No primeiro luar de outono,
alterei o penteado e risquei,
em todos os mapas do mundo,
caminhos interiores.
O mais comum dos peregrinos
cruzou comigo o olhar vadio,
como quem partilha a água e a sede,
o pão e a raiva, a fome e o sangue.
Num lugar de mágoas e cansaços
te encontrei, companheira de sonhos.
Gastaste as mãos nos ardis da entrega
e percorreste os trilhos da coragem,
resgatando a noite.
Às vezes, murmurámos, entre nós,
coisas do silêncio, denunciadas pelo olhar
e dissemos: não há mais nada a fazer senão amar.
Apesar de tudo. Apesar de nada.
Graça Pires
De Reino da lua, 2002
em todos os mapas do mundo,
caminhos interiores.
O mais comum dos peregrinos
cruzou comigo o olhar vadio,
como quem partilha a água e a sede,
o pão e a raiva, a fome e o sangue.
Num lugar de mágoas e cansaços
te encontrei, companheira de sonhos.
Gastaste as mãos nos ardis da entrega
e percorreste os trilhos da coragem,
resgatando a noite.
Às vezes, murmurámos, entre nós,
coisas do silêncio, denunciadas pelo olhar
e dissemos: não há mais nada a fazer senão amar.
Apesar de tudo. Apesar de nada.
Graça Pires
De Reino da lua, 2002

















































