23.8.17

Distante, o olhar

Katia Chausheva 

Distante, o olhar procura
as linhas entrelaçadas
no tempo dos tempos,
no esquecimento dos dias,
na raiz de um som primordial,
no rasto de vidas que se cruzaram.
Com a boca cheia de silêncios
clamo o vazio absoluto em minha voz
tão inacabada, tão sequiosa,
tão presa à garganta.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015

47 comentários:

Cidália Ferreira disse...

Excelente poema! Obrigada pela partilha

Beijinhos e um dia feliz

Daniel Costa disse...

Graça Pires
Distante o olhar, talvez impirico, porque a mente está bem presente e o poema ficou magnifico,
sentido por admirador.
Beijos

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo e introspectivo. Recordações que se cruzam com silêncios que se fazem sentir numa necessidade de os eternizar.
Um beijinho minha Amiga.
Continuação de boa semana,
Ailime

Ana Bailune disse...

Boa tarde!
Procurando por blogs interessantes para seguir, encontrei o seu. Adoro poesias!

Nidja Andrade disse...

O Olhar mesmo distante não se distancia da alma. Obrigada pelas visitas e comentários! Aquele AbraçO!...

Lucinalva disse...

Olá Graça
Belo poema, bjs querida.

ly heng disse...

Thank you for an enjoyable blog, I look forward to more of the same in 2017.
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Majo Dutra Rosado disse...

~~~
O olhar distante, vislumbra melhor.

Uma composição poética admirável e original...

Beijos, estimada amiga.
~~~~~~~~~~

Olinda Melo disse...


E na procura do porquê das coisas até onde irá o nosso olhar?
Onde pára aquele instante, o momento preciso em que, dotados
de entendimento, começámos a perceber que talvez a realidade
seja apenas uma projecção de sombras, tal como no mito da
caverna?
O som primordial ainda está para vir, será aquele em que
descobrirmos que afinal somos seres inacabados e imperfeitos.
Há que percorrer um longo caminho para que consigamos soltar
o grito que nos libertará das nossas misérias.

Adorei o seu poema, querida Graça, prenhe de um mundo de
interpretações e de causalidades.

Bj

Olinda

Chic' Ana disse...

Um poema que nos faz pensar! Muito, muito bonito.
Beijinhos

Lídia Borges disse...


As imagens que acompanham os poemas, parecem dar-lhes uma outra roupagem, apercebo-me agora. Isso é interessante. Nada se perde do escrito e, dado a cuidado que a Graça coloca nessas escolhas, alguma coisa mais há a "ler" nesse diálogo texto/imagem.

Beijo

Lídia

Alfredo Rangel disse...

Silêncios são descuidos da alma. São armas letais nos olhos de alguém...
Proíba-se o silêncio e o mundo brilhara´mais...

Toninho disse...

Mergulhar é preciso nos dias que os olhares se dispersam e cruzam com os sentimentos que nas entrelinhas entrelaçam velhos romances ainda não esquecidos.
Beleza de construção de sentimentos Graça.
Bjs de paz.

Nadine Granad disse...

Ah, maravilha de versos!
Sempre é um prazer ler-te, Graça!

Esse olhar que é cego... Essa voz que emudece... Sintamos!

Beijos! =)

Pedro Luso disse...

Um poema sensível e denso, busca no tempo, inconformismo nessa sondagem, que castiga.
Mais um de teus belíssimos poemas, querida amiga Graça, .
Um beijo.
Pedro

Tais Luso disse...

Muito belo, reflexivo, aliás esse é o seu estilo, poemas com conteúdos que causam, as vezes, um impacto. O olhar parou onde a mente não quis chegar!
Gostei muito, querida Graça.
Um beijo, feliz dias, sempre.

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Agostinho disse...

Graça tem a magia de conservar nas mãos a pureza inicial. As "coisas" intocáveis são a (sua) poesia.

Num tempo tão longe
e tão perto de nós
- em nós -,
o silêncio que anuncia o sopro
do fonema que se faz voz.

Bj.

Marta Vinhais disse...

Procura uma resposta....Apesar do silêncio....
Lindo...
Obrigada pela visita....
Beijos e abraços
Marta

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, o lindo poema, o mesmo embeleza o triste olhar.
Continuação de boa semana,
AG

Suzete Brainer disse...

Muito belo poema, inscrito de um olhar em voz
caminhante e reflexiva neste caminho-vida!...
Acompanha a imagem excelente neste aprofundar
e ilustrar o poema.

Grata pela maravilhosa partilha de (sua) arte, Graça.
Um beijo.

Jaime Portela disse...

Mais um excelente poema.
Nunca o faz por menos, de resto...
Bom fim de semana, amiga Graça.
Beijo.

Graça Sampaio disse...

Entrelaçadas e bem as palavras do poema como entrelaçadas estão as linhas que ele, com leveza, refere...

Sempre muito belo e muito emocionante. Obrigada

Beijinho.

CÉU disse...

Olá, estimada Graça!

Ah, esse "seu" olhar repleto de recordações, enleadas e abraçadas no tempo, que parece já não voltar e não volta, seguramente, pke o tempo não volta atrás, diz quem ama. Deixe lá, minha querida! Que na sua essência fique o odor e o sabor dos momentos sem nome. Sabe quais foram e são, certamente.
Entre silêncios e vazios, há a voz da memória, que não está confusa, nem presa ao cérebro.

A imagem está perfeita para aquilo, que a Graça, tão bem, escreveu! A mulher olha o tempo, o escuro, numa atitude de inconformismo, mas quem sabe lá o que poderá suceder no tempo vindouro. Afinal, o tempo ainda não terminou.

Estamos com deficit de comentários, este mês, ao contrário da nossa economia, que já vai em 2,9% de crescimento, obviamente. A da Alemanha, o,6%, segundo li. Ele há coisas!

Beijos e dias felizes.

Célia Rangel disse...

Intenso poema que reproduz o conter de nossa voz que se cala para não se magoar ainda mais...
Abraço.

Luis Eme disse...

Também eu fico maravilhado com as tuas palavras e com a boca cheia de silêncios. :)

Abraço Graça

Victor Barão disse...

A poesia muitas vezes esmaga-me, silencia-me... este é um caso!
Beijo, com humildade e admiração

Teresa Almeida disse...

Bem delineado o pensamento de quem quer perscrutar silêncios infinitos.

Beijinho, amiga.

Ani Braga disse...

Que lindo Graça...

Amei o poema.

Beijos
Ani

Marta Moura disse...

Lindo, lindo!

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...

Querida Graça, situações adiversas levam o ser humano buscar suas lembranças como linhas perdidas no tempo e no espaço. Resgatar as memórias perdidas. Parabéns pela poesia cuidadosamente escrita. Amiga, fica na paz, tenha um final de semana feliz sempre iluminado com a luz Divina. Abraços da amiga Lourdes Duarte

ManuelFL disse...

O olhar distante de que fala o poema pode ser a nossa demanda sem fim de sentido, de propósito, de luz e calor, em que o outro se revela e nos revela, sempre que "no rasto de vidas que se cruzaram [fica a voz]tão sequiosa, tão presa à garganta".
Dor, anseio, inquietação que se acalmam, se convertem em voz que se solta alegre e jubilosa, ao lermos os poemas que a Graça, sempre generosa, partilha connosco.
Beijo.

graça Alves disse...

Tão lindo, Graça!
beijinhos

Aline Goulart disse...

O olhar busca o que a voz não consegue mais expressar.
Belíssimo poema. De uma intensidade incrível.

Um ótimo fim de semana.
Beijinhos.

Sinval Santos da Silveira disse...

Mestra das letras, Graça Pires !
No olhar distante, a ansiedade da voz
a clamar pela liberdade de poder falar.
Que belo poema, como sempre !
Um carinhoso abraço, Amiga, aqui do
Brasil !
Sinval.

© Piedade Araújo Sol disse...

Graça

tão belo o poema!
onde o silêncio se faz voz,
embora inacabada, embora presa na garganta.

bom fim de semana.
beijinhos
:)

teresa p. disse...

Um olhar distante sobre vivências perdidas no tempo no "rasto das vidas que se cruzam", nos silêncios doridos a clamar "o vazio absoluta da voz, tão sequiosa e tão presa à garganta" Magnífico!
A imagem é bela e muito adequada ao tema.
Beijo.

tulipa disse...


Graça

tão boa a sua presença nos meus blogues
Muito grata fico.
Não pode imaginar o BEM que me faz!
beijinhos

Distante, o meu olhar nada procura
pensando bem
nem em outros tempos,
fui alguma vez feliz
Fui deixando o tempo andar
foi passando
e eu inerte, nem reagia
no esquecimento dos dias,
caminhando de casa para o trabalho
Com a alma cheia de silêncios
a solidão me invade
e, a depressão não me larga!

Teresa Durães disse...

Um belo poema! Com a voz silenciosa melhor ouvimos o que está para além de nós

Ana Freire disse...

Beleza e nostalgia, num poema sentido e profundo...
Adorei este olhar distante... em mais um trabalho de excepção, Graça!
Beijinho! Boa semana!
Ana

A Casa Madeira disse...

Belo poema que o silêncio nos traz.
Boa semana.

Blog Donna Gatta disse...

Olá Graça,
Você é demais!! 👏🏻👏🏻👏🏻

mz disse...

Atrofiamos as palavras quando o olhar lembra o passado.

Um abraço.

José Carlos Sant Anna disse...

O poema, ao expor a representação espontânea de algo verdadeiro, ou que o poeta reconhece como tal, soa, por isso mesmo, tão particular quanto universal, pois o que se expõe não separa o geral da manifestação particular “clamo o vazio absoluto em minha voz/ tão inacabada, tão sequiosa / tão presa à garganta, que finaliza o poema.
Beijo,

Odete Ferreira disse...

Se, porventura, tivesse a arte de exprimir o momento em que o olhar se absorta para , em escassos segundos, revisitar o essencial da vida, seria dentro desta linha poética. Não a tenho, mas tenho o privilégio de te ler, Graça!
Bjinho

Teresa Almeida disse...

É inegável o teu dom de tocar o âmago da poesia.
Grata.

Beijo.

solfirmino disse...

Gostei desse poema, "Com a boca cheia de silêncios/ clamo o vazio absoluto em minha voz
tão inacabada, tão sequiosa,/ tão presa à garganta."

Lembro um meu, no livro Das estações:
"Em silêncio, recolhi minha âncora,
mesmo quando me doía partir.
Estou lúcida, sei rir e chorar.
Agora simplesmente chove
e eu tenho o mar inteiro só para mim."

Beijos