Manuel Fazenda Lourenço
Ela abria as mãos sobre as pedras e ouvia
o som da água na margem das encostas.
Conhecia o voo dos pássaros aninhados
na trepadeira da latada e o reflexo da luz
escondida na chuva das manhãs.
Lavrara o campo, eito a eito,
com o corpo aguçado de paixão.
Um dia, ao acordar, sentiu que as nascentes
lhe mirravam no rosto.
Por toda a parte as fendas da sede sulcavam o chão.
Nunca mais foi vista.
Enlouquecida anda de terra em terra
o som da água na margem das encostas.
Conhecia o voo dos pássaros aninhados
na trepadeira da latada e o reflexo da luz
escondida na chuva das manhãs.
Lavrara o campo, eito a eito,
com o corpo aguçado de paixão.
Um dia, ao acordar, sentiu que as nascentes
lhe mirravam no rosto.
Por toda a parte as fendas da sede sulcavam o chão.
Nunca mais foi vista.
Enlouquecida anda de terra em terra
à procura das fontes,
com um punhado de lama enrolado em cada pulso.
Graça Pires
De Saudade: revista de poesia, nº 12, Jun 2010. Organ. de Amadeu Baptista
com um punhado de lama enrolado em cada pulso.
Graça Pires
De Saudade: revista de poesia, nº 12, Jun 2010. Organ. de Amadeu Baptista







































