10.10.16

Em seara alheia


Cantou cansado
Um hino ao desencanto,
Como se fosse possível
Tomar para a alegria
O caudal de impurezas
A deslizar da solidão.

Cantou com a fraca voz
Dos que olham para dentro
Dos poços à espera
Que a água transborde.

Rui Almeida
In: Muito, menos. Lages do Pico: Companhia da Ilhas, 2016, p. 36

43 comentários:

Graça Pires disse...

“Muito, menos” é o novo livro de poesia de Rui Almeida, com a qualidade a que já nos habituou.
Escolhi este poema, não só porque me tocou muito, mas também porque me parece uma síntese de tudo o que este livro significa.
Parabéns, Rui!

✿ chica disse...

Bela poesia que trouxeste pra iniciar mais uma semana! beijos, tudo de bom,chica

Nequéren Reis disse...

Bom dia amiga sempre arrasando com suas belas linhas,
tenha uma semana abençoada obrigado pela visita.
Blog: https://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br
Canal:https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso!

Beijinhos e uma excelente semana.

http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

Nadine Granad disse...

Canção triste e bela!

Boa semana ;-)

Mãe Maria disse...

Desconhecia o autor. Ando muito afastada da leitura em poesia, embora seja uma apreciadora da mesma. Não consigo chegar a todo o lado.

Simone Felic disse...

Olá Graça
Belíssisimo poema brincando com as palavras.
bjs e boa semana.


http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/


Lídia Borges disse...


Um sentimento de "incapacidade" que parece atravessar o homem dos nossos dias, paralizando-o.

Obrigada, Graça!

Beijinho

Lídia

Mar Arável disse...

Boa partilha
Bjs

Bell disse...

Gostei, uma maravilhosa semana pra vc!!

bjokas =)

Tais Luso disse...

(...) Cantou cansado
Um hino ao desencanto...

Poema triste, de muita sensibilidade (natural do poeta) e belo!
Beijo, Graça! Obrigada por dar-me a conhecer.


Lucinalva disse...

Olá Graça
Lindo poema, desejo uma bela tarde. Bjs

Marta Vinhais disse...

Mas é do pouco que temos que fazer o muito... Cantar mesmo que a voz esteja rouca e se sinta a pior pessoa do Mundo...
Obrigada pela partilha e pela visita
Beijos e abraços
Marta

Ana Maria Braga disse...

Passando por aqui, lendo seu poema e desejando uma ótima semana.
Bjs, Graça.

Majo Dutra disse...

Uma surpresa muito agradável ler um canto vindo dos Açores,
ainda que seja de uma solidão triste...
Beijinho, Graça.
~~~~~~~~~~

Suzete Brainer disse...

Graça,

Excelente poema, uma profundidade tão bela e hipnotizante,
a atingir a raiz da alma!...
Excelente partilha.
Grata pela leitura aqui, querida!
Boa semana com a respiração da poesia...
Beijos.

Teca M. Jorge disse...

Me vejo hoje dentro deste poema...
Um beijo

SILO LÍRICO - Poemas, Contos, Crônicas e Outras disse...

Cantar cansado / Um certo e vão desafio / É pois fingir que não viu / O que está do seu lado. / O certo é ouvir um dado / E conceber que o ouviu / Sem senões e sem desvio / Como se fosse um recado. / Na vida o se estar atento / Sempre se marca algum tento / No jogo de uma disputa / Mesmo em raciocínio lento / Enxergar é o advento / Da paz mesmo que em luta. Gostei de seu poema inspirador. Meu abraço fraterno. Laerte (Silo).

Isa Sá disse...

Bonito poema. Tenha uma ótima semana!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

LuísM Castanheira disse...

Não é fácil, não...!

"[...]Tomar para a alegria
O caudal de impurezas
A deslizar da solidão...[...]

Mas este hino transborda de emoção.

A "seara" estende-se até nós...

Um beijo, Graça

Arroz Di Leite disse...

Lindo como todos. Semana linda.

Bjs

Tânia Camargo

Blog da Gigi disse...

Abençoada semana!!!!!!!!!! Beijos

Pedro Luso disse...

Olá Graça.
Um belo poema (“Em seara alheia”), de Rui Almeida, que não conhecia
(a não ser que você postado aqui outro poema dele e eu tenha lido).
Um excelente poema, e disso você sabe bem, poeta.
Abraço.
Pedro.

Cadinho RoCo disse...

Pelos cantos do nosso viver os cantos cantados por nós.
Cadinho RoCo

Ailime disse...

Boa noite Graça,
Um poema muito belo que fala talvez dos inconformismos que só a sensibilidade dos grandes poetas pode alcançar.
Um grande beijinho e obrigada pela partilha.
Ailime

FATIMA WINES disse...

Bom dia Graça,

Um poema escrito com tinta de alma.Profundo, sentido.
Excelente escolha.
Não conheço o autor, mas, promete.
abraço

Mirtes Stolze. disse...

Bom dia Graça.
Um belo e triste poema. A solidão é algo que pode ser prazeroso quando se está sozinho por opção.E muito sofrido de outras formas. Uma feliz continuação da semana. Aproveitando o feriado para vim lhe ver. Beijos.

Fê blue bird disse...

Um poema que mostra desalento mas também uma grande sensibilidade e observação ao mundo que o rodeia.
Grata pela partilha amiga Graça

Um beijinho

Eduardo Aleixo disse...

Canto que é libertação das águas inuteis que nos sujam os poços que somos.
Curto, mas incisivo poema.
Abraço.

graça Alves disse...

Parabéns pelo livro ao seu amigo, Graça!
beijinho

CÉU disse...

Olá, Graça!

Desconheço autor e obra, mas gostei do que li, embora a erudição seja elevada. Qdo assim é, ou seja, qdo a poesia não está ao alcance de todos, cada pessoa interpreta as palavras do poeta à sua maneira, e talvez a diversidade de opiniões seja o que se pretende.

Palavras tristes, bem posicionadas, esperando oceanos de luz. É normal, a esperança.

Beijos e dias felizes.

teresa p. disse...

Um hino ao desencanto, triste mas muito poético...
Gostei muito!Parabéns ao autor e obrigada à Graça por o dar a conhecer "Em seara alheia".
Beijo.

Luis Coelho disse...

Uma dor que transborda no caminhar do amor
O amor não transborda dos poços. Aí se afunda.
O amor verdadeiro corre das nascentes de águas puras e transparentes.
Peço desculpa pela ausência. Estou voltando.
Agradeço as visitas e os comentários.

Ana Freire disse...

Dor e solidão... expressas de uma forma muita tocante, e bela...
Um poema lindo, Graça, de um autor que desconhecia...
Mais uma partilha de qualidade notável!... E que é sempre um prazer, descobrir por aqui...
Beijinho! Bom fim de semana!
Ana

Laura Ferreira disse...

Bonito...

Odete Ferreira disse...

As tuas partilhas são sempre de enorme valor literário.
Como não conheço o quotidiano literário de outros países, só posso ajuizar do meu: somos mesmo um país de homens e mulheres de letras!
Parabéns ao autor!
Bjo, Graça :)

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Bom dia, querida Graça, li e reli o poema que compartilhou, confesso a você
que minha alma chorou. Estamos todos desencantados, porém há tantos que não conseguem mais encanto.E, o maravilhoso poeta teve ímpetos e inspiração para escrever sobre um tema que dói em todos, a nossa incapacidade. Grande abraço!

Victor Barão disse...

Boa tarde, hoje 15/10/2016 é o primeiro dia que estou a tomar contacto com este blogue "Ortografia do olhar" e já fiquei preso! Obrigado e parabéns!

E agora pegando nas palavras da cara Odete Ferreira, se acaso reforçando as mesmas, apetece-me dizer que apesar de eu estar muito longe de ser uma pessoa/homem de letras, no entanto até por mim mesmo devo acrescentar que muitas vezes e/ou em muitos casos, à falta doutros recursos, as letras podem ser e são uma "tábua de salvação"!... vb

Sinval Santos da Silveira disse...

Oi Amiga, Graça Pires !
Linda transcrição de uma meditação
poética.
Como sempre, parabéns pela bela
escolha, e muito grato por partilhares.
Um carinhoso abraço, aqui do Brasil.
Sinval.

Jaime Portela disse...

Acho que nunca li nada do Rui Almeida. Mas, a julgar por este excelente poema (e pelo que dizes dele), deve ser um poeta a ter em conta.
Graça, tem um bom domingo.
Beijo.

AC disse...

O desencanto grassa por aí, Graça, tudo se parece basear na forma, em detrimento do conteúdo.
Um poema que põe o dedo na ferida.

Um beijinho :)

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
LEVANDO EM CONTA A BELEZA DO TEXTO E TEU AVAL, SÓ POSSO CONSIDERAR O POETA E SUA OBRA.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema cheio de sensibilidade, mas no desalento do poema encontramos a esperança.
muito bom a escolha deste trabalho.
um beijinho
:)