da tua porta aberta. Da indigên...
26 comentários:
22.8.08

Ariadne

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Ariadne nada sabia da morte. Quis ter a eterna idade das águas. Naxos foi o exílio onde levou aos olhos a curva do luto. Sobre as rochas d...
25 comentários:
18.8.08

Poema de amor

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Manuel Fazenda Lourenço Enquanto os meus passos procuram nos teus a ressonância da alegria e ambos reconhecemos a luz fascinada do ol...
49 comentários:
14.8.08

Na data prevista

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Maurício Abreu Na data prevista, agosto arde e nem sequer uma sombra indaga a desolação da terra nos montados. Os pássaros trancam o ve...
23 comentários:
11.8.08

Memórias de Dulcineia V

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Alvarez Bravo Ponho nestas memórias a íntima clandestinidade dos amantes. Hei-de dizer o nome de quantas aves se perderam por roçarem ...
23 comentários:
7.8.08

Se viesse do mar

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Maicar Förlag Se viesse do mar o silêncio transparente desta mágoa, eu podia desenhar um barco para fugir, ou esperar que a maré levasse...
32 comentários:
4.8.08

Em seara alheia

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Franz von Suppe: Poeta e Camponês A jovem camponesa que faz versos. Não os passa ao papel porque não sabe escrever, mas diz que os preserva ...
23 comentários:
30.7.08

Do lado do rio

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Carlos Botelho Escrevo trovas no vértice de uma dança. Sulco toadas, verso a verso, no eixo dos meus pés. A manhã começa do lado do rio....
40 comentários:
25.7.08

Memórias de Dulcineia IV

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Vermeer Indecisa, seguro entre as mãos a carta que um dia recebi: sem remetente, sem data, sem perfume. Com uma haste de fogo a queimar-...
25 comentários:
21.7.08

O mais secreto brilho do verão

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Rachel Giese Acordei assustada: tinha cortado os pulsos para matar a sede. Agora que a sede sangra nos meus lábios, devoro, gota a gota...
30 comentários:
16.7.08

Memórias de Dulcineia III

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Quando fui ao teu encontro levei no decote um rebento de alecrim para que me avistasses pelo aroma. Graça Pires De Uma extens...
26 comentários:
12.7.08

Em seara alheia

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Nau de sonho Quase roçando a areia, tão beijada pelas ondas do mar, serenamente, à luz avermelhada e fulva do poente, eu paro... passa a min...
15 comentários:
7.7.08

Um rio nasce perto dos lábios

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Edouard Boubat Um rio nasce perto dos lábios de quem improvisa a sede, ou sabe usar as mãos para colher as primeiras amoras do verão. ...
23 comentários:
3.7.08

Retrato improvisado

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Picasso Por dentro da tua voz, posso adivinhar a cidade longínqua que te perturba o rosto. Vieste de todos os lugares onde as emoções s...
25 comentários:
30.6.08

Em seara alheia

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QUE FORMALISMO? De lamber as palavras como se rasas de silêncio elas fingissem e não se trucidassem contra o vento e não voassem fundo e nã...
16 comentários:
26.6.08

É um verso

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Claude Monet É um verso, toda a luz filtrada pelo olhar, quando me surge, das mãos, um barco desvairado. Vozes longínqu...
32 comentários:
22.6.08

Memórias de Dulcineia II

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Daniel Garber Ninguém imagina por quantos lugares a noite me encontrou em retirada. Comecei a ler romances de cavalaria para não temer o...
28 comentários:
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