16.10.17

O tumulto das areias


José Pancetti

Com barcos torneando os ombros
decifro o rumo das viagens
em minhas mãos atentas ao desalinho
das cordas destecidas pelas vagas.
Sei que os mapas não assinalam
o tumulto das areias com que o vento
vai refazendo as dunas.

Graça Pires
De Uma claridade que cega, 2015

58 comentários:

✿ chica disse...

Linda tua poesia e a imagem idem e não vejo a hora de chegar nesse ambiente e cenário...bjs, INTÉ! chica

mz disse...

Os mapas, de facto, não se movimentam por si só, são somente um plano que orienta. Em cima dele, sobrepõe-se uma paisagem sempre em transformação, tal como o pensamento e o mote da poesia em que a Graça é exímia e de uma imaginação inesgotável.

Beijinhos e boa semana.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um belo poema muito bem ilustrado por uma magnifica pintura.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Marta Vinhais disse...

Não, somos nós que o desenhamos... Seja na areia, nas montanhas, no mar....
Porque estamos lá...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Alfredo Rangel disse...

Graça, Não há como confiar cegamente nestes ventos nem nestas vagas... Tal qual é a vida... Parabéns e grande beijo. Tuas poesias são, sempre, portos seguros...

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde, Graça.
Esse desenhar de renovação ou mesmo uma destruição é semelhante ao sexto-sentido.
Muito bom.
Tenha uma linda semana de paz.
Beijos na alma.

Patrícia Pinna disse...

Boa tarde, Graça.
Esse reconstruir ou mesmo destruir dos formatos da vida , assemelham-se ao sexto-sentido.
Parabéns.
Linda poesia,sempre.
Abençoada semana de paz.

Cidália Ferreira disse...

Gostei bastante! Parabéns

Beijo e uma excelente semana.

Blog Donna Gatta disse...

Olá Graça,
Muito bom!
Falando em dunas, lembrei de um lugar super lindo no Estado da Bahia,aqui no Brasil. É uma vila de pescadores, o nome é "Mangue Seco" a uns 240 quilômetros de Salvador a capital, cuja a característica são as imensas dunas que com a força dos ventos, vem cobrindo ao longo dos tempos, coqueiros, casas, e até ruas...
Beijosss.

Bell disse...

Que lindo, viajei em seus versos.

bjokas =)

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo.
Depois da tempestade vem a bonança e a poesia acontece sempre com o seu elevado cunho poético.
Um beijinho e boa semana.
Ailime

Crônicas e Poeira disse...

Que bonito...

Tais Luso disse...

Muito lindo, querida Graça, hoje pela manhã estava lendo você em "Poemas Escolhidos"...
A obra acima, quando abri já reconheci Pancetti de imediato. Maravilha.
Como sempre, querida amiga, você arrasou!
Beijo, dias melhores pra Portugal, me solidarizo com nossos irmãos portugueses, nuito triste...

Agostinho disse...

"O túmulo das areias" é um magnífico poema que, admito, será uma prenominação. É essa a leitura que faço nestes dias trágicos. "O refazer das dunas" constitui o sepulcro que nos há de submergir como povo? Povo que tocou o mundo inteiro nos pinheiros do Rei-Trovador. Aquele que semeou versos "Ai flores, ai flores de verde pino" onde havia dunas. E agora?
Bj, amiga Graça Pires.

angeloblu disse...

un bel viaggio attraverso questi versi... grazie per essere passata cara,
un abbraccio ed ancora complimenti per le tue poesie molto belle

baili disse...

What compelling view!!!
and Lovely poetry Grace!

you painted so well the restlessness of sand and carnation of wind

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema.


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Marco Luijken disse...

Hello Graça,
Nice poetic words with a wonderful picture.

Have a nice day.
Hugs, Marco

Laura Ferreira disse...

será que os mapas assinalam o tumulto das mãos?

Cadinho RoCo disse...

Montagem e desmontagem das palavras inspiradas pela areia ou da areia inspirada pelas palavras. Lindo! www.hellowebradio.com ... você.Vem!
Cadinho RoCo

Maria Rodrigues disse...

Belissimo poema.
Que depois do tumulto venha a tão desejada paz e serenidade.
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Natanael Gomes de Alencar disse...

Sem palavras. Ou melhor:com palavras. Suficientes, de um arenoso ofuscante.

Ana Freire disse...

Decifrando os desígnios do mar... que é tão profundo, incerto, e fascinante, como a própria vida...
Um belíssimo poema, Graça, como sempre acompanhado, com um soberbo suporte em imagem...
Mais um post excepcional, por aqui!
Beijinho! Continuação de uma óptima semana!
Ana

Gaby Soncini disse...

Sua poesia deixa a gente no mar!
Linda!

Beijos!

José Carlos Sant Anna disse...

Pancetti cria, inspira. E não há diferença entre o mar de Pancetii e “o tumulto das areias”. No primeiro, os pincéis dão forma e, “no tumulto”, o brotamento dos signos verbais, o trabalho metafórico do poeta dão vigor e colorido ao poema. Ambos nos levam ao encantamento.
"O tumulto das areias com que o vento vai refazendo as dunas" se assemelha ao trabalho do poeta, costurando as palavras, refazendo "o real". Gosto dos seus poemas>

Sofia disse...

A imagem e o poema transmitem tranquilidade (=

Bom resto de semana! Beijinhos

Profª Lourdes disse...

Olá amiga, mais uma postagem que dá gosto de ler e apreciar. Linda postagem.

Abraços com desejos de uma noite de paz e um amanhecer feliz.

Maria Glória disse...

As linhas, as palavras, me fizeram viajar para longe, inspiram e são belas, Graça.
A imagem é encantadora, com cores maravilhosas.
Um abraço do Brasil.

Pedro Luso disse...

Olá, Graça!
Retiras de teu livro (Graça Pires. De Uma claridade que cega, 2015), este belíssimo poema, "O tumulto das areias". Parabéns, quminha amiga.
Um beijo.
Pedro

LuísM Castanheira disse...

O "pinhal do rei" e as dunas que sustém
E agora? como pergunta o Agostinho.
Teria sido tão só incúria
ou estaremos condenados a um deserto de ideias?

Um belo poema, inspirado e inspirador, dos mapas que não saberemos ler.

Um beijo, minha Amiga e uma boa semana.

São disse...

Os mapas deixam de fora muita coisa...

Beijinhos, linda, bom resto de semana

ManuelFL disse...

"O vento vai refazendo as dunas", mas é sempre o mesmo deserto, igual e diferente, novo e antigo, familiar e estranho, oásis embriagante, vazio e silêncio. Só não nos perdemos porque as mãos da Graça, atentas ao desalinho das palavras, nos maravilham e fazem sonhar.
Beijo.

Anete disse...

Lindo e precioso poetar...
O mar e suas areias nos convidam a prosseguir...
A vida com poemas e reflexões fica mais viva e vivificante...
Beijinhos

Jaime Portela disse...

Nem tudo vem nos mapas...
Excelente poema. Como sempre, aliás.
Continuação de boa semana, amiga Graça.
Beijo.

Suzete Brainer disse...

A impermanência da vida pousada nas mãos da poeta,
em palavras construídas de imensa poesia em gestos!...

Belíssimo, Graça!
Beijos.

Lídia Borges disse...


Gosto de vir. Tuas palavras, viagem!

Beijo meu.

Lídia

CÉU disse...

Olá, estimada Graça!

Eu sei que, embora, os "barcos" sejam, por vezes pesados, há gente, como é o seu caso, que consegue saber o sentido da "rosa-dos-ventos", mesmo que as vagas desalinhem o percurso normal dos acontecimentos.

Pois não, minha amiga! Os mapas mostram o físico, o geográfico, mas as "tormentas", não.

Beijos e resto de boa semana.

Marta Moura disse...

Bom fim de semana Graça. Beijnhos

teresa p. disse...

Os barcos inspiram a decifrar o "rumo das viagens", Mas os "mapas não assinalam o tumulto das areias" nem as tormentas que se deparam na rota que se escolhe. O poema e a foto são maravilhosos.
Beijo.


Mar Arável disse...

Com muito trabalho das tuas mãos
tudo se move
Bj

Profª Lourdes disse...

20 de outubro dia do Poeta.
Querida Poetisa, que jesus te iluminando e que você continue nos encantando com suas lindas poesias.
Já dizia os poetas:
“Ser poeta é fazer de cada despedida uma saudade
É ter nas mãos os sonhos, vivê-los de verdade
Chorar, sorrir, sem medo de viver...”

“Poeta para ter o dom...
Das palavras...
Palavras de ternura... de carinho...
E poder encher...
nossos coração com amor
Escrevendo seus lindos versos e poesias”.

Parabéns!

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Minha amiga Graça

Os mapas escondem muitas coisas...
sentimentos... conversas... palavras...
pessoas...

Que a poesia lhe acompanhe sempre...

Aluísio Cavalcante Jr.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Boa tarde, Graça,
imagem e poema maravilhosos.As dunas agem como se tivessem vida, pois
mudam-se quando querem, neste desmanchar-se e refazer-se igualam -se conosco que caímos e nos refazemos para acertar na vida, há tantas leituras a serem feitas através deste poema lindo.
Li sua poesia no blog da Tais, "A Cidade". Gostei muitíssimo. Vi que a sua obra Poemas Escolhidos está esgotada, ou não consegui acessar.
Aproveito para mandar uma oração à população de Portugal que passa por momentos de grande tristeza.
Grande abraço!

Fá menor disse...

Devíamos estar atentos aos sinais...
Quem estará?
Nem mapas, agora só o GPS para nos indicar os rumos,
e tanto que se perde.

Bom fim-de-semana, amiga!

Teresa Almeida disse...

Poesia é vaga, desalinho, tumulto e viagem que acaricia a pele.

ADOREI, amiga Graça.

Beijinho

Olinda Melo disse...


Boa noite, Graça

Traçam-se rumos muitas vezes fora do
nosso controlo mas, pé-ante-pé,
procuraremos a inefável linha condutora
dos nossos destinos.

Bj

Olinda

Manuel Luis disse...

Um mar agitado de palavras com pétalas de rosas ao vento.
Bjs

Manuel Veiga disse...

sabe-se lá qual percurso dos barcos?
apenas os nomes escritos na areia!

Belíssimo, Graça.

beijo, minha amiga

anuncio-te que reabri os comentários
- espero continuar a merecer a tua presença amiga!

grato

Ana Tapadas disse...

Curto, forte e muito belo...como aprecio!

Beijinho

AC disse...

Quando os barcos nos torneiam os ombros (expressão lindíssima) nada mais nos resta que tentar navegar, rumar a qualquer lugar. É esse o nosso destino.
Mais um belo poema, Graça.

Um abraço :)

Sinval Santos da Silveira disse...

Oi, querida Mestra Poetisa, Graça Pires !
O texto é tão belamente descrito, que
enxerguei a corda "destecida" pela água.
Parabéns, desejando uma ótima semana, com
o meu fraterno abraço, aqui do Brasil.
Sinval.

Emília Pinto disse...

Já não usamos " bibe ", já não brincamos junto ao mar construindo castelos, já não gargalhamos quando uma onda mais forte tenta apanharmos, já não mergulhamos naquelas águas geladassentind-as quentes no nosso corpinho de criança. Tudo mudou em nós, mas o mar continua lá sempre à nossa espera, ora manso ora raivoso, assim como a vida. Contemplamo-lo tantas vezes com a alma triste, esperando que numa qualquer onda ele nos dê respostas para tanta inquietude, mas... em vão, ele continua calado como sempre ; não é a ele que compete dar-nos explicações, mas, sim, a nós mesmos; somos nós que, no emaranhado dos riscos, sinais e nomes, temos de encontrar neste nosso mapa da vida o melhor caminho a seguir ; quantas vezes não nos perdemos, quantas vezes não seguimos o errado, mas...há que continuar, pois voltar para trás continua a ser proibido. A vida também tem marés e por isso, procuremos a baixa para melhor desfrutarmos da serenidade das águas. E com este belo poema, amiga desfrutei de um lindo momento. Beijinhos e obrigada
Emilia

solfirmino disse...



Querida amiga, gosto muito dos poemas desse livro, como o nome já diz, são de uma claridade que chegam a cegar.
O vocabulário é de quem já sabe de tudo, "decifro", "atentas", "sei"...
Beijo e ótima semana.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, lindo e objectivo é a imagem e o poema, o vento forma as boas dunas e as má também, o vento que passa nunca é igual ao anterior.
Feliz semana,
AG

manuela barroso disse...

Uma lonjura no tempo na lonjura da viagem na incógnita das vagas.
"Longos" os teus poemas, Graça!
Abraço!

Odete Ferreira disse...

Magistral forma de dar corpo ao "desalinho" de tudo o foi e é vida e do rumo que se lhe dá.
Bjo, poeta!

graça Alves disse...

Belíssimas metáforas.
beijinho

Alfredo Rangel disse...

Lindíssima poesia. Relida num dia muito especial para mim.