4.8.11

Em seara alheia


Hoje é o tempo
do renascer vigoroso de deusas primordiais
que dão à paisagem
formas tecidas de folhas
é o tempo
do sol sorrir na transparência da água
ou deitar-se manso
sobre ondulantes lençóis verdes
até adormecer no crepúsculo é o tempo
de sentir o brando acordar da brisa
do sereno canto dobrado das aves
que atravessam o eterno espaço
e de gravar na retina o dócil bailado das mariposas
é o tempo
das palavras florirem mágicas
nas sílabas silenciosas da inspiração
para se oferecerem à poesia
hoje é o tempo
de respirar beber e saborear a essência
na existência do segredo da vida

Teresa Gonçalves

In: Pleno verbo. S. Mamede de Infesta: Edium, 2011