8.9.08

Memórias de Dulcineia VI


Não vislumbro
qualquer sinal de enleio
nos meus ombros.
Ao longe envelhecem,
em mim, as planícies
cobertas de giestas.
E lembro os dias
em que ouvia falar
de um homem:
quase um peregrino,
quase um nómada,
quase um louco.
Um homem deambulando
no rumo dos animais bravios
que povoavam sua mente.
Uma vasta mancha de sonhos
me perturbou para sempre.


Graça Pires
De Uma extensa mancha de sonhos, 2008

36 comentários:

Paula Raposo disse...

Adorei este poema! Os sonhos que nos perturbam para sempre...beijos.

Alexandre Bonafim disse...

Belíssimo poema!!!!!!!!!!!!!! Nós nos perdemos na errância dessa personagem, para fazer de nosso destino viva poesia. Saudades.

Licínia Quitério disse...

Perturbação que me (nos) deu um belo livro.

Beijinho, Graça.

d'Angelo disse...

Deste lado do oceano, Drummond dizia "aprendi novas palavras/ e tornei outras mais belas". Você vivencia isso a cada frase, Graça. Digo com o coração que a sua poesia tocou-me para sempre.

JPD disse...

Olá Graça

São essas figuras desassombradas que acalentam os dias vindouros e desatam sonhos.

Mesmo que o contacto com elas afinal não corresponda ao imaginado, quem descansa enquanto ele não se der?

Bj

Sophiamar disse...

Os sonhos também perturbam.Mas deixar de sonhar é morrer.
Belo poema!

Beijinhos

Luis Eme disse...

ao longe,

há sempre uma vasta mancha de sonhos...

muitas vezes perturbantes...

abraço Graça

JOAO NORTE disse...

MUITO BONITO

LM,paris disse...

Estou de acordo com d'angelo, leio, volto e releio e encho-me com todas as palavras que doem ou que sao
balsamos...vejo tudo...
talvez dai a ortografia do olhar, magnifico titulo.
Beijinho e Paris Graça, lindo este poema.
merci,
LM

Pena disse...

Sensacional Amiga:
Vive de encanto e ternura os seus lindos versos encantados e muito ternos.
"...E lembro os dias
em que ouvia falar
de um homem:
quase um peregrino,
quase um nómada,
quase um louco.
Um homem deambulando
no rumo dos animais bravios
que povoavam sua mente..."

Um sonhador sem regras ou leis.
Espanta-me de beleza e ternura.
Às vezes, vivemos o sonho deles um pouco.
Sempre a admirar o seu génio poético incomparável.
Com respeito e poderosa estima.
Adorei.
Beijinhos

pena

Mar Arável disse...

É preciso sonhar

maria carvalhosa disse...

Estas memórias da Dulcineia... têm muito que se lhes diga! Eu não digo, fico embevecida a ler essas memórias, que tu escreves, por interposta personagem. Lindas, como tudo o que escreves, querida Graça.
Beijos afectuosos.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Adoro esse poema, Graça! 'Esta vasta mancha de sonhos' que nos acompanha a vida inteira.
Beijo grande.

Eduardo Aleixo disse...

Nómada, peregrino, louco, animais bravios...E o quase... dando o contorno da incerteza à personagem, que cresce em mistério. Que ficou dentro de ti. Que fica dentro de nós. Quem pode esqecer? E tudo isso nas tuas palavras poéticas, firmes e mágicas. Que bom poema, amiga. Adorei.
Beijinho.
Eduardo

isabel mendes ferreira disse...

vim. matar a saudade.



que bom o reencontro.



beijo G. sempre.

Anónimo disse...

Desalento e melancolia nestas memórias de Dulcineia... mas, também, "uma vasta mancha de sonhos" que não deixam morrer a magia.
Muito linda e adequada a pintura do Salvador Dalí.
Beijo.

Luís Nunes disse...

mas ler-te é e será sempre sonhar.

o meu abraço apertado. estou sempre cá.

doisolhinhos disse...

As palavras são tão doces que me sugerem uma "perturbação" serena, uma "perturbação" que a não deixou morrer. "Uma vasta mancha de sonhos..." que alimentou a sua vida para sempre.
Poesia!
Beijos.

teresa p. disse...

Graça.
Volto só para te dizer que o comentário anonymous é da minha autoria. Só por engano não o assinei.
Beijo.

dona tela disse...

Foi hoje a minha rentrée!

Beijinhos.

Véu de Maya disse...

Um lindo imaginário bem trazido á poesia...encantado.

boa noite

heretico disse...

a sedução da Utopia... que não "moinhos de vento".

adorei.

beijos

Henrique Dória disse...

Olá Dulcineia.Viver também é sofrer.talvez para podermos escrever poemas bonitos, como este

soledade disse...

Nunca me tinha detido a reflectir no ponto de vista da Dulcineia. Gosto especialmente da caracterização do "homem", uma imagem misteriosa, ternamente filtrada pela memória e pelos sonhos da mulher. Recriar a história por este prisma é muito interessante.

Vieira Calado disse...

A qualidade de sempre!
Bjs

http://cinzasdecarvalho.zip.net disse...

Quem não tem um pouco de Dom Quixote?
Belo poema.
Bj. gde.
Bárbara Carvalho.

Maria disse...

Não vislumbro a preocupação do sempre....

Poema muito... mas muito belo!

Voltarei!

Beijinhos

tecas disse...

Lindo poema. Entre linhas, sentimos a personagem que...sempre nos acompanha e enquanto os sonhos nos vão perturbando...alimentam a inspiração. Este seu poema... é a prova.
Amei!
Bji

pin gente disse...

muito bonita a tua canção a um belo cavaleiro errante.

beijo
luísa

Ailime disse...

Lindo poema, pleno de emoções sentidas!
As giestas sempre florescem na Primavera dos nossos sonhos nas planícies renovadas pelas chuvas caídas, dos Invernos passados.
Um beijinho “enleado” em esperança!

Gui disse...

Todos nós temos a nossa Dulcineia e todos nós temos um pouco de D. Quixote. Um abraço

Teresa Durães disse...

sempre admirei o D. Quixote tal como Sócrates (filósofo), Galileu ou Cristo porque sempre se debateram por aquilo em que acreditavam

Parapeito disse...

...que seria de nós sem essa capacidade de sonhar !

Um bom fim de semana****

maria m. disse...

tenho gostado muito desta série «Memórias de Dulcineia».

Um beijo, Graça!

Carlos Ramos disse...

Uma vasta mancha de sonhos... no sonhar vasto dos homens peregrinos. O teu trabalho é grande Graça, Parabens.

António R. disse...

Todos envelhecemos nas planícies da vida e é aí que desfrutamos da paz dos dias. essa imagem da mancha de sonhos é poderosa. Gostei!.
Abraço