10.6.19

Como um aviso

Pedro Pires

Quando as espigas surgiram de repente
nos sulcos das searas, sem que o braço e a foice
afagassem o trigo, houve homens
que se amarraram à terra aguardando que o corpo
se transformasse em campo lavrado.
Houve mulheres que cegaram, em plena
madrugada, perto dos pomares.
Houve meninos que se fecharam por dentro
dos segredos que as mães guardam no sangue.
Houve pássaros que suspenderam o voo
sobre as casas desertas. Como um aviso.

Graça Pires
De Uma vara de medir o sol, 2018, p. 18

56 comentários:

María Dorada disse...

Qué bello poema!

Besos enormes y feliz día.

Luis Eme disse...

Um aviso que ninguém quer ouvir...

Talvez lhe chamem apenas poesia.

abraço Graça

Lídia Borges disse...


Gosto da pessoa que és.(sem interrogação, não sei como foi parar ao comentário anterior) e gosto da Poeta que és, Graça.

Um beijo meu.

Lídia Borges

chica disse...

Realmente um forte aviso! Profundo! Tocante! beijos, tudo de bom,linda semana! chica

Larissa Santos disse...

Maravilhoso sem duvida:))
Peço desculpa pelo atraso mas estive uns dias de folga ;))

Hoje:-Deambulando pela natureza, sem chão

Bjos
Votos de uma óptima Segunda - Feira.

Teresa Durães disse...

Impressionante!

carlos perrotti disse...

Se algo não ouve o ser humano são os avisos. Mas felizmente nada adverte tanto quanto a poesia, a grande poesia da reflexão como a sua...

Grande abraço, Graça.

mz disse...

Tão intensa que é a sua poesia Graça!
Mensagens poderosas.


Um beijo!

Cidália Ferreira disse...

Simplesmente belo!

Beijos. Dia feliz!

Sandra May disse...

Pensando aqui sobre esse aviso. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...
Um poema tocante!
Um abraço, Graça.

Marco Luijken disse...

I think this bird doesn't do anything more.
But nice poetic words. So nice Graça!!

Best regards,
Marco

Graça Sampaio disse...

Sempre belíssima e cheia de sentido e de dor. Muito bonito (uma vez mais e mais e mais...)

Beijinho, Poeta.

PROFESSORA LOURDES DUARTE disse...

Boa tarde!
CONVITE!
Passando para lhe convidar para uma festinha virtual, amanhã dia 11-06
Será um prazer lhe encontrar nessa festa. Os amigos e amigas não podem faltar!
Desde já obrigada!
Pensamento para refletir:
" Aprendi
Que sou mais forte que imaginava...
Que posso ir mais longe depois de pensar que não podia mais...
Que realmente a vida tem valor e eu tenho valor diante da vida!”

A festinha será aqui no meu mais antigo blog
https://professoralourdesduarte.blogspot.com/


Abraços da amiga Lourdes Duarte

Ana Freire disse...

Um extraordinário, intenso e emotivo poema... que nos mostra a dureza da vida do campo... ceifando sonhos por vezes... quando tudo se perde num repente, não havendo, meios nem coragem para recomeçar!...
Combinado com a imagem certa... num todo ao mais alto nível!... Parabéns, Graça!
Beijinhos! Feliz semana!
Ana

A Paixão da Isa disse...

mais um lindo poema um pouco triste mas no bom sintido gostei mt bjs

JUAN FUENTES disse...

Las aves están desapareciendo de los campos de cultivos de media España

Maria Emilia B. Teixeira disse...

Impecável!
Boa noite Graça Pires. Bjs.

Joana Grilo disse...

Gostei muito deste poema e das suas palavras muito intensas! Uma boa semana para si!

lis disse...

Bom seria se surtisse efeito 'o aviso'
_quantos campos amadureceriam em verdes espigas:
_ quantas mulheres colheriam frutos nos seus pomares
e quantos meninos revelariam seus sonhos perdidos !
Triste foto Graça e belíssima poesia.
Bom voltar para te ler.
Fico admirando e desejando que nada se perca nesse aviso.
Com abraços

Pedro Luso disse...

Noite aqui, madrugada em Portugal, querida amiga Graça, no momento que leio mais um dos seus belos poemas, este do seu livro "Uma vara de medir o sol", 2018:

"Quando as espigas surgiram de repente
nos sulcos das searas, sem que o braço e a foice"

Votos de uma boa semana, Graça.
Um beijo.
Pedro

Marta Vinhais disse...

Ás vezes, preferimos ignorar... Pensamos que será mais fácil.... não é... torna tudo mais amargo...
Lindo....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Humberto Maranduva disse...

Penso que se trata da recusa de ser, sempre que o homem se nega a aceitar o ritual do próprio devir, que o trabalho enobrece. Tudo se gora, portanto.
Muito bonito e tão bem encadeado, que a arquitectura poética deste poema, na sua construção sintagmática, tem o condão de tecer imagens metafóricas muito fortes e pedagogicamente esclarecedoras.
Uma boa semana, amiga Graça.

Isa Sá disse...

Bonito e inquietante poema.

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Um belo e impressionante poema.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

teresa dias disse...

Querida Graça, olhar a impressionante imagem que escolheste e ler o poderoso poema que escreveste deixou-me duplamente perturbada e emocionada.
Parabéns minha amiga, por esta magnífica publicação.
Beijo, boa semana.



Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Um poema muito belo com muito para refletir.
Impressiona a forma como a Poeta descreveu o instante em que todos se sentiram privados dos trabalhos árduos a que estavam habituados.
Impressiona a belíssima imagem que ilustra este momento poético de excelência.
Um beijinho, minha Amiga e Enorme Poeta.
Votos de continuação de uma boa semana.
Ailime

Portugalredecouvertes disse...

o meu comentário anterior também se associa aqui a este poema,
a nossa perturbação é intensa, nós e a natureza somos uma única entidade
que não tem protetores, e o nosso futuro tem muitos predadores
https://www.wilder.pt/historias/uma-em-cada-oito-aves-estao-ameacadas-de-extincao/
https://www.facebook.com/diariodoalentejo/posts/2016927211732748/

beijinho
Angela
https://poesiesenportugais.blogspot.com/

Fá menor disse...

Oh!
Por vezes há deslumbramentos que afectam de tal modo que deixam um transtorno transmissível.
Muito bonito. Palavras plenas de significados.

Beijinhos.

José Ramón disse...

Excelente verso Saludos

bea disse...

A poesia é a coisa mais bonita que se pode ler. É sempre um prazer debruçar-se a gente nesta janela.

Olinda Melo disse...


Uma aviso carregado de significados, de perigos que nos confrangem a alma.
E é assim, por mais que façamos há um sem-número de contingências que foge
ao nosso controlo. A fome, a dor, o sofrimento, a morte. É certo que poderemos
tentar minimizá-los de modo a tornar este mundo mais habitável e isso já é de louvar.

Querida Graça, a sua escrita confronta-nos com uma realidade que teimamos em
ignorar. A forma como o faz é pura Arte.

Bjs

Olinda

LuísM Castanheira disse...

Também eu penso que és uma pessoa muito especial, Graça minha amiga.
Tão especial que se reflecte em toda a tua poesia:
Um mundo de sensível beleza e criatividade.
Este poema é bem disso exemplo. Lavrado na mais fina seara,
deixa-nos aquele sabor agridoce da vida.
[ “…Houve pássaros que suspenderam o voo…Como um aviso.”]
Dramática e expressiva a foto do Pedro.
Uma boa semana para ti, com um beijo amigo e...
as melhoras para essa inoportuna tosse.

Anónimo disse...

O desespero e a impotência de quem vê todo o seu trabalho ser destruído por fenómenos naturais muitas vezes provocados pela incúria humana.
Este belo poema é mais que um aviso. É uma chamada de atenção para uma realidade que pertuba e angustia todos aqueles que têm consciência da fragilidade do ambiente.
A foto do Pedro é excelente para retratar o tema em questão.
Gostei muito!!!
Beijo.
teresa p.

manuela barroso disse...

Sabes, tens o condão de me fazeres perder- me .
Aqui , seguindo e descendo pela poesia como numa calçada , vi, via , os meus campos na aldeia numa mistura de gentes que hoje já não são mais presentes , meninos , menos meninos na terra que já nem lavrada é.
Sempre tão teu !
Beijo grande minha amiga !

Evanir disse...

Boa Noite .
O tempo foi passando ainda sem recuperar
totalmente dos problemas mais com esforço
e fé poderei chegar onde eu parei.
Agradeço a Deus por ter amizade tão sincera
que tanto significa para mim .
Em algum lugar desse mundo tenho
amizade que poço contar para sempre.
Aqui deixo um afetuoso abraço.
Saudades....Evanir.
Estou levando as mesmas palavras por onde passar
é uma mensagem que estou a deixar com
cada um de vcs que tenho no coração bem guardados.
Sou grata minha amiga por todas as visitas
que fizestes .È por isso que respeito tanta amizade e carinho.

Tais Luso disse...

Olá, querida Graça, uma foto muito triste e um belo poema que mexe muito com a gente. E essas coisas se acumulam e parece que nada se faz, que a humanidade não está nem aí para tais avisos...
Aplausos, amiga, bela essa postagem.
Beijo/carinho

baili disse...

POWERFUL expressions dear Grace!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!111

made me sad though ,your words draw darker side of life before my eyes so clearly and sometimes my optimism look with curious eyes

hugs!

ANNA disse...

Gracias por tu visita y aportacion.

Hola guapa me han editado un libro de posias si deseas comprarlo puedes hacerlo por este enlace.

https://editorialcirculorojo.com/se-vende/racias

Zilani Célia disse...

Oi Graça!
Poéticamente lindo mas, há que ser percebido.
Abrçs

Manuel Veiga disse...

desde o início dos tempos, Sibila (s) deixam tombar sobre os mortais seus prenúncios!
colho este belíssimo poema como uma alegoria sobre a nossa época, que teima na cegueira e no desastre.

abraço-te, Poeta visionária.
enorme teu talento e minha admiração

beijo, minha amiga Graça

Laura Ferreira disse...

que bonito, Graça!

© Piedade Araújo Sol disse...

Avisos que por vezes ignoramos .
Porque é melhor.
Para não sair-mos da nossa zona de conforto.
Um poema intenso.
Está de parabéns o Pedro pela excelente foto que faz suporte ao poema.
Beijnhos

:)

Jaime Portela disse...

Sempre tivemos avisos, mas quase nunca compreendidos...
Excelente poema, gostei imenso.
Graça, um bom fim de semana.
Beijo.

Existe Sempre Um Lugar disse...

Bom dia, o poema é poderoso, tem o poder de chamar atenção de quem brinca ou não leva a natureza a serio, enquanto o poder financeiro comandar tudo e todos, caminhamos para um sem recuo.
AG

Maria Rodrigues disse...

Um poema sublime!!!
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria
Divagar Sobre Tudo um Pouco

Gracita disse...

Avisos sempre nos foram dados mas nem sempre compreendidos e ou levados a sério minha amiga
Beijinhos e bom final de semana

As Mulheres 4estacoes disse...

Nem sempre estamos atentos aso "avisos" que nos chegam,ou talvez, não se quer perceber o que está ao redor.
Triste imagem, mas que representa bem o seu poema.
Um abraço,
Sônia

Sinval Santos da Silveira disse...

Querida Mestra, Graça Pires !
Os sinais dos tempos se misturam a presságios
e místicas, assustando povos atuais e primitivos.
Alguns com fundamento e outros por medo ou
imaginação até com resquício religioso...
Um belo texto, Amiga, como sempre !
Uma feliz semana e um fraternal abraço, aqui
do Brasil.
Sinval.

Agostinho disse...

"Vemos ouvimos e lemos
não podemos ignorar"!
cantou Sophia. E o coro engrossou nas praias que se povoaram para ouvir.
O Homem avisado está, desde tempos ancestrais, da febre e do vento que corrompem as mentes mortais.
Daí a imprescindibilidade da Poesia. Por isso a Poeta crepitando, sem desfalecimentos, proclama e afixa, nos muros perenes das casas pautadas, a verdade em versos de palavras.
Grato e agradado pelo sentimento desperto, querida amiga Graça Pires.
Beijo.

Sandi disse...

Ah não...

Isso é assombroso.

José Carlos Sant Anna disse...

Quando o enigma bate à sua porta, é preciso estar atento e forte. Nada podemos ignorar. E não basta lembrar-se de Os Pássaros, de Hitchcock. No poema, como no filme, não há como não se deliciar com a beleza da linguagem. Polissêmicos, resta ao leitor e ao cinéfilo indagar-se.
Estive ausente por alguns dias!
Um beijo, Graça!

Victor Barão disse...

Fantástico, diria mesmo esmagador Poema, para uma imagem esmagadora em si mesma!
Uma pequena ave silvestre morta sobre os asfalto, não é desde há muito, para mim, uma mera pequena ave silvestre morta sobre o asfalto; é também e acima de tudo sinónimo de como a minha própria humanidade atropela e trucida, também, indiferentemente, tudo o que é vida natural, na sua múltipla e interdependente diversidade _ que quando sou eu mesmo a fazê-lo, custa-me muito perdoar-mo!
Beijo
VB

Teresa Almeida disse...

Em teu voo suspenso
sempre me acolherei.

E saudades eu já tinha.

Beijos.

Lua Azul disse...

A imagem complementa bem o poema. As tragédias que devemos evitar fazem-se anunciar, mas ignoramos os avisos. Que será da Vida?

manuela baptista disse...

premonição de um pássaro, ainda alado

um beijo, Graça

solfirmino disse...

Graça, amiga, sou fascinada pela sua narrativa dramática. Como esse poema. Um beijo