5.9.08

Nenhum tumulto

Rachel Giese
Nenhum tumulto denuncia a hesitação
das mãos colhendo os frutos.
Apenas o restolhar das folhas
no extremo do estio, chora,
em surdina, a privação do sumo
e da polpa, no bico dos pássaros.

De Quando as estevas entraram no poema, 2005

31 comentários:

Eduardo Aleixo disse...

Lindo, Graça. Bom fim de semana.
Bj.
Ea

mariavento disse...

Belíssima forma de anunciar o Outono.

d'Angelo disse...

Suas, e não desses pássaros, são as asas que nos fazem voar. E isso independe da estação. O jardim do Éden não nos deu frutos tão belos quanto os seus.

Alexandre Bonafim disse...

Querida Graça: POEMA LINDO!!!!!!!!!!!!!
Beijo.

Regina disse...

Acho que a vida recomeça com o cair das primeiras folhas.

Bjs e bom fim de semana

jorge vicente disse...

hesito perante o bico da pena
a caneta soletrando o frágil
caminhar - o outono dos poetas.

um abraço
jorge

teresa p. disse...

Linda esta forma poética de dizer adeus ao Verão.
Beijo.

Menina_marota disse...

Mas existe a esperança... a Natureza se renova... tal como os sentimentos e o nosso próprio sangue...

Beijinho, querida Poeta. Que tenha um óptimo fim de semana. ;)

Alfazema Azul disse...

As imagens e as palavras em sintonia perfeita. Um blog que não dispenso.
Ai a poesia! É linda, amiga!

Beijinhos

soledade disse...

Havíamos de fazer da colheita um acto sagrado, recordar o sentido do sacrifício. Talvez recordemos: as mãos hesitam, há tumulto contido, privação anunciada. Como em tudo na vida, quando colhemos o que semeámos, frutos inesperados. É um poema doce, a melancolia que o percorre não corta a doçura.

Bom fim-de-semana :-)

hfm disse...

...e deste verão feito outono cujo vento nos desarruma a pele e nos faz temer a rotina que se avizinha. Belo,

© Piedade Araújo Sol disse...

um belo poema a nos anunciar o outono.

sempre a boa poesia por aqui.

um beij

doisolhinhos disse...

O fim de um Verão, eventualmente desatinado.
Outono, estação de calmaria, de introspecção. Belas cores tem o Outono.
Um beijo.

irneh disse...

Olá

Como sempre os teus poemas transportam-nos a outra dimensão: a da verdadeira alma poética.

Bom fim de semana

O Profeta disse...

Onde acaba a terra e começa o Mar
Há um lugar onde vive a ilusão
Repousa na madrepérola das conchas
Com a forma de um coração

Onde as giestas se agarram à areia
Onde as pedras têm diadema de algas
Onde o Mar conta histórias longínquas
Onde as vagas soltam distantes mágoas


Bom fim de semana



Mágico beijo

Victor Oliveira Mateus disse...

A colheita dos frutos não deve ser feita de qualquer modo - daí talvez
a hesitação das mãos -, porque o nosso sem-jeito poderá privar de sumos e polpas os bicos dos pássa-
ros. Mas, por vezes, somos tão
desatentos, fazemos a colheita de modo tão desajeitado.
Um beijo, Graça.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Graça como sempre aqui estou para deixar o meu afeto e o meu aplauso por tamanho talento com as palavras.
Grande beijo

LM,paris disse...

Graça, é perfeito.
e se fosse passaro e ouvisse o seu poema, nas suas maos iria dizer-lhe ao seu ouvido que nao lhe queria mal...este apanhar o fruto, tirar o suco do seu bico, ele perdoava-a, certamente.
Beijo de Paris.
LM

São disse...

Nunca o Outono teve tão bonita recepção, Graça!
Beijinhos.

http://cinzasdecarvalho.zip.net disse...

Cirúrgico, Victor.
Mas há sempre a esperança da próxima colheita, em que o estio, em vez de chorar no "bico dos pássaros", dará lugar à abundância extrema e a um canto bem mais feliz.
Bj, Graça.
Bárbara Carvalho.
P.S. Já havia comentado esse "post"?

Pena disse...

Doce Amiga: Perfeito!
Como é agradável lê-la.
Todo o poema brilha.
Quando, ternamente, diz:
"Nenhum tumulto denuncia a hesitação
das mãos colhendo os frutos.
Apenas o restolhar das folhas
no extremo do estio, chora,
em surdina, a privação do sumo
e da polpa, no bico dos pássaros..."

Excelente poetisa. Fantástica, onde cintila o seu encanto e beleza de imenso significado.
Como já expressei e reforço: PERFEITO! Gostei imenso.
Beijinhos de amizade que a respeita e estima

pena

Ailime disse...

Um belo poema a anunciar o Outono!
A natureza também chora, quando apenas as folhas secas restam...mas em cada folha que cai, outra rebentará e dará novo fruto.
Um beijo.

JPD disse...

Simples, belo, perfeito, Graça.

Gostei

Bj

maria carvalhosa disse...

Tão belo, Graça!... Admiro tanto esta tua capacidade de, em poucas palavras, de uma forma contida, mas mais-que-perfeita, dizer dos sentimentos que te (me - nos) assaltam. No momento certo!
Beijos.

maria carvalhosa disse...

Minha querida Graça,

Dás-me autorização para que poste, devidamente identificados como sendo de tua autoria, como é óbvio, alguns dos teus poemas num outro espaço meu que não o thornlessrose, de maior abrangência em termos de visitantes de língua portuguesa, que não necessariamente portugueses (brasileiros, sobretudo), mas que, para sua desdita, desconhecem a tua magnífica poesia?

Sugiro que visites o meu sítio naquele lugar, antes de decidir se autorizas:

www.mariacarvalhosa.multiply.com

Antecipadamente grata, beijo-te com admiração e afecto.

De Amor e de Terra disse...

"Apenas um restolhar de folhas..."

e como por encanto, tudo se transforma
e as asas crescem, sempre que quiseremos, com o mesmo restolhar das folhas que neste equinocio calcamos.

Beijo

Maria Mamede

Bandida disse...

nenhum pássaro...

Paula Raposo disse...

As palavras numa cadência maravilhosa! A foto lindíssima! Beijos.

heretico disse...

colho teus poemas. como frutos silvestres. no bico dos pássaros. deslumbrados...

beijo

Parapeito disse...

nostalgico....belo...

******

maria m. disse...

assim como nenhum tumulto denuncia a sobriedade com que elaboras sempre os poemas mais belos.