3.12.08

Da tua ausência

Rachel Giese

Voltarei sempre às paisagens da tua sombra
enfeitada de madressilvas.
Gravarei o teu nome em todas as árvores,
sem marginalizar as razões da tua ausência.
Cantarei palavras sem espessura,
como moinhos de vento,
ou o frágil sabor da chuva.
Dançarei contigo na periferia da manhã
e direi onde começa e acaba
o secreto destino do silêncio.


Graça Pires
De Conjugar afectos, 1997

47 comentários:

Paula Raposo disse...

E como eu sinto a ler-te...as palavras perfeitas no poema. Gostei. Beijos.

isabel mendes ferreira disse...

uma ausência "magnífica".



_____________que nunca sejas. mais do que o "poema".


belíssimo.


o meu abraço.

VFS disse...

"Dançarei contigo na periferia da manhã ... o secreto destino do silêncio."

a presença na ausência. Belo!

coração grande, Graça, coração grande.

Obrigado
Vicente

PiresF disse...

Ler-te é sempre um amanhecer a escorrer nos cabelos, um elo de almas que se encontram e se unem.
De uma cesta de palavras se fazem milagres.

Bem-hajas, prima…

Beijos.

Marinha de Allegue disse...

Ausencias que nos acompanhan sempren...

Apertas presentes Graça
:)

hfm disse...

Como gostei deste "secreto destino do silêncio"

Luis Eme disse...

volta...

canta...

dança...

mas sobretudo, escreve e acaba com o secreto destino do silêncio.

abraço Graça (mais apertado por causa do frio...)

maria carvalhosa disse...

Perfeito, Graça. Tão belo que, sobre o poema, não consigo dizer-te nada. Limito-me a transpô-lo para o multiply para deleite de outros.
Beijos.

fred disse...

Muito bom, Graça.
Beijos

Vieira Calado disse...

Belo, belíssimo, como sempre!

Beijinhos

Jaime A. disse...

O caminhar a dois, a partilha do maravilhoso, a decisão e a liberdade.
Favor continuar!! Tenho adorado.
Um abraço

Eduardo Aleixo disse...

Tão acetinado, de finas linhas desenhadas, quadro de cores diáfanas, lápis escrevendo delicado na seiva dos arbustos o segredo do silêncio.
Tão suave e triste sem o ser, letras de seda.
Beijo.
EA

soledade disse...

A fotografia é tão bonita, a chuva, os círculos, um reflexo de... madressilva? lembra uma filigrana. As ausências também são por vezes filigranas, lembranças que se tecem, gestos antigos: "Gravarei o teu nome em todas as árvores". Em todas. Esse é um gesto - um ritual da ausência e da memória - em que me revejo.
Um beijo, uma boa noite

Gisela Ramos Rosa disse...

Maravilha Graça, Maravilha!

"na periferia da manhã"...um belíssimo poema!


Gisela Ramos Rosa

Teresa Durães disse...

um lindo modo de expressar a ausência

maré disse...

"o secreto destino do silêncio"

na espessura

irrevelada da palavra

quase nua
a dar-se
ao abraço.
.
.

________

deslumbrante

a tua, sempre.

beijo, caloroso.

Peter Pan disse...

Linda Amiga:
"...Dançarei contigo na periferia da manhã
e direi onde começa e acaba
o secreto destino do silêncio..."

O que escreve é ouro puro. Lindo.
Fiquei boquiaberto e pasmado com tanto encanto.
Sempre a apreciar o que faz com delicia e ternura.
Emudecido pelo carinho que é só seu.
Beijinhos de respeito. Imensos!

peter pan

Admirável e genial, amiguinha.

teresa p. disse...

"Dançarei contigo na periferia da manhã /e direi onde começa e acaba o secreto destino do silêncio."

Lindo demais! Palavras e imagens perfeitas... mágicas!
Beijo.

Bandida disse...

tu sabes onde começa o silêncio...

belíssimo poema!!


um beijo

DE-PROPOSITO disse...

Dançarei contigo
-----------
Poderás dançar. Mas, a outra parte tem de aceitar. Sem isso nada feito. A não ser que dances, sózinha.
Fica bem.
Felicidades.
Manuel

Victor Oliveira Mateus disse...

Voltar às paisagens de uma sombra,
dizer onde principía e acaba o destino do silêncio... mas dizê-lo assim é transmutar a nostalgia e a memória em algo que se mastiga docemente, sem qualquer réstia de mágoa.
Um beijo, Graça.

O Profeta disse...

Tu és uma escritora...sente-se...


Doce beijo

d'Angelo disse...

A dança das suas palavras sempre será coroada de sol, Graça, pois você diz onde começa e acaba a poesia.

babel disse...

Se pudesse roubar-lhe a bela imagem, experimentava estes versos que não acabo nem sei como acabariam:

Era a "periferia da manhã"
e a cidade acordava lentamente.
Como podia dar-se ao amor dele
que a tornava em espuma alada e leve
se no metro voltava a ser a mesma
que...

Talvez fosse sobre uma empregada de shopping, talvez só aproveitasse os dois primeiros versos e partisse noutra direcção. Obrigado.

Um abraço

Hercília Fernandes disse...

Querida Graça Pires,

seu belo texto fez-me lembrar de um poema que escrevi há algum tempo. Peço-lhe licença para deixá-lo [registrado] aqui em seu espaço:


AMOR MAIOR (Aquarela)


Cantarei a esse amor
(sempre e quando)
Cantarei a ele, amor maior,
conspiração minha e desengano.


Cantarei nas tardes serenas
E nas águas turvas também.
Cantarei com extrema doçura
A esse amor que só vai e vem.


Cantarei se preciso for
Para ninar a dor e o silêncio
Não sufocar tamanho amor
Nem a tarde e o firmamento.


Cantarei sem que mereças
ou, mesmo, que me peças.
Cantarei para que não esqueças
A lua, a chama e a promessa.


Mas calarei quando preciso
(sem choro, sem vela)
Fragmentos do meu riso
Fina-flor-estampa na aquarela.

In: http://fernandeshercilia.blogspot.com/2007/03/amor-maior-aquarela.html

O poeta em seu eterno quefazer retorna sempre às origens das sensações. Canta, dança, movimenta-se "[...] na periferia da manhã". Revela a sua sofia, caminhando por "[...] onde começa e acaba o secreto destino do silêncio".

Lindos esses versos, grata por esses sopros de recordações.

Abraço sincero,
Hercília Fernandes (RN-Brasil).

São disse...

Dançarei contigo não só na periferia, mas no centro dos belos textos que amavelmente nos ofereces, Graça.
Um bom fim de semana.

maria m. disse...

poema de belíssimas imagens. a imagem é perfeita.

um beijo, Graça.

Licínia Quitério disse...

Um belo cântico no coração do silêncio. Tocante...

Um beijinho, Graça.

PreDatado disse...

É muito lindo. Dançar na periferia da manhã. :)

De Amor e de Terra disse...

Muito belas estas palavras Graça, muito belas mesmo!
Imagens poeticas lindas e outonais, com saudade à mistura; também senti!
Parabéns e beijos
Maria Mamede

© Piedade Araújo Sol disse...

que poema tão perfeito.

parabéns e mais uma vez obrigada pela partilha.

fica um beij

OlharMeu disse...

"Ontem" li - encontro.
Hoje leio - saudade.
"Amanhã" lerei - reencontro?!

Um beijo.

CNS disse...

A chuva da ausência.
Muito belo.

AnaMar disse...

Fiquei sem o que escrever, porque cada leitura que faço neste espaço, gostaria de ter sido a autora de todas as palavras bailantes e sedutoras que não sei compor...

Benó disse...

Um abraço, Graça. Que os moinhos de vento cantem sem cessar canções para nós ouvirmos.

Um bom fim de semana e óptima saúde.

Véu de Maya disse...

lindíssimo! Com a sua marca de sempre...

abraço

heretico disse...

grandioso poema. imagens de grande beleza e "espessura". como uma paleta de cores vibrantes.

gostei muito.

beijo

pin gente disse...

uma dança matinal com segredos ao ouvido.

beijo

viernes disse...

Faz-me lembrar esse poema uma canção de Mariza "chuva",sempre falamos da ausência sob uma chuva imprevista...
Um beijo

JPD disse...

E eu congartular-me-ei por ter lido um poema como este, lindíssmo!
Bjs

Ailime disse...

Um poema, pleno de talento, embora deixando transparecer a nostalgia de uma ausência sentida.
Um beijo em verde esperança.

partilha de silêncios disse...

Obrigada, por esta linda incursão ao encantamento.
um beijo

dona tela disse...

Desculpe, mas ando com pouca inspiração.

Bom dia para si.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Tão delicado, Graça, tão lindo.
Evoca delicadeza ao coração.
Tão bom te ler.
beijo no coração

Bia Pedrosa disse...

passear pelas suas palavras é deixar de sentir o chão!

mié disse...

Maravilhoso poema


...do que fica da ausência. Bela.


um beijo

enorme

Parapeito disse...

Gosto tanto de te ler...que já não deixo que sejas....ausencia *****