18.9.17

O verbo

Christine Ellger


O verbo: clareira em cama de fenos
ou ilha oculta de ocultos silêncios.
Como se o nervo do vento
fustigasse a voz dos poetas
esmagando a rigidez dos sons.
Apta a declinar as regras do jogo
retenho, nas arestas da página,
o som do lápis, como um pião
rodopiando traços inseguros.
A película de imagens no interior do texto,
levemente aberto ao segredo das mãos
deixa que me habite um desvario
que faça regressar um verso invisível.

Graça Pires
De  Uma claridade que cega, 2015 

50 comentários:

Laura Ferreira disse...

belos, o verbo e a imagem.
boa semana, Graça

Marta Vinhais disse...

E deixa imagens perfeitas na mente... Porque os verbos também rimam....
Lindo...
Beijos e abraços
Marta

Alfredo Rangel disse...

Uma das mais lindas poesias que já tive o prazer de ler. Tudo o que escreves, Graça, fala ao meu coração. Fala ao coração de quem ama poesia. Prazer em ser teu leitor...
Beijo

Cidália Ferreira disse...

Maravilhoso poema! Amei.

Beijinhos e uma excelente semana

Bell disse...

Mergulhei nos versos, que imagem linda.

bjokas =)

Agostinho disse...

O verbo se fez poema!
na mão segura de Graça Pires.
E faz.

Daí a fé, nossa, na palavra
libertada "nas arestas da página". Daí esta comunhão.
Bj.

mz disse...

"O Verbo":
um estado de alma que do invisível se torna poesia, aqui nesta "ortografia".

Um abraço.

Lídia Borges disse...


"clareira em cama de fenos..."
Visível, o verso!
Tocável, a tua Poesia.

Um beijo meu

Lídia

Maria Rodrigues disse...

E através do Verbo se divaga num poema maravilhoso.
Boa semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
A wonderful post with a nice book. So special
Your words are so nice.

Hugs, Marco

Helena Primeira disse...

Achei uma ou outra parte confusa, mas gostei, parabéns :)

*XoXo
- Helena Primeira
- Helena Primeira Youtube
- Primeira Panos

Adilene Martins disse...

Que imagem linda
adorei os versos

Estou te seguindo
https://blogdaadilene.blogspot.com.br/

CÉU disse...

Olá, querida Graça!

Grata pela sua visita e comentário sucinto, mas que a fez pensar em tudo, bom, espero!

Já li e reli o seu poema, mas a palavra, a minha, hoje não está de feição e talvez esteja mesmo escondida em algum verbo intransitivo.

Voltarei, depois!

Beijos e dias de claridade, que não cegue (rs)!

Toninho disse...

Que maravilha Graça! Do ventre da famosa Claridade um belo poema do incontido, onde cabe todos os sentimentos e olhares.
Abraços amiga.
Bjs de paz na feliz semana.

Tais Luso disse...

Aqui encontro talento e o maior bom gosto na escolha das obras pictóricas!

"Como se o nervo do vento
fustigasse a voz dos poetas
esmagando a rigidez dos sons."

Que lindo...você tem o dom da poeta.
Beijo, querida amiga!

Victor Barão disse...

A poesia, dalgum modo como a própria vida, resulta-me num misto de enigma e de revelação, umas vezes mais prazeroso outras vezes mais inquietante, mas em qualquer dos casos enriquecedor!
Parabéns e obrigado
Votos de excelente semana
Beijo

Isa Sá disse...

Bonito poema.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

dinapoetisadapaz disse...

Poema curto , enxuto de linguagem rebuscada.
Abraço!

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um excelente e belo poema.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

São disse...

As imagens no interior do texto são sempre mensagem.

Beijinhos, amiga, bom resto de semana

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Bom dia, Graça
poema cheio de metáforas que concordam e dão beleza ao seu poema.
Um vocabulário bem rebuscado próprio de sua escrita.
Muito bom. Grande abraço!

Daniel Costa disse...

Graça Pires
Mais das belas construções poéticas de se lhe tirar o chapéu.
Beijos

Ana Freire disse...

Um poema surpreendentemente belo... que se desmultiplica em tantas imagens... absolutamente notável, Graça!
Adorei cada palavra! Para ler e reler!...
Beijinho! Feliz e inspirada semana!
Ana

José Carlos Sant Anna disse...

A palavra se faz verbo, e o verbo, esta grande viga, sustenta um poema de proporções gigantescas, ainda que pareça pequeno na forma. As palavras se juntam e formam este conjunto harmonioso de imagens, que se mantém de pé, graças a força da linguagem, tão bem construída por esta arquiteta (das palavras).
Goste muito deste poema, traz um timbre acolhedor. Traz um eco que identificamos o seu grito.
Beijo, minha amiga Graça!

Cadinho RoCo disse...

Tudo na ventania da vida. www.hellowebradio.com ... você. Vem!
Cadinho RoCo

Aleatoriamente disse...

Que riqueza por aqui sempre
em teus escritos
querida amiga Graça.

Um beijo querida

ManuelFL disse...

A poeta reivindica a liberdade da palavra contra todos os jugos, afirma a poesia como altaneira rebeldia, como desassossego: «deixa que me habite um desvario / que faça regressar um verso invisível».
Adorei a ilustração.
Beijo.

Lourdinha Vilela disse...

Poetas; seres invisíveis que verbalizam alguma e toda coisa da própria alma. (Do meu dicionário) Adorei seu poema Graça, seus "Traços jamais serão inseguros", tens nas mãos a harmonia, a ambiguidade das palavras,maturidade e sabedoria. Um abraço grande poeta.

Pedro Luso disse...

Graça, sempre é muito bom vir aqui neste espaço para ler os teus poemas, escritos que são com técnica e inspiração, além dos elogiáveis temas, exemplo de arte poética a ser seguido. Parabéns.
Um beijo.
Pedro

© Piedade Araújo Sol disse...

Graça

cito :

"Como se o nervo do vento
fustigasse a voz dos poetas
esmagando a rigidez dos sons."

e do verbo se fez palavra e poema!

gostei da imagem de suporte da Christine Ellger

beijo minha amiga

:)

teresa p. disse...

"O verbo" forma-se na solidão "ilha oculta de ocultos silêncios", depois solta-se o poema com a liberdade que a poeta lhe imprime. Profundo e pleno de imagens belas.
A fotografia é mágica!
Beijo.

Smareis disse...

Boa noite Graça!
Uma combinação fantástica da imagem e o poema.
Verbo profundo e belo, lindamente construído.
Continuação de boa semana.
Beijos!

Suzete Brainer disse...

Eita, Graça, não consigo imaginar o verbo no ato poesia
a caminhar tão belamente e no sublime da arte original.
Sempre deixo o seu espaço no encantamento do
verbo admirar!...
Beijos!

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
São tão belos os seus versos na visibilidade da sua sublime poesia.
Um extraordinário poema!
Beijinhos, minha Amiga.
Ailime

Graça Sampaio disse...

É o que se pode chamar "escalpelizar o momento da escrita"! Muito bom!!! O verdadeiro domínio da(s) palavra(s) justa(s).

E a imagem é soberba!

Beijinhos, Poeta!

Aline Goulart disse...

As tuas palavras me encantam. Achei a imagem em plena sintonia com a tua bela poesia.

Uma ótima sexta.
Beijinhos.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, seu dom para criar poemas é fascinaste, não sou poeta nem grande admirador de poemas de amor, fico encantado com as suas criações poéticas.
Feliz fim de semana,
AG

Jaime Portela disse...

Mais um excelente poema.
Parabéns pela criatividade.
Bom fim de semana, amiga Graça.
Beijo.

Teresa Almeida disse...

Maravilhosa inspiração!
Beijinho, Graça!

LuísM Castanheira disse...

O Verbo nas mãos. E a 'revelação', qual foto na câmara-escura da 'fotógrafa', Mestra.

Belo Poema em segredo desvendado.

ps.- tenho estado impedido, através do painel do m/blog, publicar comentários. Hoje experimentei por outra via, como qualquer outro visitante que vá pelo google e, espero conseguir.

Um beijo, Amiga e desculpe está ausência, não na leitura, mas sim nós cometarios.

Bom fim-de-semana.

CÉU disse...

Olá, querida amiga!

Deixe que elogie e deixe os meus olhos na imagem, que tem tantos verbos, que talvez estejam deitados em linhos tecidos com a luz do luar. Já é tarde, já é bem tarde!

Gosto do jogo de palavras, que estabelece com os objetos, como o lápis, que ao livro, que à palavra pertence. O pião rodopia por perto, como que a fazer sobressair, saltar as palavras. Aqui, não é preciso, porque quem as concebe, quem as pensa e entrelaça, conhece de cor e salteado, a magia e o simbolismo delas, portanto, aqui não pode haver invisibilidade.

Beijos e bom fim de semana.

manuela barroso disse...

Deixaste que o verbo te habitasse e declinaste com ele e nele cambiantes metafóricos onde as arestas ficaram com uma sublime delicadeza !
Beijinho grande minha querida amiga ! 😘😘😘

Franziska disse...

Un poema de talante y talento, lleno de significado y pleno de vigor creativo. Ha sido un placer su lectura y, sin duda, recordaré alguno de sus versos.

Saludos muy afectuosos y cordiales. Franziska

FILOSOFANDO NA VIDA Profª Lourdes Duarte disse...

uma poesia linda que nos remete a importância dos livros. Eles podem ficar com suas páginas frágeis mas as leituras sempre ficarão fortes em seu contexto. Um lindo poema com um simbolismo forte e criativo. Estamos na Primavera a mais bela estação do ano! Que venham as flores para enfeitar nossos dias.
Bom final de semana... Que cada dia seja iluminado com gotas de alegria e sabedoria para que possamos viver na paz com toda a humanidade.
Abraços da amiga Lourdes Duarte.

baili disse...

Beautifully described!!!

Captivating poem dear Grace!

manuela baptista disse...

os nossos habitantes secretos a ganhar vida na ponta de um lápis


um abraço, Graça



Anete disse...


Um poema muitíssimo profundo.
O verbo sugere movimento
e os seus versos me fizeram pensar nos sentimentos e emoções de uma grande poetisa...

Abraços

solfirmino disse...

"Como se o nervo do vento
fustigasse a voz dos poetas..."

Adorei esse poema, como adoro tudo o que escreve.
Beijo

Odete Ferreira disse...

Talvez um dos teus poemas mais metafóricos; na verdade, cada segmento frásico remete para um mundo pluri dimensional, só possível porque a poeta joga no verbo todas as narrativas da (sua) narrativa.
Admirável talento, Graça.
Bjo

graça Alves disse...

É muito bonito, Graça!
beijinho