1.8.26

Um sul imaginado

 



De tanto caminhar
perdi o norte.
Aprendi a amar
um sul imaginado
no excesso da luz
quase sísmica
de tão límpida.
Perdi-me na geografia
dos lugares onde era meu
o barro dos sonhos.
Voltarei ao norte quando decifrar
a marca de meus pés
na velhice dos caminhos.

Graça Pires
De Talvez haja amoras maduras à entrada da noite, 2015, p. 26

26 comentários:

Marta Vinhais disse...

Por vezes, perdemos-nos... pensamos ter esquecido o caminho...Mas é apenas um interregno para crescer no espaço, no tempo...
Beijos e abraços
Marta

Roselia Bezerra disse...

Amiga graça, bom sábado de Paz!
Que poema mais lindo!
Caminhei pelo barro com você pelas linhas da sua poesia.
Adorei...
Tenha um final de semana abençoado!
Beijinhos fraternos

Mário Margaride disse...

Olá, amiga Graça.
Muitas vezes nos perdemos pelo caminho. São os passos cansados da vida, que nos enganam e desnorteiam. No entanto, a memória não se esquece facilmente, e de novo encontramos o caminho certo.

Gostei bastante, estimada amiga.

Deixo os votos de um bom fim de semana.
Beijinhos, com carinho e amizade.

Mário Margaride

http://poesiaaquiesta.blogspot.com
https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

Luiz Gomes disse...

Boa tarde minha querida amiga Graça. A vista do Mirante do Pedrão é maravilhosa. Eu conheço, um caminho e espero nunca, sair dele. Obrigado pela linda poesia. Uma excelente tarde de sábado, para você e todos os seus familiares em Portugal, bom final de semana e um grande abraço do seu amigo carioca.

chica disse...

O bom é que ainda que nos percamos no rumo, reencontramos o rumo!
Lindo! beijos, chica

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
Very nice these wonderful words.
Great with that nostalgic picture. Very nice!!

Many greetings,
Marco

Lucinalva disse...

Boa tarde, Graça
Que o caminho seja encontrado na travessia da vida. As marcas dos pés nos remetem às experiências vividas, carregadas de tempo, aprendizado e memória. Um forte abraço.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

Boa tarde Amiga Graça Pires
Um poema de grande delicadeza, onde a caminhada se transforma numa viagem interior. A perda do norte não representa apenas desorientação, mas também a descoberta de um sul sonhado, iluminado pela esperança e pela intensidade da vida.
Gostei particularmente da imagem da "marca de meus pés na velhice dos caminhos", que sugere maturidade, memória e a procura de um lugar onde finalmente nos reconhecemos.
Um belo poema, rico em simbolismo e que convida à reflexão.
Se lesse em algum local este poema sem estar assinado, diria logo que era da Graça, porque tem um cunho pessoal da sua escrita.
Tenha um bom fim de semana com paz e saúde.
Deixo um beijo.
:)

bea disse...

Quando a Graça volte ao norte eu voltarei ao nada. Entretanto, fui-me deixando pelos caminhos sem outra marca que ajudar a gastá-los.
Os humanos do meu sul nascem naufragados sem mar ou barco que se aviste.
Gosto em lê-la, Graça. A poeta da blogosfera.
Um abraço

Emília Simões disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo que sugere talvez, que a luz de alguns lugares, por vezes, é já muito intensa para o nosso olhar!
Luz que não impede de retomarmos os rumos que julgávamos esquecidos, mas que se mantêm bem firmes nos passos de regresso às origens.
Gosto sempre muito de a ler.
Um grande beijinho, minha Amiga e Enorme Poeta.
Tenha um fim de semana muito abençoado.
Emília

brancas nuvens negras disse...

A verdade é que deixamos qualquer coisa de nós em alguns lugares.
Bom domingo.
Um abraço.

Cesar disse...

Tenho uma história toda particular com o Sul, ´pois nasci numa cidade do extremo´sul do meu Estado e moro, atualmente, num bairro da zona sul de Porto Alegre.
Talvez por isso o poema tenha me soado tão íntimo.
Te desejo boa semana.

baili disse...

sorry dear Grace for being late to read your beautiful poetry ,my loss totally believe me !
this is such a deep ,liberating and beautiful poem ,very relatable to me as i am away from my native land and it exits in my imagination larger than life 🥹
your poem has depth and power to send me to my beloved place immediately :)
have blessed day each!!!

ManuelFL disse...

Como escreveu António Machado «o caminho faz-se caminhando».
É o que a seu modo o poema nos diz, na procura do lugar sonhado.
Beijinhos

A.S. disse...

Voltei!... Depois de lançado o meu livro e ter gozado umas pequenas férias.
cá estou visitando os meus amigos, agradecendo as palavras gentis que me deixaram.
Grato pelo carinho Amiga Graça. O livro está a ser um êxito!
Ler a sua Poesia é sempre um doce fascínio. Tantas vezes perdemos o norte na agrura dos caminhos...
Votos de um bom domingo.
um beijo.

Rajani Rehana disse...

Beautiful blog

Rajani Rehana disse...

Please read my post

Fá menor disse...

Muito belo!
É tão normal perder-se o norte, quando nos embrenhamos demais em geografias que nos confundem!...

Beijinhos, amiga Graça! Boa semana!

Tais Luso de Carvalho disse...

Que lindo, querida Graça! Mas a vida é assim, caminhamos por
linhas um tanto tortas ou desconhecidas, mas depois encontramos o caminho certo.
Amei esse seu belo poema, minha amiga!
Um lindo domingo e uma excelente semana.
Beijinhos, querida.

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema.
Isabel Sá
Brilhos da Moda

Eduardo Medeiros disse...

Lindo poema!
Estamos a descobrir geografias.

Maria Rodrigues disse...

Tantas vezes me sinto perdida na geografia dos lugares.
Um poema sublime!
Beijos

Os olhares da Gracinha! disse...

Por vezes perdemos o norte e é sempre bom encontrar! Nesse perder há descobertas incríveis! Bom Agosto 👏😘

Olinda Melo disse...

Querida Graça
Um poema belíssimo nos trouxe.
Uma viagem rumo ao Norte à procura do Santo Graal.
Que os pés não se magoem demasiado e possam regressar ao ponto de partida.
Beijinhos
Olinda

J.P. Alexander disse...

Profundo y melancólico poema. Te mando un beso.

Toninho disse...

Lindo este caminhar para dentro do nosso mais intimo profundo ser.
Reencontrar os passos nos caminhos sinuosos.
Belo trabalho da poesia neste livro que gostaria de ter.
Bjs e paz Graça e feliz semana de bom agosto.