16.7.26

Em seara alheia

                           





Multidão

Tantos são os rostos que atravessam
esta rua rasgada de cansaços.
Tantos e tão esmagados pelo cimento
das paredes anónimas que impotentes
contemplam este vazio sobrelotado.
Tantos são os rostos que são levados
por essa pressa inútil de chegar à morte
mais cedo. Tantos são os rostos à espera
das lágrimas adiadas nos espelhos de quartos
inanimados. Tantos os peitos espartilhados
na geometria triste desta rua, 
rasgada de cansaços.

Virgínia do Carmo
In: Um corte leve na polpa dos dedos, Lisboa, 2026, p. 40


40 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Amiga Graça, bom dia de Paz!
Tantos são os rostos que divulgam boa poesia... você é especial em seara alheia.
Tenha dias abençoados!
Beijinhos fraternos

chica disse...

Linda poesia escolhida e o anonimato das ruas é grande e a corrida para nem se sabe para onde e o porquê...

beijos, chica

Duarte disse...

Grandes verdades, que mesmo em verso, entristecem. Grande poema.
Abraço

Rogério G.V. Pereira disse...

Tantas são as mãos fechadas
esperando tarefas há muito adiadas
neste Mundo, tão carente
de gestos, de tanta, tanta gente...

Ler Virginia sempre me inspira.

Beijo de fã

Emília Simões disse...

Boa tarde Graça,
A Virgínia é uma grande Poeta!
Gostei imenso deste poema que partilhou.
Beijinhos, minha Amiga e Enorme Poeta
Continuação de boa semana.
Emília

Luiz Gomes disse...

Boa noite minha querida amiga e poeta Graça. Parabéns pelo lindo poema. Uma excelente noite de quinta-feira, para você e todos os seus familiares em Portugal e um grande abraço do seu amigo carioca.

brancas nuvens negras disse...

Um poema da tragédia, a poesia também é isso.
Um abraço.

Toninho disse...

Nesta rua onde a pressa se faz presente, rostos não identificados isolados a espera pelo menos um bom dia, que lhe é negado. Uma bela colheita Graça para apresentação desta
sensivel poeta.
Feliz fim de semana iluminado.
Bjs de paz.

Daniela Silva disse...

Que poema tão intenso e tão atual. A repetição de "tantos são os rostos" transmite-nos a sensação de uma multidão onde, paradoxalmente, tantas pessoas vivem na solidão. Gostei muito da reflexão sobre o ritmo apressado da vida e da forma como nos convida a olhar para quem passa por nós com mais humanidade.

**Beijinho na alma,**
**Daniela Silva | Alma Leve** 🌿

carlos perrotti disse...

Gran poema. Felicita a la Poeta autora, amiga Graça. Muito obrigado por difundir una voz tan personal y potente.
Abrazo até lá!!

Fá menor disse...

Tantos!
Poesia dolorida que nos aperta o coração.
Grata por nos mostrar.
Beijinhos

bea disse...

Hoje vi este poema nos subúrbios de Lisboa. Tal qual como é descrito.
Um abraço, Graça

J.P. Alexander disse...

Me gusto el poema. Te mando un beso y ten un buen fin de semana.

Tais Luso de Carvalho disse...

Olá, querida Graça, gostei muito deste poema,
profundo e muitas verdades! Excelente poeta!
Aplaudo daqui, querida amiga!
Obrigada pela bela partilha.
Deixo um beijinho de paz, e muita saúde.

Marta Vinhais disse...

Tantas histórias escritas na rua e pessoas esquecidas pelo tempo...
Brilhante....
Beijos e abraços
Marta

Daniel André disse...

Graça, há poemas que apenas lemos, e há aqueles que nos fazem parar no meio da própria pressa. Este recorte da
Virgínia do Carmo
transforma a rua em espelho da nossa humanidade cansada e, ao mesmo tempo, tão cheia de silêncios. Sua escolha de partilhar esses versos nos convida a olhar com mais ternura para os rostos que passam ao nosso lado todos os dias. Saio da leitura com a sensação de que a poesia ainda é uma forma delicada de resgatar o que o cotidiano insiste em esmagar.

Abraços fraternos
Daniel

Os olhares da Gracinha! disse...

Ainda não o tinha lido! 👏👏👏😘

Lucinalva disse...

Bom dia, Graça
Poema reflexivo. Em meio à multidão, é possível perceber a solidão e o isolamento do ser humano, que vive com tanta pressa. Bjs, querida.

Cidália Ferreira disse...

Adorei!
Fantástico. Obrigada pela partilha
Beijinhos

Bom fim -de semana

Cesar disse...

A vida na Metrópole é triste e fria como o concreto cinza.
Te deixo um abraço.

São disse...

Muito boa escolha, Graça!

Amiga, saúde e beijinho de bom fim de semana :)

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Poema soberbo, oportuno e realista. Retratando de uma forma fantástica, a realidade do nosso dia a dia.
Excelente partilha.

Deixo os votos de um bom fim de semana!
Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Maria Rodrigues disse...

Tanta solidão e lágrimas correm pelas ruas anónimas do mundo.
Profundo e sentido poema.
Excelente escolha.
Beijos

Pedro Luso de Carvalho disse...

Olá, amiga Graça, foi muito bom conhecer
o poema e a poeta Virgínia do Carmo.
Um belo poema!
Votos de um feliz domingo.
Beijo, amiga.

Juvenal Nunes disse...

A multidão é uma mole imensa que segue a um ritmo obrigado por uma pressa inútil.
Bom domingo.
Abraço de amizade.
Juvenal Nunes

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema que vim cá conhecer.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Jaime Portela disse...

A Gina é uma poetisa notável.
Mas perdi-a, não sei onde é que ela publica atualmente.
Deve andar atarefada com a editora...
Boa semana minha amiga.
Um beijo.

Jornalista Douglas Melo disse...

Querida amiga Graça,
Um poema "sentido" que você compartilhou aqui.
Tenha uma semana suave! 🌹_(ヅ)_/¯¯

Eduardo Medeiros disse...

Também andamos por lá, por tal rua dos cansaços.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde Amiga Graça
Um poema de uma força silenciosa, onde cada verso nos faz sentir o peso da solidão no meio da multidão.
A repetição dos rostos acentua a desumanização da vida moderna, enquanto a sensibilidade poética da Virgínia (a nossa Gina) transforma uma rua comum num espelho da condição humana.
Belo e profundamente reflexivo.
Uma escolha muito boa.
Semana abençoada com saúde e paz.
Deixo um beijo.
:)

lis disse...

A medida que lemos vamos pensando tantos tantos e quantos somos todos !
As ruas corroídas pelo desmando , rostos desconhecidos ,vamos nos apoderando do belo que há no vento que balança as árvores e no sol que é para todos.
Obrigada pela bonita escolha Graça, te abraço desejando dias bons.

Alécio Souza disse...

Querida Graça,
Um poema reflexivo sobre a sociedade e o quanto nos tornamos reféns de um modelo opressor, fazendo tudo no automático e parecendo máquinas, porém se esquecendo de viver a vida! Bela partilha minha amiga!
Um beijo!

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Passando por aqui, para desejar uma boa semana com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://porsiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

alberto bertow marabello disse...

Molto bella e molto intensa. Davvero mi chiedo perché stiamo qui ad aspettare invece si cominciare a ricolorare il nostro mondo. Ciao amica Poetisa, grazie di averci fatto conoscere questa bella poesia.
Buona settimana.
Um beijo

Klaudia Zuberska disse...

Another fantastic piece. You have a great talent for writing and putting emotion into words.

She disse...

Olá, querida, passando para visitar seu cantinho e conferir as novidades, belo post reflexivo.
Beijo, beijo.
She

Olinda Melo disse...

Espartilhados entre paredes vamos seguindo a estrada
sem nos concentrarmos nas encruzilhadas.
Um poema que nos desperta para tantos e tantos rostos
que encontramos e que nem sempre reconhecemos.
Beijinhos, amiga Graça.
Olinda

Carlos augusto pereyra martinez disse...

Hay calles cuyo designio es ñ tragedia cuando no la muerte. Un abrazo. Carlos

Larissa Pereira dos Santos disse...

Lindo poema
Amei estar aqui
Seu cantinho é encantador
Abraços

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana com tudo de bom.
Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

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https://soltaastuaspalavras.blogspot.com