28.7.09

Em seara alheia



a primeira vez que tive vinte anos
esperavas por mim naquele café com nome
de porto grego que faz a Grécia
no meio do bairro alto dizias muitas vezes
mexendo o café que sempre bebias sem açúcar


depois descemos até ao rio e prometeste
um barco por cada dia em que
os meus vinte anos voltassem
às tuas mãos naquele lugar


nessa altura envelheci muito depressa
ao ritmo das cartas em que prometia odiar quem

junto de mim dissesse
-como era moda-
que os vinte anos tinham sido o melhor tempo
das nossas vidas


e o meu coração era então tão grande
que todos os que passavam

se serviam dele

Alice Vieira
In: O que dói às aves. Lisboa: Caminho, 2009

48 comentários:

Paula Raposo disse...

Fabuloso poema da Alice Vieira! Como me revejo nas suas palavras...muitos beijos, Graça.

Nilson Barcelli disse...

Não conhecia este belíssimo poema.
Que gostei de ler.
Querida amiga, obrigado pela partilha.
Um beijo.

Marta disse...

Que lindo!!!
Pena que nem todos sejam tão generosos...
Obrigada por participares.
Beijos e abraços
Marta

simplesmenteeu disse...

Ser capaz de voltar, muitas vezes, aos vinte anos, com a mesma capacidade de descobrir a vida.
Conservar o coração aberto e deixá-lo crescer...

Beijo carinhoso

hfm disse...

Belíssimo!

susana disse...

Belo...
Ainda não conhecia este poema, gostei muito.

Beijo de um anjo
Susana

isabel mendes ferreira disse...

GRAÇA.






Obrigada!



(do coração)

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Graça linda, e pelo que pude perceber, seu coração continua grande e cheio de carinho.

Beijo imenso!

Que seu começo de semana seja de luz.

Rebeca

-

Monte Cristo disse...

Comento, a (des)propósito, com um poema do meu livro A Transgressão do Silêncio.


Acaso

Na foz do teu olhar nunca sei
se há um rio que acaba
ou um mar que começa.

Por isso,
na trajectória dos gestos,
o acaso determina o amor
ou o desafecto.

Só os ramos das árvores
não desiludem os pássaros.

Adriana disse...

Graça,muito bonito mesmo.vinte anos é o tempo q se precisa pra saber q a vida não acaba aí.

maré disse...

é lindo Graça.

não conhecia a poesia da Alice Vieira. Já a li em crónicas e vários livros. Agora fiquei surpresa.
Obrigada querida Graça
Um grande beijo

A.S. disse...

Graça...

Vim deliciar-me com os teus poemas...
Este é da Alice Vieira, mas é lindo!


Beijos...

Victor Oliveira Mateus disse...

O teu bom gosto: não só no que escreves, mas tb no que escolhes...
Um beijo, Graça

Renata de Aragão Lopes disse...

"a primeira vez que tive vinte anos"
Que delícia pensar assim...

Obrigada, Graça,
pelas frequentes visitas ao doce de lira
e pelas palavras sempre delicadas
que deixa pra mim.
Um beijo!

entremares disse...

"e o meu coração era então tão grande que todos os que passavam se serviam dele..."

E não é essa a marca dos que ao caminhar, deixam pégadas que depois todos seguem ?

Não são essas as pessoas com P grande, com P enorme?

São essas as pessoas...

Fica bem...

Cadinho RoCo disse...

São muitas as vezes sentidas e batidas pelos vinte anos de um mesmo coração.
Cadinho RoCo

Pena disse...

Linda Amiga:
Dois vultos enormes de uma poesia fascinante: A minha Amiga e a notável e extraordinária Alice Vieira.
Perfeitos vinte anos num coração abrangente e enorme, onde couberam muitos...
Parabéns! Fabuloso.
De uma significação intensa e profunda de fazer pensar...
Beijinhos com respeito e estima.
Sempre a admirá-la

pena

Bem-Haja, poetiza de sonho.

pin gente disse...

não conhecia e tanto gosto de alice vieira... muito bonito!
... o meu coração continua grande.
um beijo, graça
e obrigada

Tchi disse...

Há corações do tamanho do firmamento.

Inconfundível Alice.

Abraço.

viernes disse...

ó, gostei muito deste poema, é preciso e lindo, ai, como gosto do bairro alto...

beijos

Jaime A. disse...

Uma excelente escolha, Graça. Há que divulgar quem escreve em português.
Parabéns!

Mofina disse...

Ah, quantos vinte anos podemos viver ao longo da vida!

© Piedade Araújo Sol disse...

nao conhecia este poema da Alice Vieira.

estou rendida à sua escolha para a(em seara alheia).

obrigada!

um beij

Mar Arável disse...

Bela memória

Eu também lá estava

Teresa Durães disse...

Admiro bastante a Alice Vieira. E a sua prosa juvenil, simplesmente adoro

maria m. disse...

gostei muito deste poema da Alice Vieira. Obrigada, Graça.

beijo grande!

Jaime A. disse...

Adorei este poema "tons de Mediterrâneo".
Bjs

Licínia Quitério disse...

A poesia desta escritora foi para mim uma revelação de talento e sensibilidade que leio com o maior agrado.

Beijinho para ti, Graça.

Ailime disse...

Muito belo e transcendente este poema de Alice Vieira!
Muito grata por revelar mais este talento desta querida escritora.
Um beijinho para ambas.

Vieira Calado disse...

Desejo-lhe um óptimo fim de semana.

Bjs

Benó disse...

Também gosto da Alice Vieira e por isso, aqui te ofereço a parte final dum seu poema tirado do livro "Dois corpos tombando na água":

....- e aquele estranho lugar no coração
aberto sempre a quem chegava mesmo quando
não sabíamos o seu nome.

Um abraço desejando um óptimo fim de semana.

teresa p. disse...

Não conhecia Alice Vieira como poetisa, mas apenas como autora de livros de histórias para crianças e jovens. Adorei este poema! Tem a força mágica dos vinte anos...
Lindo!!!
Beijo.

JMV disse...

Gosto muito da escolha que fez.
um beijinho

Jaime A. disse...

É também um texto tão luminoso...
Obrigado pela partilha.

Lia Noronha disse...

Maravilhoso poema...abraços carinhosos pra ti.

Tétis disse...

Amiga Graça

Um belo poema de Alice Vieira, uma das grandes senhoras da nossa literatura.

Obrigada por partilhá-la e lembrá-la.

Beijos amigos

isabel mendes ferreira disse...

como não gostar G.

como não????


e confesso que fiquei orgulhosa.


(por a conhecer)


beijossssssss.

mariab disse...

não conhecia o poema e fiquei encantada. tão belo...
beijos, Graça

Roberta disse...

Sempre nos apresentando belíssimos poetas! Comoventes versos..

Nilson Barcelli disse...

Estarás de férias, provavelmente.
Se for o caso, desejo-te umas excelentes férias querida amiga.
Beijo.

Naty e Carlos disse...

Ola passamos para te visitar e deixar um bjs

maré disse...

Venho reforçar o meu abraço querida Graça.

Sentes?!
estou aqui de mãos cheias de mar e flores no peito para ti

também um grande beijo,
profundo de origens, com que, nestes dias de descanso vou escorando as mãos.

Carlos Teixeira Luis disse...

Bom dia,

em primeiro lugar, parabéns pelo Prémio Ruy Belo.
Estive presente na cerimónia de entrega, participei e tinha curiosidade de saber como se processa um acontecimento destes. A minha estréia. Gostei de conhecer a senhora Teresa Belo. Gostei imenso do livro dito por Luis Vinagre e D.Rosa. Como poderei obtê-lo? Será editado? Poderei lê-lo de uma outra forma?
Nesta cerimónia, no final inibi-me de cumprimentar todos os presentes na sala. Sou tímido. Bastante.
Gosto da sua poesia e tenho passado por cá.
Gostava inclusive de algum feedback sobre o que escrevo. Estou numa encruzilhada de desenvolvimento. Não sei se tal será possivel. Apelo a isso.
Apresento-me: Carlos Teixeira Luis. Blogue: Tijolos de Verde Rude. Ao dispôr.

Um abraço.

Fernando Campanella disse...

Lindo o poema da Alice Vieira.

mariabesuga disse...

Não me incomodam os mais que duas vezes vinte anos.
Não!
O coração sinto-o cada vez maior mas consigo deixar cada vez menos que se "sirvam" dele...

Muito bonito este poema da Alice Vieira.
Não conhecia.
Obrigada!...

Um beijinho

Janaina Amado disse...

Este poema é magnífico.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Graça, acho que estamos conectadas. Fiz uma postagem em meu blog com um poema dela. Quando aqui cheguei, vi que ela também aqui estava. Esse livro é maravilhoso! Só tenho a te agradecer.
beijo no coração

Parapeito disse...

sempre espectacular esta seara alheiA :))
dIAS cheios de brisas mansas****