22.6.08

Memórias de Dulcineia II

Daniel Garber
Ninguém imagina
por quantos lugares
a noite me encontrou
em retirada.
Comecei a ler romances de cavalaria
para não temer o peso da saudade
que se me alojava na alma.
Prendi à cintura o cheiro
do feno e da alfazema
e deixei que as minhas ancas
tomassem a forma dos moinhos,
para que o vento se inquietasse
com a minha sombra.


Graça Pires
De Uma extensa mancha de sonhos, 2008

29 comentários:

maria m. disse...

belas imagens, que redundam num poema de fantasias.

beijo.

Luis Eme disse...

que bela dulcineia...

abraço Graça

Monte Cristo disse...

Só se perde, verdadeiramente, quem se perde de si. Estou a (re)ler a tua poesia, devagar e repetidamente, para melhor te encontrar/entender.

Nunca me desiludes. E os moinhos - todos eles, mesmo os imaginários - nunca são inúteis nem demais.

Um beijo

VEU DE MAYA disse...

É um poema muito lindo dos ventos e dos risos de fantasia que giram em torno dos moinhos e que habitam na noite dos seus sonhos e fazem durante o dia despertar tantas madrugadas...

delicioso o poema e ternurenta a imagem.

Beijinho

© Piedade Araújo Sol disse...

quase um poema, quase um monólogo...

beij

Pena disse...

Simpática Amiga:
Um terno e lindo poema bem ao seu estilo muito sensível e doce.
Lida com as palavras com um à vontade admirável.
A noite. Os romances. A saudade imensa.
Tudo se conjuga harmoniosamente neste genial e sublime poema de enternecer.
Adorei, com sinceridade.
O seu Ser é puro e magnífico e expressa doçura e encanto em lindos e criativos poemas que sente profundamente.
Beijinhos de admiração e pasmo pela beleza do que carinhosamente concebe.

Sempre a estimá-la

pena

pin gente disse...

foste encontrada pela noite no relento
sem que tenha partido em teu alcance
menina em alvoroço na idade do romance
querendo ver levada pelo vento


gostei muito das tuas palavras, graça
um abraço

Ailime disse...

Uma aventura, num poema envolto em mistério, mas que termina serenamente lendo "romances de cavalaria", junto a um recanto magnífico, o local ideal para ler e sonhar...junto de uma janela...de sonho!
Bj.

Alexandre Bonafim disse...

Querida Graça, esse poema é, como todos os seus outros, belíssimo. Beijão do seu fã.

isabel mendes ferreira disse...

" deixei que as minhas ancas
tomassem a forma dos moinhos,
para que o vento se inquietasse
com a minha sombra"


.


re.maravilha!!!!



G R A Ç A....

alice disse...

tenho estado a imaginar o vento sobre o moinho, o movimento deste enquanto as suas mãos escrevem :) o poema resulta de uma dança como essa! um grande beijinho, graça*

teresa p. disse...

"deixei que as minhas ancas tomassem a forma de moinhos..."

Simplesmente maravilhosa esta Dulcineia!
Beijo

heretico disse...

moinhos que moem muito bem. o trigo da palavra poética. perfumada.como o feno outonal...

saborosos tais moinhos. de inquietas sombras. ávidas de sol...

dona tela disse...

Quer espreitar o projecto do meu novo "profile"?

Muito obrigada.

maré disse...

e reinventei-me.

na voz do vento.

à sombra.

de moinhos. na anca do sonho.

vergo-me.

maré

Paula Raposo disse...

É muito belo este teu poema!! Adorei. Beijinhos.

Victor Oliveira Mateus disse...

Os livros aliviam-nos sempre o peso
da saudade, sobretudo os livros de rara beleza, como este...
1 bj.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Graça, as imagens que crias me provoca saudades de algo que ainda não encontrei decerto. Difícil explicar.
beijo no coração

Vieira Calado disse...

Passei para ler o poema e deixar um beijinho.

Deusa Odoyá disse...

Muito belo e divino esse poema.
Parabéns.
Voltarei mais vezes.
beijos da amiga
Regina Coeli.
Te aguardo no meu cantinho.

Mar Arável disse...

Simplesmente

Belo

Licínia Quitério disse...

Ninguém imagina em quantos lugares Quixote te avistou...

O meu grande apreço, Graça.

Teresa Durães disse...

tempestades nocturnas...

doisolhinhos disse...

Afinal D. Quixote não delirava. Existia mesmo uma Dulcineia - a sua Dulcineia - que saudosa ficou depois da morte do seu amado. Mas o tempo foi passando... e Dulcineia...

O Profeta disse...

Hoje o Sol pintou de luz o verde
As hortênsias são nuvens na terra
Plantadas por um deus romântico
No sortilégio que esta ilha encerra


Um sol de vida


Um mágico beijo

adelaide amorim disse...

Belo poema, Graça.
Encontrei seu blog por um comentário da Soledade Santos.
Foi muito bom tê-lo encontrado.

Beijinhos.

lena disse...

Querida Poeta Graça

tentei imaginar noites de saudade, sentir o cheiro a alfazema, a sombra, o bater das pás de um moinho longínquo

mas só a consegui senti-la a si dentro do poema ...

magníficos versos que inquietam até a sombra...

tão profundo entre imagens

um abraço terno e o encanto delicioso de a ler

beijinhos

JPD disse...

Eu estou nesse grupo, daquelesque não imaginam.
Mas integro ambem o outro, daqueles que gostaram imenso ter lido este poema.

Rosa Brava disse...

Imagem perfeita para uma Menina-Mulher que sonha...

"...Comecei a ler romances de cavalaria
para não temer o peso da saudade
que se me alojava na alma."


E a "minha" Dulcineia acompanha-me nas palavras que adoro ler...

Grata por a partilhar, comigo e com tantos, que também a admiram.

Um abraço carinhoso ;))