3.9.15

Poderão perdoar a nossa ausência?



Vêm de todos os lugares, por caminhos
que fervem sangue e luto.
Aos milhares, saem dos túneis da noite e do medo.
Não trazem bandeiras.
Um ardil cavado na lonjura enjeita-lhes a idade.
E chegam extenuados, traídos, indefesos.
Procuram um chão e um abraço.
As sombras coladas aos muros
são a morada da esperança que lhes resta.
Poderão perdoar a nossa ausência?

Graça Pires, 2015

56 comentários:

✿ chica disse...

Tristeza me dá ao ver esse quadro e o que está acontecendo!! bjs, lindo dia! chica

Lídia Borges disse...


Não está ausente quem assim se pronuncia!

Um beijo

Lídia

Cidália Ferreira disse...

Lindo e muito tocante!

Beijinhos

As Mulheres 4estacoes disse...

Lindo o que escreveu, um olhar demonstra sensibilidade para perceber que desejam sentirem -se acolhidos.

© Piedade Araújo Sol disse...


o cenário é demasiado triste e violento.

um grito de alerta escrito com palavras tocantes e sábias.

eu não consigo escrever sobre este tema.

beijo

:(

Anete disse...

Uma busca de esperança...
É preciso lutar até o último suspiro...

Abraços

Mariangela do Lago Vieira disse...

Como é triste este cenário...
Tenho uma profunda angústia só em pensar
que a quantidade de seres humanos padecendo, em busca
de um lugar mais feliz, é de um número inestimável!
Sem contar os que já se foram por esta causa...
Lindo tua sensibilidade.
Beijos,
Mariangela

Cleri Biotto disse...

Muito triste, esta situacão, tempos brutos demais para nossos olhos sensíveis, trazemos o coração trancado na dor por esses irmãos. Seu poema traduz esta dor/abraço/cleri

Marta Vinhais disse...

A dor em cada uma das palavras... A vontade de dar esse abraço, estender a mão a quem tanto precisa....
Adorei...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

manuela baptista disse...

assim como nós também não perdoaremos aos novíssimos e sempre iguais construtores de muros


permanece a humanidade dos poetas


um abraço, Graça

Cadinho RoCo disse...

Nossa, que evolução maravilhosa desses versos!
Cadinho RoCo

Lourdinha Vilela disse...

É impossível não se emocionar com seu poema à dor tocante de nossos semelhantes.
Um grande abraço.

Pérola disse...

Um tema sensível e muito atual.

Será que nos irão perdoar os vindouros?

Creio que a Europa está a ser engolida e o Islão será a religião oficial dum futuro bem próximo.

Beijinhos

Graça Sampaio disse...

Tocante de emoção e de atualidade! Muito bonito. Obrigada por palavras tão profundas e, ao mesmo tempo, tão serenas.

Beijinho

Mar Arável disse...

Reconheço as nossas bandeiras de cores lúcidas

Bj

ManuelFL disse...

A Europa, todos nós, estamos hoje colocados perante um desafio que é um imperativo moral: amar um próximo que, sendo distante nas suas raízes culturais e modos de vida, é nosso irmão, nosso igual, na sua frágil humanidade.
Se não formos capazes de ser solidários com os «extenuados, traídos e indefesos» de que fala o belo e tocante poema da Graça, então algo está profundamente errado na civilização e cultura a que pertencemos, não teremos coração num mundo sem coração.

Isa Sá disse...

É uma triste realidade..

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Ives disse...

Só alguém muito evoluída consegue se colocar no lugar do outro, parabéns companheira! abração

Jaime Portela disse...

Esta ausência ficou bem patente na foto da criança morta na orla da praia. Só espero que o seu impacto tenha resultados palpáveis na postura e acção dos líderes europeus.
Um excelente poema, para além de ser bem oportuno.
Graça, tenha um bom fim de semana.
Beijinhos.

alp disse...

Hola,,,buena entrada...un saludo desde Murcia...

Teresa Durães disse...

Não, não podem perdoar. Um belo poema nas circunstâncias actuais.

ALUISIO CAVALCANTE JR disse...

Querida amiga Graça

Hoje colhemos os frutos
da nossa opção social.
Países que invadiram países
para ficar com suas riquezas.
Religiões que perderam o sentido da fé
e da tolerância,
para disputar com outras a maior influência.
Há muitos culpados.
Para muitos não há perdão,
seja pelos seus atos
ou por suas omissões.

_______________________________

Desejo que desejes ser feliz.
Toda felicidade do mundo
começa com um simples desejo de alegria.

O Profeta disse...

Ouvi o vento e a música
Procurando um porto na madrugada
Ouvi a chegada de um navio
Julguei sentir uma voz amada

Meu Armando, meu amor...
Uma criança jogando lama ao meio dia
Embrenhada e perdida na alma
Com rimas colorindo pálpebras de nostalgia

Doce beijo

lis disse...

Até quando teremos que presenciar cenas assim?
_ por onde andamos nós?
obrigada ,Graça pelo poema tocante.
um abraço

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
LINDO E TRADUZINDO TODA A TUA SENSIBILIDADE NA LEITURA DO QUE DESTES AOS INCIDENTES QUE, TOMARA SENSIBILIZE, GOVERNANTES DOS PAÍSES AOS QUAIS ELES PEDEM ASILO.
TODOS SOMOS RESPONSÁVEIS!
ABRÇS
-http://zilanicelia.blogspot.com.br/

LuísM Castanheira disse...

O Mundo doente que não ouve
o sonho de quem não quer
a Morte a acontecer...
outra vez, mais uma vez.
Esta europa é um deserto
demente, que não sente
o medo de tanta gente.
Um beijo no abraço do seu belo poema.

ॐ Shirley ॐ disse...

Até quando teremos nossas mãos atadas?
Belo poema, Graça.
Beijos!

Daniel Costa disse...

Nada pode perdoar a ignorância, ela nada têm de santidade.
Beijos

teresa p. disse...

Este poema retrata, com grande sensibilidade, a tragédia humana dos migrantes que fogem da guerra "e chegam extenuados, traídos indefesos, procurando "um chão e um abraço". Solidariedade tem de ser a palavra de ordem, quer da Europa e das Nações, quer de todos nós, como seres humanos.
Muito belas e tocantes as palavras e a foto.
Beijo

José Vilhena Moreira disse...

Podemos nós perdoar-nos a nossa ausência?
bj

La Joie de Vivre! disse...

lindíssimo poema, abordando um tema bem atual e forte... beijinhos querida Graça

Blog da Gigi disse...

Olá amei seu cantinho!!!!!!!!! Seguindo!!!!!!!!!!!
http://gigicandy29.blogspot.com.br/

Sinval Santos da Silveira disse...

Oi, amiga Graça Pires !
Não há o que dizer, mas muito a fazer.
São zumbis assustados, encurralados pela
desgraça, fugindo em direção aos quintais
alheios.
Teu lindo poema registra este triste momento
histórico.
Um fraterno abraço, muito emocionado, aqui
do Brasil.
Sinval.

Suzete Brainer disse...

Belo e tocante, inscrito da tua sensibilidade humana,
também compartilho deste mesmo sentir...
Beijo, Graça.

heretico disse...

Poderão, minha Amiga?...

(sinto a voz embargada e incapaz de escrever)

beijo, Graça

Silenciosamente ouvindo... disse...

E a nossa ausência está existindo
e demoradamente existindo...
Bj.
Irene Alves

Fê blue bird disse...

A humanidade minha amiga está de luto perante tanta indiferença e cobardia.
Nunca pensei assistir a tamanha provação.

Um beijinho com amizade
~Fê

tb disse...

Há felizmente ainda quem não esteja ausente, minha amiga. Exemplo disso é este belo poema/reflexão que fazes e eu contigo também.
Um beijo enorme sempre presente.

henriquedoria disse...

Não perdoemos aos causadores de tanto sofrimento: Israel, EUA, el Assad

Reflexos e Sinais da Alma disse...

Excelente Reflexão traduzido num excelente Poema !
Beijinho
Luis Sousa

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Boa noite, Graça! Seu poema me emocionou muito, mas sei que apenas a emoção nada vai resolver.
triste sabermos o que acontece ao nosso redor e nada ou quase nada podermos fazer.
Até quando, as pessoas vão demorar para aceitar que somos irmãos, e eles veem de todos os lugares. O Brasil é um celeiro de pessoas que chegam de todos os países, vamos rogar a Deus que os demais também resolvam acolher os nossos irmãos menores. Grande abraço!

Ailime disse...

Boa noite Graça,
Um poema magnifico que em cada palavra, em cada linha, reflecte de forma muito emotiva o sentir do povo em fuga! "As sombras coladas aos muros"....Os muros que nos envergonham.
Um beijinho.
Ailime

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite Graça.
Um poema emocionante, triste realidade. Feliz semana, estou ausente por problemas familiares, só passei rapidinho. Beijos.

Agostinho disse...

Ortografia do olhar perfeitamente
pontada, com o sentir de quem sente.
Quem sabe se na Terra cresce
uma escrita nova que nos resgate.
A nós e àquela pobre gente.

Obrigado, Graça, pelo privilégio desta escrita.

Maria Luisa Adães disse...

Não podem perdoar!

Mª. Luísa

Maria Luisa Adães disse...

Me debato

com essa realidade!

Mª. Luísa

Anónimo disse...

Muitos contra o acolhimento destes seres
seres humanos tratados com toda a desumanidade
seres sofridos
que não têm a culpa de entre eles poderem vir malfeitores
não podemos fechar os olhos ao seu sofrimento
à sua dor
o meu coração sangra um mar de lágrimas de inocentes.

Anónimo disse...

Propaga-se
um turbilhão de
lamentos mudos
que rasgam bocas
bocas ressequidas
famintas
sem pão sem chão.

maria maia

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, belo poema que foca a realidade que emociona, o sofrimento destas pessoas que só procuram a paz e a sua dignidade de vida, faz-nos pensar que um dia também nos pode acontecer, todos estamos sujeitos ás guerras provocadas em prol da riqueza de quem as provoca.
AG

Majo disse...

~~~
~ Impressivo
este drama vergonhosamente acontecendo na Europa!

~ Poema de grande beleza e humanidade expressando
a solidariedade que as pessoas de bem desejariam...
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

~~~ Abraço, Poeta amiga. ~~~
~ ~ ~ ~

Ana Tapadas disse...

Já li o teu poema noutro lugar e, aí, o elogiei pela pertinência e beleza poética.

Faltava-me o título...excelente em tudo.

Beijo

Ana Freire disse...

Fantástico texto, que aborda tão triste, cruel e insana realidade...
Eles fogem do país deles... muitos dos nossos, foram forçados a ir para outro país...
Mundo triste este... que frusta todas as expectativas de quem pretende viver apenas em paz, e ter alguma dignidade...
O pior é que quem desencadeou estes êxodos bíblicos... e atiçou o radicalismo... está a salvo deste mar de problemas, que nos vai ser deixado como legado, aqui na Europa, para os próximos anos... por ter um mar imenso pelo meio...
Há mares e mares... e para alguns destes infelizes, há mesmo um ir sem voltar... e sem chegar a lado nenhum...
Bjs
Ana

Carmem Grinheiro disse...

Os sobreviventes ao caos hão de perseverar, edificarem do nada e mostrarem sua supremacia sobre os que os rechaçaram.
Porque a convivência com a morte sopra ao espírito vozes que mais ninguém testemunha, confere ao ser uma força impossível de outra forma.
Não será para nossos olhos.
Mas tempo virá...

deixo-lhe um bj amg

Odete Ferreira disse...

Um poema belo, profundo e tocante para uma realidade que envergonha estes tempos.
Penso que nunca poderão perdoar a ausência do primado pela dignidade humana...
Bjo, Graça

Poções de Arte disse...

A imagem já fala fundo ao coração, mas ao ler suas palavras, mais tocados ficamos.
O homem carece de amor e não percebe que a cada dia se distancia mais de Deus através de suas violentas atitudes e banalidades.

Parabéns pelos belos versos.
Abraços e ótimo dia.

Samuel Pimenta disse...

Tão urgente, fazermo-nos presentes.