De um longo tempo nos cabelos do mar,
E assumimos assim a composta melancolia,
Em novelos de luz tão tocada, pedal azul.
Vai lento como aquele insólito gigante
Pedra grande, sentado na vigilância dos dias
E o corpo em segredo, fantasia de continuar.
Interrogamos a comissura dessas ilhas
De que nos falaram em distantes rigores,
A madeira do soneto, tão lento o navio.
Tu dizes vou e não faz o mar que aqui havia
Acaba o mês, os dias todos na pressa do brilho
Sei baixinho aquele verso de que gostavas
Para temporadas de silêncio, o teu peito.
Hugo Milhanas Machado
In: Estrela Tambor. Fafe: Labirinto, 2020, p. 36






























