7.10.19

Em seara alheia



Sou Valquíria

Sou valquíria de cavalo à solta
Sem rédeas 
Sem esporas
Pégaso, meu cavalo, sobrevoou comigo todos os rincões
da floresta, seguindo teu rasto.
A atmosfera, grávida de ti, chamava-me.
De lança, sedenta de amor, incitava Pégaso a voar como um louco.
E à medida que nos aproximávamos dos teus sinais,
mais me distanciava de ti.
Por onde te escondes, doce guerreiro,
que foges das lanças do amor?
Um dia Pégaso descobrir-te-á e, nesse dia, vencerei a batalha.

Carmo Baião
In: Dançam corpos em almas inquietas. Lisboa: Edições Vieira da Silva, 2019, p. 9

30.9.19

A amazona

Amedeo Modigliani


Gosto de vermelho.
É a cor do fogo e do sangue.
É uma cor vistosa e coquete.
Como eu.
Como as rosas que mandei
plantar no meu jardim.
Como a minha jaqueta de montar.

Não acham singular
este equívoco de eu estar
retratada de amarelo?

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 29

23.9.19

As primeiras chuvas de setembro


Katia Chausheva

Antes da queda, o pássaro ferido deteve-se
na árvore mais frondosa para cingir a haste
quebrada em suas pupilas ausentes do brilho.
Tinha voado para além das nuvens
quando os braços do vento tornaram interdita
a distância azul que perseguia.
Ao cair da noite demandou o abismo
para ajustar o voo à viagem já vencida.
E com asas de orvalho urdiu
as primeiras chuvas de setembro.

Graça Pires
In: Soltícios e Equinócios: antologia. Coordenação de Emanuel Lomelino. Lisboa: Edições Vieira da Silva, 2016, p. 63

16.9.19

Em seara alheia


Questão

Será o verbo amar uma conjugação calibrada, ou um
mero exercício de hipnose?

Questionava o sonhador, ao apócrifo desenhador de
calçadas propagandistas e ébrias de incertezas.

A resposta esgrimiu vários cenários. Tantos, que o
verbo amar escondeu-se numa falésia,
e apenas exercitou a contagem das ondas num
esboço de marés infalíveis.

José Luís Outono
In: Mares encrespados. Poética, 2019, p. 14

9.9.19

Gargalhada


Georges Dussaud



Plenos de astúcia promulgamos, 
com a sonoridade do vento norte, 
a normalidade de rir ruidosamente 
e com o excesso de quem é capaz 
de troçar da própria cara.

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013, p. 15

2.9.19

Sempre soubemos

Igor Levashov


Quase acreditámos na luz rodopiando as sombras
para tornar transparente a maciez do húmus
preso à torrente das chuvas.
Pressentíamos que qualquer coisa de comovente
se alojava no brilho da folhagem atravessada
pelo perfil das aves migratórias.
Sempre soubemos que há rosas
que se desfolham antes de alguém as ver
derramando um leve aroma sobre o delírio da cor
para deslumbramento das borboletas.
Nunca se repete, sempre o soubemos,
a curva do tempo na concha ansiosa do olhar.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 48

26.8.19

Em seara alheia


Nos mastros

Nos mastros do sol, evadi-me das marés
e dancei em labirintos de luz.
Tu eras o brilho faminto, cobrindo de
assombro meus sonhos vadios.

Atravessei tuas mãos no sobressalto dos dedos
e desenhei sombras na melopeia da noite.
Perdi-me no tempo insone
e deixei-te no espaço, versos dos nosso laços.

Pernoita agora nas flores das asas das andorinhas
carrega o meu sorriso nos teus braços.
Eu
farei de tuas mãos o meu abrigo
no sangue que arde em júbilo contigo.

Manuela Barroso
In: Luminescências. Seda Publicações, 2019, p.80

19.8.19

O rumor de tantas águas

Francesca Woodman


Inclino-me levemente sobre a nudeza
devassada pelos anos.
Um rio suspende a corrente em meus lábios
rodeados pelo rumor de tantas águas.
Quero que a linguagem simbolize
um templo de absolvição e reza
nas palavras em fuga pelos olhos.
Deponho sobre o altar o naufrágio
que começa em muitas bocas.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015, p.31

12.8.19

Não falo da importância do brilho

Duane Michals

Nem sempre as janelas oferecem às casas
todas as possibilidades da luz.
Não falo da importância do brilho coado
nas traves, ou do vento espreitando as frestas.
Refiro a transparência consentida às aves
na pressa das cidades onde o voo se faz fuga.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 42

5.8.19

Em seara alheia



Incendeias as ruas

Incendeias as ruas e os passos dos homens
E todos os cios. E as mulheres nas soleiras
Murmuram esconjuros
À tua passagem.

Altiva a ti pertences. Tua alma
Apenas os poetas a cativam. Breve em cada estrofe.
Para esvoaçante partires: sina tua de amar
Em cada amor que em teu peito nasce.

Corpo mil vezes profanado. E outras tantas
Deserto. Cada palavra tua é bálsamo
Nunca azedume. Ou acinte.

Guardo de ti o gesto nobre de quem tudo entende
E nada espera. Singela em cada letra
Que em ti arde.

Amizade límpida perfuma-te as manhãs claras
E as noites inquietas - fome de vida e febre -
Que te consomem. Pulsão livre de poema
Que de teu corpo se desprende.

Manuel Veiga
In: Perfil dos dias. Modocromia, 2019, p. 78

29.7.19

Menina com fato castanho

Amedeo Modigliani


Com um impulso irreprimível 
forjei, a martelo, a quilha 
que range em meus braços 
com som de nortada 
e vesti uma túnica cor de fogo 
para que me confundissem 
com o poente.

A partir desse momento,
todos os barcos ancoraram,
tumultuados, na linha do horizonte.
Os marinheiros, com a boca
atravessada por gritos,
enroscaram-se uns nos outros.

Eu, sentada nas dunas morria,
lentamente, afogada pela sede.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 16

22.7.19

Na estiagem




Tão íntimo das nascentes, o verde das veredas
desfaz-se em cinza quando as serranias
ondulam o lume sobre o chão.
Na estiagem há-de ouvir-se o murmúrio
agonizante dos rios já perdidos do mar.
E quando o inverno chegar, os caudais galgarão
as margens se o excesso de cimento consentir às águas
que firam as casas e a estreiteza dos caminhos.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 39

15.7.19

Em seara alheia


Encosta a escada à palavra homem
e entra nela pela noite dos fundos
entra nela pela mão muda de deus
pelo lugar indizível que sustém todos os dedos
pelo dedo indicador que sustém toda a palavra
e a inicia
e a inicia como tua mulher.

Encosta a escada à palavra homem
e espera-me ainda antes do primeiro degrau.
Ali te revelarei as tuas maravilhas.

Catarina Nunes de Almeida
In: Livro redondo. Editora Língua Morta, 2019, p. 41

8.7.19

Com o silêncio emboscado na voz

Ana Pires Livramento


Com o silêncio emboscado na voz 
uma mulher atravessou um impossível retorno 
rente a horários sem sentido. 
Na linha das marés o magoado vértice das sombras 
desenhava a solidão dos barcos destruídos. 
Como se um frio de aço mutilasse todas as esperas.

Graça Pires

De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 28

1.7.19

Amor

Katharina Jung

Quando te procurei 
em rotas de seda e ouro,
eu não sabia que o amor 
é uma espera de mágoa e mel.
Nem suspeitava 
que há nos corpos nus
a enchente das marés
que altera a tempestade.
E desconhecia que é preciso
empunhar o leme
para que as mágoas inundem
desesperadamente as margens.

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013, p. 8

24.6.19

Em seara alheia




Ainda não sei


Ainda não sei como contar-te que cresci
sem mar. Que andei a verter sangue a vida
toda, de coração golpeado pelas cercas vivas
dos meus lugares. Não sei como contar-te 
da minha ânsia de fugir, de correr até à praia
e cegar a memória, de como me atirei
em desespero contra os espinhos, e de como
sangrei, exausta, na sombra dos fracassos.

Agora cheguei ao mar e o sal arde-me
nas feridas. Tenho um chão de areia quente
que me queima os pés, tão gastos de correr.
Cheguei ao mar. Ao espanto comovente 
do mar, e permaneço imóvel. Tão quieta
como as rochas ao longe.
Sou livre e não me movo.
Não sei como se faz isto de viver.

Virgínia do Carmo
In: Ecos de Green Rose. Poética, 2019, p. 35

17.6.19

Futuro

©Shutterstock

Nas próximas horas nenhum astrolábio
medirá a latitude e a longitude deste sítio.
Não queremos saber a altura dos astros.
Os fusos horários corrompem-nos a pele.
Inventaremos uma órbita que nos prenda
ao futuro em rotação vertiginosa.
O passado será a nesga de luz
onde as luas se mostrarão fase a fase.
Graça Pires
De Caderno de significados, 2013, p. 14

10.6.19

Como um aviso

Pedro Pires

Quando as espigas surgiram de repente
nos sulcos das searas, sem que o braço e a foice
afagassem o trigo, houve homens
que se amarraram à terra aguardando que o corpo
se transformasse em campo lavrado.
Houve mulheres que cegaram, em plena
madrugada, perto dos pomares.
Houve meninos que se fecharam por dentro
dos segredos que as mães guardam no sangue.
Houve pássaros que suspenderam o voo
sobre as casas desertas. Como um aviso.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 18

3.6.19

Em seara alheia


21.

Dizia-te
da minha inaptidão
para nomear os lugares 
mais inóspitos da alma,
lembras-te?
Dizia-te que haveria de saber
todos os nomes de todas as coisas
e só a ti, um dia, os revelaria
como súbita 
revoada de aves azuis.
Dizia-te…
mas nunca cheguei a aprender
o verdadeiro nome
dessas aves azuis
e por isso nunca fui capaz
de as chamar
a cruzar o nosso céu.
Que pensarias hoje,
se eu te dissesse
que o meu dicionário,
[exíguo que era]
Abrevia-se cada dia
um pouco mais?
E a fala cada dia um pouco menos.
Não sei já o que chamar
a esta longa aprendizagem
do esquecimento.

Lídia Borges
In: Garças. Braga: Poética, 2019, p. 32

27.5.19

Alice

Amedeo Modigliani


Na hora em que o calor entranha
no ar o cheiro da urze seca,
um breve estremecimento
contagia cada gesto meu.

Sabem: os agrados das meninas
são suculentos como os medronhos bravos
e tão secretos que só as mães os adivinham.

É por isso que me escondo
no meu sorriso comedido,
e enfeito os cabelos
com a fita que mais me agrada,
e me revelo com argúcia às pessoas
que olham, coniventes, o meu rosto.

Não me perguntem de quantos aromas
se inundou já o azul do meu vestido.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p.19

20.5.19

Das mais antigas dores

Josef koudelka

Do lado distante das noites, a lua acesa
sobre os muros ilumina o rosto daqueles
que sempre entenderam o trajecto
escolhido pelos pássaros e pelos rios
e pelos amigos que nunca voltaram.
Os dias foram cerzindo em seu olhar
o caminho esquecido das mais antigas dores,
onde guardam agora o destino de suas mãos
declinadas sobre as estacas.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 30

13.5.19

Uma mulher

Amedeo Modigliani


Gosto de guardar segredos.
Tenho, mesmo, um jeito discreto
de alinhar os meus dias: como um arquivo
de fotografias de viagens;
como um regato silencioso
correndo de meus cílios;
como o percurso da estrela-d’alva
no desvio das horas.

Gosto de ler Rimbaud
não falarei, não pensarei em nada:
Mas um amor imenso
invadirá a minha alma

Toco com os lábios
os múltiplos espelhos
que me deformam a boca,
extraviada de afectos,
e aguardo esse amor.

L’amour est a réinventer, on le sait.
Eu também sei.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 26

5.5.19

Em seara lheia


XIII

As mães,
nítida seda
semeando harpas no cansaço.

Alberto Pereira
In: Como num naufrágio interior morremos. Prefácio de Gonçalo M.Tavares. Pontevedra: Editora Urutau, 2019, p. 34

29.4.19

A escassez do amor e do pão de cada dia

Dorothea Lange

Desconhecemos as cicatrizes das mãos
que manejaram a mó dos moinhos
e a fadiga das que mondaram a terra,
num ritual repetido infindavelmente.
Nada sabemos das mãos gretadas
pela acidez das resinas e do pó,
pela dureza da enxada e do arado.
Abandonadas há muito tempo,
as alfaias antigas ainda rangem
nas mãos dos que pisam os trilhos
das cabras em lugares desamparados.
São mãos onde se lê a escassez
do amor e do pão de cada dia.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 35

22.4.19

Escrever Abril

Licínia Quitério


Era uma vez uma cidade
com homens a navegar na liquidez das ruas,
espingardas com mulheres a tiracolo,
sorrisos a explodir à boca dos canhões,
gritos e cantares da cor dos cravos.
Foi o dia do livro inicial
e toda a escrita foi possível.

Licínia Quitério, 2019

15.4.19

Dos templos antigos



São de granito cinzento 
as cúpulas dos templos antigos:
a música profana e sagrada
no rebordo das pedras.

Graça Pires
De A incidência da luz, 2011, p. 7

Desejo a todas as Amigas e a todos os Amigos que me visitam, uma Páscoa cheia de bênçãos e de paz.

8.4.19

Lentamente



Lentamente.
Como se fossem intermináveis os dias e as luas.
Como se o sedentarismo dos antigos nos habitasse.
Como se cavássemos no coração
o milagre das manhãs.
Como se a terra fosse um espelho
de água ou um coração solar.
Lentamente. Muito lentamente.
Porque basta a urgência de um grito
sem contornos para que a pétala mais ilesa
se corrompa, para sempre, em jardins moribundos.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 29 

1.4.19

Tão frágil a construção do silêncio


No verão todas as manhãs são belas,
dissemos um dia, antes de sabermos
como nos pode asfixiar o áspero sangue
das correntes esfarrapando a espessura do lodo.
Tão frágil a construção do silêncio!

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018 p. 55

25.3.19

Em seara alheia


Volto sempre aqui. Ao meu lugar de mim.
A serenidade pousa na rocha mais alta. No meu lugar.
O vento cresce na tarde e evoca a noite. No meu lugar.
O amanhecer despe a noite como uma camisa de cambraia. No meu lugar.
O amanhã trará no colo uma braçada de flores.
O ar de alfazema deitar-se-à na minha cama.
Nos meus lugares espalhados.
Em partículas de mim. Eu. O outro nome da noite.

Lília Tavares
In: Nomes da noite. Modocromia, 2019, p. 15

18.3.19

À espera do poema





Nenhum grito, nenhum indício, nenhum anjo
anunciou que chegarias, assim, poesia,
imprevisível e sedutora, a transfigurar
as palavras que me rebentam na voz.

No pulsar do silêncio te encontrei,
ao escavar os sonhos no meu peito,
na rigorosa idade do assombro.
Como se tivesse uma alegria
quase infantil calada no sorriso,
que se fez bênção, impulso,
canção de louvor ou de protesto,
abraço sem distâncias nem fonteiras.

Agora, quando a rebelde possibilidade das sílabas
convoca o sobressalto das sombras,
e o olhar se embacia de secura,
e as mãos, nómadas de nostalgia,
arrefecem entre as páginas,
diante da emoção da linguagem me debruço
à espera do poema que me salve e me liberte.

Graça Pires
In: A minha palavra: antologia de escritos avulsos. Edição comemorativa do 5º aniversário da Poética Edições. Braga: Poética, 2018, p.17

11.3.19

Um lugar para morrer



Naquele mês espalhara-se a insólita notícia
da vinda de andorinhas brancas
trazidas pelos ventos do deserto.
Todas as mulheres subiram às colinas
mais íngremes abandonando as casas,
dias a fio, com o corpo envolto em panos negros.
Tinham pressentido,
no lentíssimo movimento do voo, que cada ave
procurava apenas um lugar para morrer.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 62

4.3.19

Em seara alheia


Caminham as mulheres com as suas extensas lezírias
e luas em trânsito.
Vêm de cidades submersas anteriores às cidades
dos musgos e fetos de flores primitivas.
Surgem dos lugares iniciais
e trazem o lume da distância para perto.

Vestem brancos linhos azuis que o vento volteia
desde o livro de moisés.
No aceso silêncio dos olhos derramam intensos perfumes
e com o longo lavrado dos cabelos encobrem
o lustro da nuca e inclinam a varanda dos ombros
para uma paisagem de penumbras iluminadas.

Quando sobre o restolho distendem as pernas
definem num sopro o relevo das planícies.
Erguem casas nas margens dos lagos, erguem todas as casas
nas margens do pensamento.
E um palmo depois da soleira da porta a noite reincide
o mundo cai a pique depois da última parede.

Rui Miguel Fragas
In: Sobre o prumo das falésias. Fafe: Labirinto, 2018, p. 41


25.2.19

Elvira

Amedeo Modigliani


Nesta manhã em que as premonições
pulsam a bússola dos sentidos
vou usando aquele modo inútil
de morder as palavras até ao amargor.

Não amassei o pão. Não lavei a roupa.
Tenho os pés inchados e a cor do asfalto
trespassada no olhar.
O corpo agitado acima da desordem
tornou-me fugitiva, clandestina,
a versão disfarçada do meu nome.

Exercito argumentos na ferrugem
da descrença e deixo que o desvario
de pretéritas dores refaça os sonhos
que em nenhuma fala se pronunciam.

Finco o cotovelo sobre a mesa
e resvala-me o pensamento
para um tempo anterior à solidão.

Já não me inquietam os pequenos
detalhes com que se pode enlouquecer.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017, p. 11