Ortografia do olhar

Seleccionar o ângulo de um rosto, sem lhe macular a luz, como se, a meia voz, pudéssemos reter os múltiplos reflexos do júbilo e das mágoas.

24.9.09

Onde o outono aquece

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Ana Pires Aqui, na fenda da rotina onde o outono aquece vou desenhar a sede, lentamente. Já não falo de nós, peregrinos das rotas q...
55 comentários:
18.9.09

Um silêncio obsessivo

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Marthe Há um deserto adiado no interior das papoilas desdobradas sobre o movimento dos dedos. Aqui é a passagem para um silênci...
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10.9.09

Memórias de Dulcineia XVI

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António Quadros Como calar a incoerente voz do pensamento para encontrar as palavras com que me invento? Demasiado cedo me soube irmã d...
53 comentários:
3.9.09

Em seara alheia

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A prontidão das sombras resume Um simples corpo e resvala sinuosa. Sei que recordo tudo em certos momentos. Recordo-te até como se te chamas...
39 comentários:
27.8.09

Agosto

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D'Ângelo Recorta-se um agosto lento na mutação da página em branco onde conjugo o verbo amar. A inquietude enrosca-se no texto e con...
45 comentários:
20.8.09

Itinerário do silêncio

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Ana Pires À espera de um momento de luz retorno, sem hesitar, ao itinerário secreto do silêncio e cultivo a solidão multiplicando as s...
47 comentários:
13.8.09

Fuga

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Harry Callahan Pinto na janela a tormenta de um mar imaginado. De costas para a lua preparo a minha fuga. Enrolo à volta do corpo a pri...
56 comentários:
5.8.09

Reconheço-me

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Dorothea Lange Reconheço-me em todas as paisagens anunciadas pelos profetas, ou pelos mágicos, fascinada com o impulso que me faz arris...
36 comentários:
28.7.09

Em seara alheia

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a primeira vez que tive vinte anos esperavas por mim naquele café com nome de porto grego que faz a Grécia no meio do bairro alto...
48 comentários:
21.7.09

Um estranho signo

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Carlos Gutierrez Pelo lado mais intranquilo da luz, há vozes alheias que me inquietam as mãos. Um estranho signo risca-me no ventre a f...
47 comentários:
14.7.09

Não sei por que motivo

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Walker Evans Às vezes não sei por que motivo afogo o olhar em trágicos silêncios. Para encontrar a luz me bastava enfrentar a noite, por...
47 comentários:
3.7.09

A mais clara palavra

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Manuel Fazenda Lourenço A mais clara palavra lança a sua sombra sobre os muros caiados de fresco. O reflexo da cal incide em nossos ol...
54 comentários:
27.6.09

Perto do Tejo

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Mais perto do Tejo, há palavras que tocam o sossego dos lábios para dizer o sul da mágoa, no voo convergente das gaivotas, quando os ...
42 comentários:
21.6.09

Em seara alheia

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Anjo Acreditei num anjo que vivia no parapeito granítico do quarto. Não tinha altura, a única medida eram as asas abertas como as das borbol...
36 comentários:
14.6.09

Memórias de Dulcineia XV

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Todos me falam de ti com palavras ambíguas. Fui, eu sei, uma suspeita de luz em teu olhar. Virados a levante, os meus cabelos eram labare...
49 comentários:
7.6.09

Não abdico da luz

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A janela : fotografia de Gisela Ramos Rosa Por detrás do olhar, só a escultura das palavras, no hálito profano das manhãs, me pertur...
51 comentários:
31.5.09

Outras crianças

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Claude Simon Começa na rua o seu desamparado destino. Têm, na certidão de idade, os anos mais convenientes, para quem as inicia na dr...
54 comentários:
25.5.09

Em seara alheia

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Máscaras ah! o imenso da possibilidade. quantas rotas em tormentas? quantas máscaras desejadas? sucumbes à pressão...
43 comentários:
18.5.09

A múltipla sombra

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Hoje soletro, no meu nome, as sombras do passado. Cito-me imitando um pássaro de luz bebendo a própria sombra para não morrer de can...
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11.5.09

Memórias de Dulcineia XIV

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Menez Na penumbra me perco. Surpreendida. Impaciente. Como se uma reprimida dança movesse o mais insólito enredo nos meus passos. Deito-...
57 comentários:
4.5.09

Em seara alheia

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QUE DIZER Que dizer do tempo hesitante de um poema ou da forma magoada de o escrever, que dizer da voz decidida do Poeta ou do modo alterado...
41 comentários:
28.4.09

Desempregados

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Dorothea Lange Sabem de cor a raiva extenuada com que se repete: trabalho, pão, trabalho, pão, trabalho, pão . Nos seus olhos já não há...
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20.4.09

LEMBRAR ABRIL

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AS PALAVRAS DO MEU CANTO Palavras que não morrem. Nunca morrem se um homem as disser sempre de frente. Palavras que ...
52 comentários:
13.4.09

Enredos de fim de tarde

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Manuel Fazenda Lourenço À revelia de pretéritas lembranças, um bafo de terra molhada devolve-me enredos de fins de tarde que me su...
65 comentários:
6.4.09

Na proa dos barcos

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Na proa dos barcos reconhecemos os ventos tropicais. Um cais torna-nos marinheiros de um destino sem remorsos. Ninguém põe em causa a pe...
48 comentários:
30.3.09

Em seara alheia

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O passado dói como a dureza do mundo João Rui de Sousa Tenho saudades da tua voz, desse rendilhado de sílabas a desaguar lento no alvoroço ...
51 comentários:
23.3.09

Houve noites

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Alvarez Bravo Houve noites em que sonhei que o sol incendiava as pedras que eu pisava. Ou eram os meus pés que ateavam o fogo? À espera...
62 comentários:
16.3.09

No ângulo da escrita

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Magritte Contadas pelos dedos, as sílabas parecem irrelevantes no poema. Não fora a insuspeitada orgia com que as letras se misturam e o...
57 comentários:
8.3.09

Mulheres

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Gérard Castello Lopes Ao som de canções de amiga, revêem a geografia dos sonhos na madeixa verde, que escorre pelos seus cabelos, quand...
64 comentários:
2.3.09

Em seara alheia

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Na esquina da tarde pintei a barraca da feira dos teus olhos, depois ali fiquei, feliz, no gosto da obra consumada… Ah, pudesse eu prender-t...
38 comentários:
23.2.09

Memórias de Dulcineia XIII

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Menez Sem medo do perfil em que me invento procuro os ângulos menos sombrios do passado. Viro os gestos do avesso. Deturpo conceitos e ...
57 comentários:
17.2.09

Perto do meu corpo

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D'Angelo Conheço um rio sem destino, confluência de mágoas e de sonhos, onde os barcos navegam para o sul. Perto do meu corpo nada ...
55 comentários:
13.2.09

Para atravessar a noite

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David Gray Percorro, passo a passo, os sulcos dos migradores de sonhos. Reaprendo o ritual dos presságios para atravessar a noite, deslu...
50 comentários:
9.2.09

A primeira palavra

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André Durand Sob o domínio de Minos, habitei o fortificado castelo de Knossos, onde as mulheres alternavam, em si próprias, as múl...
41 comentários:
6.2.09

Em seara alheia

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NATUREZA QUASE Eram mulheres à volta duma mesa. Teciam conversas com linhas da voz. Os olhos desviavam insectos verde...
30 comentários:
2.2.09

Nocturno

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Magritte À noite vou por aí, ociosamente. Percorro um ritual lilás feito de violetas de pedra e traço cada pausa no retorno ...
51 comentários:
29.1.09

Memórias de Dulcineia XII

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Claude Simon Anoto nas paredes o eco de teus passos, mensageiro do mais remoto assombro em que te sei. Graça Pires De Uma extensa man...
51 comentários:
24.1.09

Em fuga

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Gregory Lanq Somos agora quase tudo no desconcerto da cidade que nos proibe de ver crescer as flores e constrói grades sobre ...
48 comentários:
21.1.09

Da chuva

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Edouard Boubat No contorno das pedras, se imagina a impaciência das águas no inverno, quando a terra se encharca do lamento dos ventos. ...
54 comentários:
16.1.09

Em seara alheia

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UMA CASA EM PEDRA Uma casa em pedra é um lugar onde se fabricam os utensílios mais fraternos, talvez o lugar próprio para descobrir a noss...
38 comentários:
12.1.09

Memórias de Dulcineia XI

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André Kertész Com as árvores e com as águas partilho os meus pensamentos. Manuseio estas palavras como se fossem minhas para as usar co...
47 comentários:
7.1.09

A guerra

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A morte vem em todos os jornais. É a razão de ser das reportagens. Morre-se porque se ousa carregar na pele a marca de diferentes etnias...
51 comentários:
2.1.09

Os pássaros

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David Valle Junto ao pelourinho da cidade as gaivotas convivem com as pombas. Que aventuras permutam entre si, quando as manhãs de janei...
47 comentários:
28.12.08

Mãesagem

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É possível que as arestas das montanhas se arredondem de paixão pelo brilho da seiva, quando a manhã se acende. É possível que revoadas de...
59 comentários:
19.12.08

Em seara alheia

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O Natal Fotografia de Gisela Ramos Rosa: António Ramos Rosa a desenhar, Novembro de 2008 O campo que desdobro e rodopio é um corpo ...
77 comentários:
12.12.08

Por onde se volta à infância

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Inês Gonçalves Que cilada flutua sobre a espuma da língua enrolada em vocábulos? Com que voz se rompe o centro da desordem, para de...
53 comentários:
8.12.08

Memórias de Dulcineia X

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Degas De tão longe me tocaste. Ou foi a tua sombra que dançou na minha sombra? Podia ser de júbilo a linha do teu rosto quando soletras...
39 comentários:
3.12.08

Da tua ausência

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Rachel Giese Voltarei sempre às paisagens da tua sombra enfeitada de madressilvas. Gravarei o teu nome em todas as árvores, sem marg...
46 comentários:
30.11.08

Em seara alheia

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UM POEMA Não tenhas medo, ouve: É um poema. Um misto de oração e de feitiço... Sem qualquer compromisso, Ouve-o atentamente, De coração lava...
37 comentários:
26.11.08

O lugar interior

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Mark Rothko Queria descrever, ao pormenor, o lugar interior onde o poema recomeça o seu esboço de contornos invisíveis, rodeando os pul...
47 comentários:
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