Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

20.1.10

ATÉ SEMPRE, MÃE

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Até sempre, Mãe Mãe Mãe: Que desgraça na vida aconteceu, Que ficaste insensível e gelada? Que todo o teu perfil se endur...
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14.1.10

Em seara alheia

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INDOLOR Quando eu tiver As mãos doridas De tanto escrever Invento uma forma Indolor E escrevo Na parte de dentro Das folhas Onde não magoa O...
32 comentários:
7.1.10

O rumo das palavras

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D'Ângelo No fim da tarde, apenas é incerto o rumo das palavras. Divago entre verbos uma intriga qualquer cruzando hipótese...
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30.12.09

A passagem do tempo

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Manuel Alvarez Bravo Dantes a passagem do tempo deixava-se adivinhar no contorno imperfeito das pedras que pisamos. Os antigos conheci...
51 comentários:
18.12.09

NATAL

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Michelangelo NATAL Leio o teu nome Na página da noite: Menino Deus... E fico a meditar No milagre dobrado De ser Deus e menino. Em Deus não...
61 comentários:
12.12.09

Memórias de Dulcineia XVII

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Claire Rydell Porque os sentidos se furtam a qualquer ausência sei que nunca me aconteceu a tua morte. Teus gestos recordo. Teu nome c...
38 comentários:
5.12.09

Em seara alheia

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É DAS FONTES QUE FALO! Falo das casas de rosto contente virado para o mar, da procura apaixonada das conchas raras abandonadas na vazante, ...
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28.11.09

As flores tardias de maio

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Obrigada, Maria Clarinda Aqui, olhando as pessoas ao acaso, vêm-me à lembrança aqueles dias em que os nossos olhos se ajustavam e tu ...
44 comentários:
22.11.09

Nada sei

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Claude Simon Nada sei da sedução da morte nos olhos dos pássaros atingidos pelo trilho dos incêndios no interior das searas. Não sei que...
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7.11.09

Dois Convites

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Para os que moram na Figueira da Foz, ou por perto: Dia 12 de Novembro de 2009, às 18 horas, na Biblioteca Pública Municipal Para os...
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1.11.09

Em sinal de luto

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Ansel Adams Conto, pelos dedos, o tempo de entardecer cansaços. Um negativo de lembranças, compulsivamente recortadas no coração, transfo...
47 comentários:
24.10.09

Todos os sinais do rosto

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Dorothea Lange Pelo vértice dos abismos posso espreitar o fulgor inventado da sombra que me precede. Todos os sinais do rosto se ...
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17.10.09

Outono: lugar frágil

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Edouard Boubat Acendo as mãos para aquecer o olhar de quem atravessa apressadamente o outono. Um morno ruído desdobra o voo quebrado d...
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7.10.09

Em seara alheia

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Fábula da Fábula Era uma vez Uma fábula famosa, Alimentícia E moralizadora, Que, em verso e prosa, Toda a gente Inteligente Prudente E sabed...
37 comentários:
1.10.09

Por meio do fascínio

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Os deuses reuniam-se de noite. Debruçavam-se sobre os bosques para sacralizar as árvores, debaixo das quais os tocadores de lira enca...
49 comentários:
24.9.09

Onde o outono aquece

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Ana Pires Aqui, na fenda da rotina onde o outono aquece vou desenhar a sede, lentamente. Já não falo de nós, peregrinos das rotas q...
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18.9.09

Um silêncio obsessivo

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Marthe Há um deserto adiado no interior das papoilas desdobradas sobre o movimento dos dedos. Aqui é a passagem para um silênci...
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10.9.09

Memórias de Dulcineia XVI

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António Quadros Como calar a incoerente voz do pensamento para encontrar as palavras com que me invento? Demasiado cedo me soube irmã d...
53 comentários:
3.9.09

Em seara alheia

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A prontidão das sombras resume Um simples corpo e resvala sinuosa. Sei que recordo tudo em certos momentos. Recordo-te até como se te chamas...
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27.8.09

Agosto

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D'Ângelo Recorta-se um agosto lento na mutação da página em branco onde conjugo o verbo amar. A inquietude enrosca-se no texto e con...
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20.8.09

Itinerário do silêncio

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Ana Pires À espera de um momento de luz retorno, sem hesitar, ao itinerário secreto do silêncio e cultivo a solidão multiplicando as s...
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13.8.09

Fuga

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Harry Callahan Pinto na janela a tormenta de um mar imaginado. De costas para a lua preparo a minha fuga. Enrolo à volta do corpo a pri...
56 comentários:
5.8.09

Reconheço-me

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Dorothea Lange Reconheço-me em todas as paisagens anunciadas pelos profetas, ou pelos mágicos, fascinada com o impulso que me faz arris...
36 comentários:
28.7.09

Em seara alheia

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a primeira vez que tive vinte anos esperavas por mim naquele café com nome de porto grego que faz a Grécia no meio do bairro alto...
48 comentários:
21.7.09

Um estranho signo

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Carlos Gutierrez Pelo lado mais intranquilo da luz, há vozes alheias que me inquietam as mãos. Um estranho signo risca-me no ventre a f...
47 comentários:
14.7.09

Não sei por que motivo

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Walker Evans Às vezes não sei por que motivo afogo o olhar em trágicos silêncios. Para encontrar a luz me bastava enfrentar a noite, por...
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3.7.09

A mais clara palavra

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Manuel Fazenda Lourenço A mais clara palavra lança a sua sombra sobre os muros caiados de fresco. O reflexo da cal incide em nossos ol...
54 comentários:
27.6.09

Perto do Tejo

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Mais perto do Tejo, há palavras que tocam o sossego dos lábios para dizer o sul da mágoa, no voo convergente das gaivotas, quando os ...
42 comentários:
21.6.09

Em seara alheia

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Anjo Acreditei num anjo que vivia no parapeito granítico do quarto. Não tinha altura, a única medida eram as asas abertas como as das borbol...
36 comentários:
14.6.09

Memórias de Dulcineia XV

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Todos me falam de ti com palavras ambíguas. Fui, eu sei, uma suspeita de luz em teu olhar. Virados a levante, os meus cabelos eram labare...
49 comentários:
7.6.09

Não abdico da luz

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A janela : fotografia de Gisela Ramos Rosa Por detrás do olhar, só a escultura das palavras, no hálito profano das manhãs, me pertur...
51 comentários:
31.5.09

Outras crianças

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Claude Simon Começa na rua o seu desamparado destino. Têm, na certidão de idade, os anos mais convenientes, para quem as inicia na dr...
54 comentários:
25.5.09

Em seara alheia

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Máscaras ah! o imenso da possibilidade. quantas rotas em tormentas? quantas máscaras desejadas? sucumbes à pressão...
43 comentários:
18.5.09

A múltipla sombra

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Hoje soletro, no meu nome, as sombras do passado. Cito-me imitando um pássaro de luz bebendo a própria sombra para não morrer de can...
65 comentários:
11.5.09

Memórias de Dulcineia XIV

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Menez Na penumbra me perco. Surpreendida. Impaciente. Como se uma reprimida dança movesse o mais insólito enredo nos meus passos. Deito-...
57 comentários:
4.5.09

Em seara alheia

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QUE DIZER Que dizer do tempo hesitante de um poema ou da forma magoada de o escrever, que dizer da voz decidida do Poeta ou do modo alterado...
41 comentários:
28.4.09

Desempregados

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Dorothea Lange Sabem de cor a raiva extenuada com que se repete: trabalho, pão, trabalho, pão, trabalho, pão . Nos seus olhos já não há...
66 comentários:
20.4.09

LEMBRAR ABRIL

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AS PALAVRAS DO MEU CANTO Palavras que não morrem. Nunca morrem se um homem as disser sempre de frente. Palavras que ...
52 comentários:
13.4.09

Enredos de fim de tarde

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Manuel Fazenda Lourenço À revelia de pretéritas lembranças, um bafo de terra molhada devolve-me enredos de fins de tarde que me su...
65 comentários:
6.4.09

Na proa dos barcos

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Na proa dos barcos reconhecemos os ventos tropicais. Um cais torna-nos marinheiros de um destino sem remorsos. Ninguém põe em causa a pe...
48 comentários:
30.3.09

Em seara alheia

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O passado dói como a dureza do mundo João Rui de Sousa Tenho saudades da tua voz, desse rendilhado de sílabas a desaguar lento no alvoroço ...
51 comentários:
23.3.09

Houve noites

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Alvarez Bravo Houve noites em que sonhei que o sol incendiava as pedras que eu pisava. Ou eram os meus pés que ateavam o fogo? À espera...
62 comentários:
16.3.09

No ângulo da escrita

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Magritte Contadas pelos dedos, as sílabas parecem irrelevantes no poema. Não fora a insuspeitada orgia com que as letras se misturam e o...
57 comentários:
8.3.09

Mulheres

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Gérard Castello Lopes Ao som de canções de amiga, revêem a geografia dos sonhos na madeixa verde, que escorre pelos seus cabelos, quand...
64 comentários:
2.3.09

Em seara alheia

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Na esquina da tarde pintei a barraca da feira dos teus olhos, depois ali fiquei, feliz, no gosto da obra consumada… Ah, pudesse eu prender-t...
38 comentários:
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