11.5.09

Memórias de Dulcineia XIV

Menez
Na penumbra me perco.
Surpreendida. Impaciente.
Como se uma reprimida dança
movesse o mais insólito enredo
nos meus passos.
Deito-me de bruços para cheirar,
na terra, o hálito do sonho que persigo
e o corpo cobre-se-me de ervas bravas.
Assim permaneço
até que uma lua de sangue me visite.


Graça Pires
De Uma extensa mancha de sonhos, 2008

57 comentários:

Licínia Quitério disse...

Até que...
Poema de intensas palpitações. Lindo, claro.

Beijo.

Amélia disse...

Gostei muito, Graça.Aliás, gosto muito deste como de tantos outros dos seus poemas.Um abraço

vaandando disse...

Excelente, Poeta !
E belíssimo também o quadro de Menez...
Um diálogo de artes perfeito .
Abraço

________ JRMARTO

simplesmenteeu disse...

Deixo os dedos na terra. Moldo. Rasgo as ruas do meu sonho.
Chamo a cidade que se há-de abrir, do outro lado, ao calor do Sol.
E fico, na urgência da sede e da espera.

Lindas sempre, as imagens que nos chegam com as suas palavras.

Abraço terno

A.S. disse...

Graça,

Perdidas na penumbra, as palavras só conhecem o tão insólito sentir dos poetas!

Um abraço!

Nilson Barcelli disse...

São belas estas tuas memórias.
E este poema é excelente. Palavras límpidas para imagens sublimes. Gostei imenso, como sempre.
Querida amiga, uma boa semana para ti.
Beijo.

De Amor e de Terra disse...

E dela nascidos, é bom que nos deitemos, de bruços, e respiremos o seu aroma porque dela viemos e a ela regressaremos, um dia.

Beijos
Maria Mamede

Paula Raposo disse...

Muito belo, Graça!! Beijos.

Benó disse...

Gostei de ler Graça. E senti.
Obrigada.

Pena disse...

Um poema doce e significativo de um sentir, parece-me triste, desculpe...
"...Deito-me de bruços para cheirar,
na terra, o hálito do sonho que persigo
e o corpo cobre-se-me de ervas bravas.
Assim permaneço
até que uma lua de sangue me visite..."

Nunca desista do seu sonho, POR FAVOR.
Um desejo lhe manifesto: SEJA FELIZ, mesmo que uma lua de sangue nunca a visite, pois possui uma ternura intensa!
Beijinhos, linda amiga, de amizade sincera e respeito gigante.
Com admiração constante e sempre!

pena

AnaMar (pseudónimo) disse...

Eu aguardo de novo a Lua Cheia, para me erguer...

susaninha disse...

Lindo poema, como todos os outros.

Aqui sinto-me bem.

Que um anjo te ilumine

Beijo de anjo

Luis Eme disse...

excelente a imagem que escolheste, para mais um belo "enredo" poético...

abraço Graça

Victor Oliveira Mateus disse...

Gosto das pessoas que insistem em cheirar na terra o hálito do seu sonho... Esta Dulcineia fascina-me-
Um beijo, Graça.

heretico disse...

seiva e húmus. danças impacientes que iluminam. luas de sangue que fervilham em corpos bravios.

enorme teu talento.

beijos

JMV disse...

Gosto muito da ligação entre o poema e a pintura.

um beijinho

Deusa Odoyá disse...

Olá minha nova amiga Graça.
Um belo conjunto de poema e imagem
Muita sensibilidade...
Uma semana abençoada por Deus.
Fique na paz.
Beijinhos doces, minha amiga.
Regina Coeli

Hercília Fernandes disse...

"até que uma lua de sangue me visite".

Como sempre as memórias da Dulcineia são fantásticas e com frases emblemáticas, capazes de morar em nós.

Lindo poema, Graça. Parabéns!

Um forte abraço, minha Amiga.

Beijos :)
H.F.

maré disse...

a aguardar
eternizada na penumbra que se desprende da alma
quando o corpo exige outra dança
.
até que uma lua irreverente se afirme.

___

:))) e um beijo, imensíssimo Graça

alice disse...

:) gostei especialmente deste poema, que não podia ser mais feminino. um beijinho grande, graça.

Teresa Durães disse...

por vezes essa penumbra é terrível onde realmente a dança é reprimida

Marta disse...

Olá, Graça
Este poema é intenso, uma esperança num olhar, num sonho..
Obrigada por participares no meu desafio..
Beijos e abraços
Marta

VFS disse...

na entrega ao fluido vital.

belas palavras!

tecas disse...

Graça, até que...deixo os dedos na terra.
Amei e só amo... o que é bonito.
Bji amigo querida poeta

teresa p. disse...

"Deito-me de bruços para cheirar,
na terra, o hálito do sonho que persigo..."
Muito bela esta imagem poética, numa perfeita conjugação com o quadro da Menez.
Gosto muito das memórias de Dulcineia, tão intensas e profundas...
Beijo.

segredo disse...

Graça,Deixei uma coisa no meu blog para ti!
Beijinho de lua*.*

LM,paris disse...

Graça,
gostava ficar deitada a cheirar
a terra neste canto do quadro da Menez,
ouço a sua voz dançando a cada passo que dou, e fico à espera que o sangue venha colorir as ervas de uma drama solar.
Merci de vos mots, ils me sont votre coeur.
Je vous dois beaucoup.
Parabéns por este lindo poema.
Beijos,
lidia
LM

Vieira Calado disse...

Um belo livro que cá canta!

Olhe, em relação a essas coisas de ofertas disto e daquilo, eu geralmente mando fora.
Porque já sei que muita coisa é uma qualquer armadilha que não foi postada pelo blogista que se conhece.

Beijinhos

Roseli Oliveira disse...

Harmonia perfeita do quadro de Menez com belas palavras.
..até que uma lua de sangue me visite.
Impaciência...
Remete-me a sensação de que algo vai mudar!!!
Lindo!Graça.
Abraços.

isabel mendes ferreira disse...

_________onde me estendo sempre Graça.


sempre. a cada folha aberta. em cada silêncio despojado.

onde a encontro. nos meus dias.


.



abraço-A.

Só Eu (Ricardo) disse...

Escolha belissima da imagem para ilustrar um poema lindissimo.
Perdoa-me as ausencias mas acho que, agora, vou permanecer mais pela blogosfera.
Beijinhos
Ricardo

mateo disse...

De volta ao ventre... à terra?
Beijos.

Regina disse...

A reprimida dança... É isso!

beijo

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema muito bem construido.

Esta Dulcinea é muito sensual.

A imagem muito bem escolhida.

gostei muito.

Beij

Gisela Rosa disse...

"Surpreendida. Impaciente.
Como se uma reprimida dança
movesse o mais insólito enredo
nos meus passos."

A vida, essa "lua de sangue"...


É lindo o seu poema Graça! Um grande abraço.

Ailime disse...

Nas penumbras sempre procuramos algo que nos toque o coração!
Da terra virá o pulsar de uma nova esperança!
Lindo o seu poema.
Um beijinho.

triliti star disse...

eu,
na penumbra me excito,
só no escuro me perco.

e,
se na noite me encontro,


amanheço,
corpo em brasa
pelo flagelar vampiresco
das nocturnas urtigas.

triliti star disse...

belas as tuas palavras.

maria m. disse...

como que uma contida vontade de viver...
gostei imenso do poema.

beijos, Graça.

Mar Arável disse...

Com a tua poesia

até na penunbra

vejo claro

Belo como sempre

Roberta disse...

Há sempre o inefável em seus versos. O sonho perseguido resulta em beleza e graça. :)

São disse...

Até que ...o sonho se realize ao sabor das palavras que brotam

Abraços.

Huma Senhora disse...

Imaginei um cobertor de ervas bravas, que nos aquece quando arrefece, que nos refresca quando o suor nos invade.

viernes disse...

precisas palavras para um nome irreal, que de tão irreal é a verdade...

beijos...

Amélia disse...

Parabéns pelo merecido prémio Ruy Belo, amiga.

Jaime A. disse...

Adoro as uas metáforas, o seu ritmo de escrita.
Definitivamente um fã.
Um abraço e bom fim-de-semana.

Jaime A. disse...

Continuo a adorar este poema...

© Piedade Araújo Sol disse...

re-passei.

deixo um beijo à Dulcineia.

tinta permanente disse...

...e tudo porque D. Quixote já não vem!
Belo, o poema!


abraços!

Mar Arável disse...

Passei hoje por cá

só para lhe dar um beijo

pelo merecido prémio

Bjs

LM,paris disse...

Bonjour Graça,
Parabéns, parabéns, passei agora pelo local sem muros...do Victor e li, e fiquei tao feliz!
Mil beijos,
tento nao reprimir a dança, nem sempre é possivel.
Toda a dança nasce dessa perda.
LM

vaandando disse...

Parabéns , Graça , Parabéns muitos !
Fiquei muito feliz....
Abraço grande!
________ JRMARTO

maré disse...

um aplauso

de pé!

agora e aqui
sem enganos

------
e uma rosa
plena e única

São disse...

quando voltas?

Boa semana, linda.

Tchi disse...

Parabéns por mais um Prémio.

Bem merecido.

Parapeito disse...

...e que continues sempre a perseguir o sonho até fazer dele realidade...e depois ...recomeça de novo para novo sonho :)
Um abraço*

Fernando Campanella disse...

Boa noite, Graça. Obrigado pela visita ao meu blogger.Ervas bravas, sangue, o auscultar do cerne, do sonho, das vísceras do universo em nós. Belo poema. Grande abraço. Parabéns pelo prêmio Lemniscata.