6.8.14

Em seara alheia



Infinita conversa com as nuvens

Antes de partir para as montanhas espalharei os
poemas pelo chão  como quem abre um mapa pela 
última vez. Como quem relembra o extenso areal dos 
dias, a incansável rotina dos comboios, a infinita 
conversa com as nuvens.

Quando partir para as montanhas deixarei os poemas
pelo chão como quem renega todos os mapas. Levarei
apenas o meu corpo para que ele me fale do teu.

Rui Miguel Fragas
In: O nome das árvores. Macedo de Cavaleiros: Poética Edições, 2014, p. 38

33 comentários:

Graça Pires disse...

Permito-me dizer que o livro “O nome das árvores” de Rui Miguel Fragas é, acima de tudo, um belíssimo livro de amor.
Um amor que se desdobra pelos dias e por tudo aquilo que rodeia o poeta e lhe imprime, no olhar, uma visão particular da realidade.
Poesia em prosa, num imaginário impregnado pela música, e pelo ritmo das palavras com todas as suas significações, ressonâncias e silêncios.
De realçar a qualidade estética da linguagem e o modo como todos os textos nos revelam inúmeras possibilidades de leitura.
Parabéns, Rui Fragas!

Marta Vinhais disse...

E haverá um novo poema...sempre escrito na pele com a alma...
Brilhante...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Cadinho RoCo disse...

Nossa, mas que delícia é poder se entregar à expectativa pronunciada pelo encontro com o corpo presente.
Cadinho RoCo

Andrea Liette disse...

Dois corpos plenos de amor e poesia!
Um poema profundo, que avalia e ultrapassa todas as distâncias.
Agradecida.
Um beijo.

anamar disse...

Ora viva, Graça Pires.

Só hoje consegui lançar o seu comentário às fotos do Mondego, arrozais.

Então somos vizinhas ou da mesma terra?

Sou da Figueira.... E a menina????

Beijinhos,

Ana

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde,
No caminho para a montanha despe-se de poemas para encontrar a alma presente.
Dia feliz
AG

http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

Mar Arável disse...

Bela seara

Bj

Pérola disse...

Que belo e deslumbrante sentir.

Gosto muito.

Beijinhos

Graça Sampaio disse...

Que lindo poema! Muito boa escolha. (Aliás como sempre!)

Beijinhos.

Luís M.Castanheira disse...

Um poema lindíssimo.

(despidos de todos os "mapas", a sós com as palavras, para trás largadas , mas não varridas ou perdidas - ma sim arrumadas.
só temos que lembrar...é o quanto chega para amar)

Obrigado pela divulgação desta "pérola" e pelo comentário deixado
ao fazer o favor de me ler...

Agostinho disse...

Boa noite Graça Pires,
trouxe-nos hoje um belíssimo poema escrito necessariamente em/a dois corpos. Sem mapas, comboios e travessias de desertos.

PAULO TAMBURRO. disse...

GRAÇA PIRES,

um corpo quando sabe falar de outro estabelece a única verdade da vida:Amor!

Corpos que não se amam apenas esbarram-se,toleram-se, mas sabem que não se merecem.

Um abração carioca

Evanir disse...

Boa Noite Graça.
Quando partir para montanhas
leve somente seu coração .
Com certeza voltara com uma absoluta paz infinita.
Beijos da amiga sempre.
Evanir.

Ives disse...

Quem fala com as nuvens já esta numa dimensão altaneira! abraços

São disse...

Deixará os poemas pelo chão ou os atirará aos ventos, mas a poesia o acompanhará sempre.

Grande abraço para os dois :)

heretico disse...

na escalada dos corpos - os poemas como leito...

boa escolha.

beijo


Cadinho RoCo disse...

O desapego nos traz alívio capaz de nos remeter para as mais elevadas montanhas.
Cadinho RoCo

© Piedade Araújo Sol disse...

uma conversa com sabor.

uma boa escolha de um poema que não conhecia e que é uma pérola.

bom final de semana.

beijo

teresa p. disse...

Espalhar poemas pelo chão...
Muito belo!
Obrigada à Graça pela generosa partilha, e parabéns ao Rui Miguel Fragas pelo seu livro.
Beijo.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Muito lindo o poema, Graça!
Uma escolha lírica e delicada.

Ótimo final de semana para ti!
E um beijo em teu coração.

Nilson Barcelli disse...

Magnífica escolha poética.
Gostei muito.
Graça, tem um bom fim de semana.
Beijo.

Evanir disse...

Vale a pena ler....
Nesse Domingo comemora o dia dos pais
muitos como eu já não tem mais
a alegria da presença física de pai.
Por isso de alguma forma nesse dia
procuro estar feliz da forma
que meu pai sempre gostou.
Com certeza ficaria muito chateado
se pudesse me ver chorar nesse dia.
Guardo na memoria um pai que
mesmo sendo bravo a moda antiga.
Fui muito amada..
recordo com infinita saudades
quando brincava passando em meu rosto,
a barba por fazer.
Do almoço Domingueiro onde
minha mãe fazia a pasta
deliciosa que ela fazia.
Um abençoado final de semana.
Feliz dia dos pais independente
da Circunstância.
Beijos no coração carinhos na alma.
Evanir.
Deixei mimo na postagem como
lembrança desse dia.

Teca M. Jorge disse...

Delícia de versos... cheio de ternura e amor.

Beijo.

Menina Marota disse...

E alimentou, uma vez mais, a minha fome de poesia.
Um autor a descobrir.
Grata pela partilha.
Um grande abraço de carinho.

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
BONITO POEMA, DE UM ESCRITOR QUE NÃO CONHECIA, MAS, VALEU MUITO A PENA LÊ-LO.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Ani Braga disse...

Que lindo!!!


Passando para desejar uma semana maravilhosa pra você...

Beijos
Ani

Eduardo Aleixo disse...

É um poema lindíssimo, com imagens fortes do nosso percurso, com ou sem poemas, antes da subida da montanha. Despojamento. Nudez plena, a da sabedora, no fim da viagem. Obrigado.

Ana Tapadas disse...

Que bela forma de arrumar as palavras!

Beijo

fernando disse...

Graça Pires

Extenso e Bom o seu Comentário.

Muitas Graças pela sua Visita à Poesia Portuguesa.

Jc

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga

É impressionante
a escrita eterna
que nos escreve a vida
de quem amamos...
Uma simples lembrança
nos revela tanto...
Dores, alegrias, lágrimas, risos...
Poemas que espalhamos pela vida,
mas que continuam a se multiplicar
dentro de nós...

________________________

Que tenhas tempo
de descobrir que a vida
se alimenta dos momentos presentes,
e que nestes momentos
está a nossa felicidade.

Evanir disse...

A amizade é magia sem fronteiras
que nos une tantas amizades tantos amores,
num lugar infinito e silencioso,
palavras, email trocados ,gestos de carinho
promessa de amizades e de amores eternos.
Quantas vezes sorrimos ,quantas vezes choramos,
outras quase morremos de saudades
sem nunca termos trocado um único olhar.
Beijos no seu coração.
Evanir.

lupuscanissignatus disse...

Apraz-me este corpo andarilho. Sempre em busca. Obrigado pela partilha, Graça.

rui féteira disse...

Agradeço-lhe, Graça, a partilha e a surpresa do comentário. A todos os que leram e comentaram, o meu obrigado)
Rui