1.11.09

Em sinal de luto

Ansel Adams

Conto, pelos dedos, o tempo de entardecer
cansaços. Um negativo de lembranças,
compulsivamente recortadas no coração,
transforma a brisa em rostos familiares.
Crava-se-me, na pele, um sangue-frio
de mortes solitárias e estremece-me
o corpo em sinal de luto. A noite cheira
a despojos de velhos monólogos.


Graça Pires
De Uma certa forma de errância, 2003

48 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Hoje é negativo de lembranças positivas
Ausências prsentes pétalas com resquícios imaginados de cheiros,
Afagos ainda, acenos, marcas nas rochas dos rios profundos da memória...

viernes disse...

toda lembrança é um velho monólogo de nós própios... É difícil voltar a ouvir as vozes doutro tempo...
Belo poema,

beijos!

Cleo disse...

A morte sempre é solitária.
Beijos.
Cleo

Pena disse...

Linda Poetiza Amiga:
Mais uma "explosão" sensível de poesia, agora sobre a aclamação e vivência da morte.
Quem não perdeu já familiares que tanta falta fazem?
Adorável. Profundo poema de significação pertinente.
Temos, inevitavelmente, de "conviver" com ela.
Beijinhos amigos de respeito imenso.

pena

d'Angelo disse...

O que dizer de uma poesia que "transforma a brisa em rostos familiares"? Belos acordes de nostalgia, mais a elegância habitual de suas palavras, Graça.

maré disse...

mãos que escrevem os lugares de onde se parte
em viagens que secam o coração.
a noite chega depois e é uma casa de silêncio
onde cabe a absoluta solidão das vozes.


_______

UM BEIJO IMENSO GRAÇA

Marta disse...

Porque há sempre sinais de luto....
Ausências, mágoas e silêncios prolongados...
Boa escolha como sempre num dia muito chuvoso e muito triste...
Beijos e abraços
Marta

© Piedade Araújo Sol disse...

lembranças tristes, que ficam para sempre gravadas, em nós.

uma boa semana.

um beij

mariabesuga disse...

sessenta anos da imagem às palavras são o tempo preciso para que uma faça nas outras a plenitude dos sentidos...

memória... luto... tristeza... morte... cansaço...

há dias em que as palavras se reúnem aquelas a que se sentem mais iguais...

beijinho Graça
sempre o bom gosto a imperar por este espaço.
Apeteço-te uma boa semana.

Úrsula Avner disse...

Oi Graça, belo poema lírico que traz facetas de melancolia e nostalgia adoravelmente versejadas. Bj com carinho e obrigada por sua amável presença em meu blog.

cs disse...

mesmo depois de lutos feitos, memórias em tons de sépia, umas vezes esbatidos outras tão nitídos que o tanto tempo foi ainda agora.

Gosto de passar por aqui:))

Luis Eme disse...

sim, também vivemos um tempo de mortes solitárias(e de vidas)..

abraço Graça

hfm disse...

Da cadência, do olhar, da interioridade.

Déia disse...

Uau.. que forte...sombrio...
Lindo, parabens!

Hoje falo sobre mulheres, no blog q fui convidada, Adoraria te ver por lá!

bjs

http://aceuabertodaboca.blogspot.com/

susana disse...

Esta altura traz-nos sempre uma lembrança negativa que invade nosso coração...

Beijinho e uma boa semana
Susana

A Magia da Noite disse...

os lamentos são murmúrios de outros tempos, outras vidas perdida no silêncio de uma morte.

Huma Senhora disse...

O cheiro da noite qua às vezes tanto nos inspira.

De Amor e de Terra disse...

Amiga,
cravou-se-me na pele a beleza triste e nostalgica das tuas palavras, porque GOSTEI MUITO e porque acordaram em mim recordações d'antanho!
Beijo
Maria Mamede

teresa p. disse...

"...Crava-se-me, na pele, um sangue-frio de mortes solitárias..."

Triste, mas profundamente belo!
A fotografia está de acordo com o poema...
Beijo.

isabel mendes ferreira disse...

a noite cheira ao sumo da nostalgia. expressa assim como flor ou espinho.



dolorosamente BOM!




abraço.A.

Gisela Rosa disse...

Um abraço do fundo do coração Graça!
Lindo poema!

manuela baptista disse...

Poderá não ser solitária, a morte?

Ou a solidão fica apenas aqui deste lado junto de nós?

Tocante poema
em sinal de luto.

Um abraço

Manuela Baptista

Véu de Maya disse...

a morte tão solitária nesta sua leveza poética...não outra forma de triunfar sobre ela...
beijinho,

Véu de Maya

Ailime disse...

"Em sinal de luto" lemos a nossa alma ferida pela ausência dos que amámos e já patiram.
Grata por esta brilhante forma de os recordar.
Um beijinho.

Mara faturi disse...

"A noite cheira
a despojos de velhos monólogos"..
que belíssima imagem; daqui de dentro de minha madrugada solitária, posso sentir seu cheiro...
grande bjo!

Mofina disse...

Em sinal de luto e a lutar pela vida....

Bjs

Jaime A. disse...

Um luto,
assim mesmo,
despojado
no estremecimento,
no entardecer das memórias...

heretico disse...

"A noite cheira
a despojos de velhos monólogos..."

dies irae!...

beijo

Argos disse...

Graça

É só para deixar um abraço.

JPD disse...

Na perspctiva mais exaltada, a noite seria a rainha das ilusões.

Neste brilhante poema, a noite é tratada com peso lúgrube, antecedido de tempo de entardecer cansaços... a vitalidade que se vai esvaindo...

Sonia Schmorantz disse...

Belíssimo, como tudo que escreves...
Um abraço

Fernando Campanella disse...

... a noite cheira a despojos de velhos monólogos...

'mais no mundo me vivo
mais no comando de sombras
me esmero

Deus conceda que me baste
este último apelo de náufrago:
e metáfora, pétala incorpórea
com que me visto.'
(Fernando Campanella)

Belíssimo teu poema, minha querida amiga. Bjos.

maria m. disse...

mesmo no dizer das lembranças tristes, dos lutos, da solidão que resta, é bela a tua poesia, Graça.

beijo grande.

segredo disse...

A data leva nos a recordar os k ja partiram com uma saudade especial num dia especial...
Beijinho de lua*.*

avlisjota disse...

" um negativo de lembranças, compulsivamente recortadas no coração, transforma a brisa em rostos familiares."

Que posso mais dizer se o poema já me disse tudo!

Beijos Graça

José

São disse...

Vem totalmente a propósito e ao encontro do meu actual estado de esp+írito este teu poema...

Um abraço grande.

Nilson Barcelli disse...

Há noites assim, mais pelo resultado acumulado dos dias que nos percorrem salpicados de mortes (incluindo os de entardecer, onde todos os contornos vão sendo cada vêz mais nítidos), do que pela própria noite, que é certa e incontornável.
Querida amiga, escreveste mais um fabuloso poema.
Desejo-te um óptimo fim de semana.
Beijos.

Virgínia do Carmo disse...

Muito belo, ainda que doído, este sentir...
Foi a minha primeira passagem por aqui, mas sinto que voltarei...

Beijinho

Adriana Karnal disse...

tens razão...algumas noites são um luto cherando a mofo...

Silvana Nunes .'. disse...

Navegando sem ruma com a intenção de divulgar o meu blog, cheguei até você e gostei do que vi, tanto que pretendo voltar mais vezes. No momento estou impedida de fazer leituras muito extensas, pois a claridade da tela do computador está prejudicando um pouco a minha visão, devo tomar cuidado. Em breve resolverei esse problema. Bem, já que estou aqui aproveito para convidar a conhecer FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
Eu como professora e pesquisadora acredito num mundo melhor através do exercício da leitura e enauqnto eu existir, vou lutar para que os meus ideiais não se percam.
Se gostar da minha proposta, siga-me.
Por hoje fico por aqui, Espero nos tornarmos bons amigos.
Que a PAZ e o BEM te acompanhem sempre.
Saudações Florestais !

Lou Vilela disse...

Belo e comovente! Sua escrita encanta!

Beijos

Hercília Fernandes disse...

"A noite cheira
a despojos de velhos monólogos".

Belo fechamento para um poema grandioso, Graça.

Sua poesia é linda, de uma verdade que emociona e a todos enobrece.

Perdoe-me a ausência dos últimos dias, não sei apreciar poesia sem estar com o coração aberto para a emoção estética. O poeta merece nosso sentir verdadeiro, sobretudo sua obra que contém essa essência de verdade capaz de fundar linguagens e reinos.

Enorme abraço,
Hercília.

Laura disse...

O pensar, o escrever, é um monólogo... pelo menos para mim.
Gostei deste cinzento nas palavras...

Daniel Hiver disse...

Eu sei dessas noites estranhas e solitárias que cheiram
a despojos de antigos monólogos. Quantas noites dessas eu fiquei só em meu quarto... eu e a inquietação, a angústia; e a insônia.
Em meus monólogos que quem ouvisse me acharia um louco, eu fico ensaiando as coisas que vou dizer para o meu amor para me desculpar. Mas na hora do encontro eu sempre esqueço. Então os monólogos, quando muito, me ajudam a adormecer mais rápido e a tirar da frente dos olhos os meus medos reais.

maria m. disse...

mesmo quando escreves a trsiteza, a dor, é belo o que escreves.

bjos.

gabriela rocha martins disse...

um ler para dentro

exige.se


e saio ,deixando


.
um beijo

Marcelo Novaes disse...

Graça,




Texto extremamente sensível e delicado.

No mais, podemos ver na "comunidade dos mortos" nossa primeira "companhia de fundo": um coro por detrás de nossas cenas íntimas ou públicas.



Que não te soe "mórbido". Mas o texto também me suscitou isso.


Pelo meu ângulo, é até confortador...




Beijos,






Marcelo.

carlos disse...

Graça. O que sinto é uma passagem, que um dia teremos que a fazer...é uma sequência lógica da vida...tardá-la para uns é prazer, para outros é sofrimento...beijos. carlos