13.4.09

Enredos de fim de tarde

Manuel Fazenda Lourenço
À revelia de pretéritas lembranças,
um bafo de terra molhada
devolve-me enredos de fins de tarde
que me sugerem os panos coloridos
com que, em criança, fazia as saias das bonecas.
O verso e o reverso de um concêntrico imaginário.
A atmosfera impregnada do meu fascínio de viver.
E pego na fala de Zaratustra para perguntar:
Que temos de comum com o botão de rosa
que verga sob o peso de uma gota de orvalho?
De que matéria somos feitos
que nos torna comovidos e inocentes
perante a promessa da ternura?
Sei o difícil jogo de viver.
Os meus desejos são como as areias
que o vento levanta sem levar para longe.
Nenhuma linguagem explica o devir das paixões.


Graça Pires
De Outono: lugar frágil, 1993

65 comentários:

Paula Raposo disse...

Belíssimo o teu poema...gostei muito, Graça. Beijos.

hfm disse...

Da subtileza das linguagens

Teresa Durães disse...

gostei bastante desde poema!

Lou disse...

Chega o tempo que nos é essencial revolver a areia...

Belase poética reminiscência, Graça, bem como a digressão filosófica a partir da citação de Nietzsche.

Uma excelente semana pra ti,
Lou

Marta disse...

Ninguém explica a razão porque o que sente é pura e simplemente isso - sente-se....
Interessante o poema...
Gostei muito...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

A.S. disse...

Graça,

Ser voz no deserto.
asa no vento
palavra de horizonte...


Bjos

alice disse...

eu penso que a semelhança entre nós e as rosas é a fragilidade e a beleza, mas como elas também temos espinhos, que são os nossos defeitos, a nossa maldade... um poema muito bonito, graça. adorei ler. um grande beijinho.

JMV disse...

Tocado.



um beijinho

Pena disse...

Estimada Amiga:
O verso e reverso da imensa beleza e fascínio deste poema, expressa-se com a ternura e o carinho do seu sentir magistral, com ou sem Zaratustra.
Parabéns! Mais um belo instante de poesia.
Beijinhos amigos.
Com imenso respeito e admiração pelo regresso maravilhoso à sua infância deliciosa feita em versos de encanto.
Adorei! Bem-Haja, amiga.
É uma poetisa fabulosa.
Maravilhado...

pena

OBRIGADO pela simpatia no meu blog que agradeço de forma sincera e sentida.

Peter Pan disse...

Estimada Amiga:
Um momento fascinante e lindo de poesia nos "Enredos de fim de tarde".
De sensibilidade harmoniosa em versos admiráveis que suscitam bem-estar. Um talento poético fantástico.
Perfeito.
Bem-Haja.
Com estima e deslumbrado...
Beijinhos de um imenso respeito.

p.p./Pena

OBRIGADO pela amabilidade no meu blog. Adorei.

Isamar disse...

Leio-te deliciada, amiga! A poesia é um dom que só alguns têm. Encantatório!

Beijinhos

Bem-hajas!

d'Angelo disse...

De que matéria você é feita? De brisa, de estrelas e de pétalas, assim como as suas palavras.

vaandando disse...

e, no entanto, a paixão é uma linguagem una , múltipla...
Belo poema, num jogo de subtilezas, Graça !
beijo
_______ JRMarto

Fa menor disse...

Pretéritas lembranças fazem despertar olhares adormecidos...

Boa continuação das festas Pascais!

Bjs

Gisela Rosa disse...

Fiquei fascinada com este poema "relâmpago" Graça!

Com esta "atmosfera" de paisagens visuais e olfactivas desse desejo "impregnado" de vida que é a paixão!


É lindo!

São disse...

Sim, de que matéria somos feitos?
E como não enlouquecemos face à crueldade do mundo?!
Uma semana feliz, menina.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Sabe, Graça, somos feitos de poesia, essa matéria que encanta e torna cheia de encantos a vida. O poeta é a criança que ficou embrulhada em algum pedaço de papel de infância.

Esse poema eu não conhecia e nem preciso dizer que adorei, preciso?


beijo no coração

susaninha disse...

O poema está muito lindo sem duvida,adorei.
Já algum tempo que aqui passo e sempre me encanto com os belos poemas que aqui coloca, continue assim, é tão bom aqui ler.

Que um anjo te ilumine
Beijinhos de amendoas

Vieira Calado disse...

Olá, amiga!

"Sei o difícil jogo de viver."

E sobretudo sabe-o dizer tão bem!


Beijinhoss

ROSELI OLIVEIRA disse...

Os meus desejos são como as areias
que o vento levanta sem levar para longe...
Graça, sempre leio seus poemas, são belíssimos, há um fascínio nas palavras.Uma indicação perfeita do D'Angelo pessoa muito especial para mim.
... De que matéria somos feitos
que nos torna comovidos e inocentes
perante a promessa da ternura?

Gosto muito!Abraços.

Victor Oliveira Mateus disse...

A infância, a inocência, a ternura... as indeléveis areias
com que se fazem os poemas...

e depois a paixão...esse fulgor cujo devir nenhuma linguagem consegue explicar.

É bom quando a poesia fala das forças da vida... Eu gosto!
Um beijo, Graça.

maria m. disse...

poema do imaginário, dos desejos, da infância, dos sonhos, das perguntas que nos fazemos... muito bonito.

beijo, Graça.

Maria Clarinda disse...

Muito bonito o poema!!!!!
(...)De que matéria somos feitos
que nos torna comovidos e inocentes
perante a promessa da ternura

Beijos mil

CNS disse...

Belíssimo poema, feito dos panos, cores e pretéritos.

Pena disse...

Este Enredos de fim de tarde" fascina. Delicia. Encanta...
Beijinhos amigos de um incalculável respeito.

pena

Tem uma sensilidade linda. Fantástica.

Fernando Campanella disse...

...“Não sou nada. / Nunca serei nada. / Não posso querer ser nada./ À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo...” Foi a partir destes versos, lá pelos meus quinze anos, que senti que faria de meus 'nadas', desta matéria impalpável do 'fugidio' que chamamos de sonhos, a minha poesia..." (Fernando Campanella)

Boa tarde, Graça, obrigado pela visita em meu blogger. Li este mais recente poema que vc postou e achei lindíssimo. Vou visitar teu blogger com mais calma. Tomei a liberdade de transcrever um trecho de uma crônica minha no ínício deste comentário. Trabalhamos com a linguagem da alma. Grande abraço.

viernes disse...

...e sempre são belos os enredos das tardes...

beijos

VFS disse...

Graça,

mas há verbos que nos fazem sentir as correntes do coração.

belo!

teresa p. disse...

"...A atmosfera impregnada do meu fascínio de viver..."

Sim, é ese fascínio dá alma à tua poesia, tão autêntica, tão profundamente bela...
Beijo.

Aníbal Raposo disse...

Lindíssimo poema Graça.

Beijos

Desnuda disse...

Olá, Graça!


Vim de outro blog amigo para conhecer teu espaço....Que espetáculo!!! Belíssimo recanto poético. Escreves versos sublimes!


Beijo

Hercília Fernandes disse...

"Sei o difícil jogo de viver.
Os meus desejos são como as areias
que o vento levanta sem levar para longe.
Nenhuma linguagem explica o devir das paixões".

Belíssimo poema e paisagens interiores, Graça.

Cada dia mais encantada com a sua poesia.

Forte abraço :)

Hercília.

adelaide amorim disse...

Sempre um belo poema no Ortografia do olhar. Estava saudosa daqui.
Um beijo, Graça.

Menina_marota disse...

"...Sei o difícil jogo de viver.
Os meus desejos são como as areias
que o vento levanta sem levar para longe.
Nenhuma linguagem explica o devir das paixões."

Subtil e envolvente como o são, igualmente, as palavras de Nietzsche.

Deixo o meu abraço carinhoso e a certeza de que volto sempre ao abraço da sua Poesia Graça!

Jota Effe Esse disse...

Os sentimentos não foram feitos para serem explicados, mas para srem ssntidos, e só. Meu beijo.

maré disse...

De que matéria se faz o verso e reverso da inocência no devir das paixões?!
De que fala se re.constroi o dionisico colorido das saias da infância?!

os meus desejos são como areias...

______

nenhuma linguagem explica
como te admiro
e deixo-te um beijo apolíneo.

Vanessa disse...

Nossa.. lindo poema!


bjs

© Piedade Araújo Sol disse...

poema transbordante de sentimentos e memórias.

a foto belissima!

beij

mariab disse...

sabes o difícil jogo de viver e a forma de o transportares para a beleza das palavras. encantada. sempre.
beijos

Luis Eme disse...

pois não...

são assim os enredos poéticos de fim de tarde...

abraço Graça

Isabel disse...

bom dia senhora das areias. de ouro!





.



/piano/

DE-PROPOSITO disse...

Os meus desejos são como as areias
------------
Os desejos são desejos. Alguns, nunca concretizados.
Fica bem.
E a felicidade por aí.
Manuel

Maria Clara Pimenta disse...

"Sei o difícil jogo de viver.
Os meus desejos são como as areias
que o vento levanta sem levar para longe.
Nenhuma linguagem explica o devir das paixões".

Seu poema é um ensinamento, uma lição afetiva.

Belíssimo, Graça. Parabéns!

Maria Clara.

De Amor e de Terra disse...

Cada vez que te leio, fico encantada.
Tenho a certeza que já o disse muitas vezes, mas não importa.
Parabéns sempre!
Um beijo

Maria Mamede

heretico disse...

"meus desejos são como areias"...
dir-se-ia plenas de sabedoria. e semente de ternuras insuspeitas.

gostei tanto... tanto.

beijos

http://cinzasdecarvalho.zip.net disse...

Enredos de fim de tarde? São mais preciosidades que vergam à magnitude da sua pena! Belíssima escrita. Triunfante poema. Saudades de tua amiga,
Bárbara Carvalho.

Huma Senhora disse...

O fim da tarde vem sempre de braço dado com o ínicio da noite que tanto me tranquiliza.

Licínia Quitério disse...

Nenhuma linguagem explica este difícil jogo. Mas tentamos, tentamos sempre.

Um beijo.

Nilson Barcelli disse...

Pois não, as paixões são como o voo da borboleta. Aparentemente imprevisível...
Gostei do teu enredo poético, num excelente poema (mais um...).
Bom fim de semana.
Um abraço.

Mar Arável disse...

De facto

enredos

minha amiga

triliti star disse...

nemhuma linguagem pode explicar o inexplicável.

São disse...

Bom fim de semana.

Philip Rangel disse...

Otimo mesmo o seu poema...sempre temos....q viver um dia apos o outro...

abraçao

Henrique Dória disse...

Finalmente voltei aqui.è bom regressar e ler a tua paixão pela vida, pela poesia.Beijos

Peter Pan disse...

Genial Amiga Poetisa:
Um Poema fantástico. Fascinante.
Um nome a reter pela sensação de deslumbre e maravilha: GRAÇA PIRES!
Delicia o olhar. Os sentidos todos.
Sinceramente, só vejo beleza e pureza lindas e doces em si e no que faz.
Alguém verá...? Como tudo o que aqui faz...Oh, talentosa amiga...

Beijinhos cordiais de respeito e de enorme amizade

p.p./Pena

Fabuloso, amiguinha!

Monte Cristo disse...

Palavras e ideias trocam-se e cruzam-se como os ténues fios de uma teia de aranha. Onde começam as nossas e acabam as dos outros?
Tal como as paixões, não importa explicar. Mas havê-las. E deixá-las ir, «como se não fossem nossas».

Um beijo.

Benó disse...

Um abraço, Graça, por mais este lindo poema.Paixões que não se explicam e que tornam, na realidade, toda a vida num fascínio.

Bia Pedrosa disse...

a delicadesa das palavras somadas a sensível escolha da imagem... teu blog é um respiro!

beijos

simplesmenteeu disse...

É ao fim da tarde, quando as cores se adoçam e as formas se arredondam, que os sonhos redopiam com as sombras do passado.
Nessa hora a ternura é em nós uma pétala de flor ou uma gota de orvalho, inocente e pura em que nos desfazemos...

(embora seja subjectiva a importância dos selos e prémios, deixei no meu blog um selo)

Abraço terno e grato

Parapeito disse...

...Enredos de fim de tarde....mágica
****

Tétis disse...

Maravilhosos poemas, uma poesia que nos envolve, fascina.

Serão as "finas areias, berço de sereias..." ou as "douradas estrelas que enfeitam o mar..." as inspiradoras de tão belo versejar?

Agora que te descobri, passarei mais vezes para me deleitar.

Abraços.

Sophie Gaarder disse...

“Que temos de comum com o botão de rosa
que verga sob o peso de uma gota de orvalho?”

talvez a linguagem poética que, alguns, têm a capacidade de tão bem emitir…
excelente poesia que se lê aqui!

beijo

isabel mendes ferreira disse...

é aqui que me sinto em casa!!!!!!!

Pêndulo disse...

Gostei imenso :))

acho que vou "roubar" (com a devida referência à autora :)) )

cs disse...

que maravilha de poema. Li e de repente reli com o coração em África, existe algo nele que me transportou


gostei muito deste seu espaço