23.7.14

Nada temos para dizer

Federica Erra

Nada temos para dizer quando lembramos
os cântaros da sede, a boca alagada
e o corpo aberto à humidade dos trevos.
Calamo-nos então para não ferirmos
a água represada no olhar.
Os lábios gretando na fenda da secura.

Graça Pires
De O Silêncio: lugar habitado, 2009

37 comentários:

Ives disse...

Sede de água, que corre nos olhos, molham a terra! abraços

Marta Vinhais disse...

O desespero, o desânimo...
Há muito a dizer nesse desespero, nessa procura...
Lindo..
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Lídia Borges disse...


Nada haverá para dizer além do momento que dizes... Tão belo!

Um beijo

Andrea Liette disse...

Querida Graça,

Quando o silêncio é a morada da negação, então só resta sofrer a tristeza do luto.

Imagem e poesia intensa!

Beijo.

São disse...

É mesmo, há momentos em que nem um som no sai...nem uma lágrima.


Beijinhos, Poeta

AC Rangel disse...

O que dizer desta sede em terreno alagado?
O que dizer do amor ausente em meio a esta desmedida paixão.
Somente os lábios gretados sabem dizer.

Ailime disse...

Belíssimo poema!
Há momentos em que o silencio abarca até a sede que nos fere a alma.
Um beijinho.
Ailime

Sinval Santos da Silveira disse...

Querida amiga, Graça Pires !
Não encontrei, em meu idioma,
um adjetivo para definir, com
justiça, este poema tão especial.
Parabéns. Simplesmente, parabéns.
Sinval.

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
SEDE, QUE NEM SEMPRE A ÁGUA TEM O PODER DE APLACAR.
VERSOS LINDOS AMIGA.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Luís M.Castanheira disse...

Quando as palavras doem na miragem do desejo e o silêncio habita a dor...(assim o vejo e sinto)

Belo poema!
um abraço

Agostinho disse...

Na imagem dos lábios gretando está a prova daquilo que sobrou: nada, só recordações.
A sensibilidade dos sentimentos expressa num poema com a marca da Graça.

M D Roque disse...

quando a sede te afoga as palavras, o silêncio nasce na secura das gotas que se prendem ao olhar.
Lindíssimo.
Beijo amigo. D

http://acontarvindodoceu.blogspot.pt

author casulo-online disse...

Momentos assim prefiro sinto vontade de ficar invisível, porque parece absolutamente nada é viável ser dito...

Você é uma poeta, Graça, parabéns!

Cris

Ana Tapadas disse...

Há aqui...tanto de mim! Só não sou criatura de lágrimas...

bj

(Gosto muito de E. de Andrade)

teresa p. disse...

"Nada temos para dizer" perante este poema, profundo e belo, da tristeza silienciosa, solitária e contida...
A foto de Federica Erra, é a cara do poema. Lindas todas as imagens.
Beijo.

Teca M. Jorge disse...

É viver o momento e deixar o sentir fluir... beijo.

Maria Luisa Adães disse...

E nada dizemos
E não há nada para dizer...

Mas no muito que vislumbro
no desânimo do personagem,
há uma vida a esclarecer e a viver!

Lindo,

Maria Luísa "os7degraus"

mel de carvalho disse...

minha estimada Graça,

a sua poesia é de uma beleza indizível. sabe da minha admiração e estima, sempre

beijo com saudade
um até breve

Ana Tapadas disse...

Venho reler...e desejar um bom fim-de-semana.

Beijinho

Reflexo d'Alma Fase 2014 disse...

Graça,
vim te ler,
te agradecer a presença la no meu blog nesse meu tempo
difícil.
Logo estarei de volta
publicando meus poemas.
Bjins
CatiahoAlc.

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

Por vezes o silêncio é um vendaval de palavras.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Nilson Barcelli disse...

Mas há muito a dizer do teu poema, já que é excelente.
Como sempre, aliás, pois não fazes por menos.
Graça, tem um bom fim de semana.
Beijo.

heretico disse...

talvez apenas o sopro do beijo - como bálsamo!...

Jota Effe Esse disse...

Um poema que nos leva a pensar. Gostei. Meu beijo.

ManuelFL disse...

“Nada temos para dizer”, é como apetece começar, sem ironia, este comentário, tal a força elegíaca e a beleza dilacerada deste poema de Graça Pires.
A terra sem vida, ou sedenta de vida, a que a mulher da foto vira o rosto, num gesto de desespero ou recusa, é memória dolorosa da “boca alagada e (do) corpo aberto à humidade dos trevos”.
O poema corta-nos a respiração, tal como a imagem. Se, recorrendo à etimologia, é legítimo dizer que fotografar é escrever (grafar) utilizando a luz (foto), então só podemos concluir que Federica Erra se inspirou na escrita e na luz de Graça Pires para construir a imagem que ilustra o poema.

Gaby Soncini disse...

Sua poesia é belíssima e tocante.

Beijos.

Adair Carvalhais disse...

Nem mesmo o poema pode ser dito.

helia disse...

Um excelente e tocante Poema ! Gostei muito !

Irene Alves disse...

Quando nada se tem para dizer...

Belíssima poesia.

Desejo que a amiga esteja bem.


Bj.

Irene Alves

Anónimo disse...

Quando o silêncio é um lugar habitado, então é melhor calarmo-nos, se nada temos para dizer.

ॐ Shirley ॐ disse...

Fechar-se no silêncio interior...
Graça, beijo!

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde,
É uma realidade que em certos momentos devemos ficar fechados no silencio.
Lindo poema realista.
Dia feliz
AG
http://momentosagomes-ag.blogspot.pt/

Sissym Mascarenhas disse...



Graça, e voce conseguiu uma imagem que se casou perfeitamente com suas palavras. Demais!

Bjs

ॐ Shirley ॐ disse...

Foi bom reler esse bonito poema...
Graça, beijos!!!

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Os olhos gretando tuda poesia mais pura.
Lindo como discorres tão suavemente com as palavras, como água a saciar nossa sede.
Um beijo, querida.

lupuscanissignatus disse...

Precioso líquido.


AC Rangel disse...

Nada temos para dizer. E eu gostaria tanto de ter...