Amedeo Modigliani
Abri
de par em par as portadas das janelas
para
deixar passar a luz deste alvorar ao sul.
Trago
no sangue o suco da fruta
a
provocar a língua, de outras águas
recordada
e o sabor acetinado das romãs.
Trago
na pele o veludo dos pêssegos
arredondados na mão antes da boca
e
a previsão rigorosa das manhãs claras.
Em
volta dos meus ombros sobrevoam
abelhas
invisíveis atraídas pela brancura
da
blusa, ou pelo lago azul do meu olhar,
onde
flutua o pólen da tristeza.
Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, p. 40





















