
Na esquina da tarde pintei
a barraca da feira dos teus olhos,
depois ali fiquei, feliz,
no gosto da obra consumada…
Ah, pudesse eu prender-te a limpidez que trazes
em delicados fios de ráfia e prata fina!
Pudesse eu lustrar-te o corpo e ferir o ar
com entusiásticos odores de limonete e rosas bravas!
Pudesse eu tecer-te essa terrível solidão
com êxtases e horizontes que só para ti inventaria!
Pudesse em tudo ousar para que fosses
arco dos teus olhos
que encostado a fontes múltiplas
ansiasse que eu pudesse.
Victor Oliveira Mateus aqui
In: Nas águas a luz suspensa. Lisboa: Minerva, 1998
a barraca da feira dos teus olhos,
depois ali fiquei, feliz,
no gosto da obra consumada…
Ah, pudesse eu prender-te a limpidez que trazes
em delicados fios de ráfia e prata fina!
Pudesse eu lustrar-te o corpo e ferir o ar
com entusiásticos odores de limonete e rosas bravas!
Pudesse eu tecer-te essa terrível solidão
com êxtases e horizontes que só para ti inventaria!
Pudesse em tudo ousar para que fosses
arco dos teus olhos
que encostado a fontes múltiplas
ansiasse que eu pudesse.
Victor Oliveira Mateus aqui
In: Nas águas a luz suspensa. Lisboa: Minerva, 1998















































