1.12.10

Insular

Ana Trindade

Entre o outono e a neve
construí uma ilha
e deixei correr nos meus olhos
a véspera de um rio
e a linguagem absurda das ideias
com identidade suspeita.
Na vertente do corpo
havia um lugar frágil,
onde o cheiro das maçãs
se transformava em orvalho
e as mãos escorregavam
pelo lado morno da voz,
até à represa de um chamamento azul.
Vim do lado sul
de todos os caminhos
que vão dar à sede.
Conheci a turbulência
de um verão intacto
e desenhei a curva
incontornável da lua cheia.


Graça Pires
Em Poemas, 1990

49 comentários:

Déia disse...

Lindo poema! Adorei.
Parabens por conseguir colocar emoção em letras e palavras...

bj

Amélia disse...

Obrigada pelo poema, Graça. Se não nos falarmos antes, desejo-lhe, desde já, um bom Natal.

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Parei e pensei:

Acurva da lua cheia é muito linda!

Beijo imenso, Graça querida.

Rebeca

-

Braulio Pereira disse...

olha tinha sede
vim beber

refresquei-me nesta fonte


beijo!!

Luis Eme disse...

tão belo e expressivo.

beijinho Graça

São disse...

Que a véspera de rio te traga alegria e esperança, porque sensibilidade já te sobeja.

Terno abraço, amiga.

Lara Amaral disse...

Lindo, o poema nos contorna, conforta nossos olhos.

Beijo.

alice disse...

turbulência é a palavra que descreve o meu estado de espírito, hoje, querida graça. gostei muito do seu poema. um grande beijinho e bom feriado*

HELENA AFONSO disse...

OLÁ GRAÇA mais um lindo poema,tinha saudades de os ler.....estive ausente do blog e agora fiz um longa viagem pelo AMAZONAS! RENASCI E alimentei a minha alma dum sonho já há muito nos meus pensamentos... Esperei muito mas valeu a pena. Convido-a a ver a minha primeira reportagem da descida do rio Negro, encontrando-se com o Solimões, ambos formam aí o LONGO AMAZONAS.VIAGEM INESQUECÍVEL E IMPERDÍVEL, onde só a natureza é rainha...
bjº HELENA

© Piedade Araújo Sol disse...

um poema expressivo e cheio de sentires.

gostei.

beij

Pena disse...

Estimada e Preciosa Poetiza Amiga:
A ternura do seu brilhante poema condiz com o lugar onde estou onde neva sem cessar. Fica tudo maravilhoso, repleto de alvadez fabulosa e perfeito para as brincadeiras de jovens e menos jovens.
"...Vim do lado sul
de todos os caminhos
que vão dar à sede.
Conheci a turbulência
de um verão intacto
e desenhei a curva
incontornável da lua cheia..."

Uma poesia doce, linda e de explendor seus, terna amiga linda.
Adorei. Fantástica.
MUITO OBRIGADO pela simpatia no meu blogue que apreciei imenso.
Com respeito e admiração constantes e sempre.

pena

Possui uma sensibilidade poética sublime de fazer sonhar e sonhar...
Parabéns.
Bem-Haja, prodigiosa poetiza amiga.

AC disse...

Ainda bem que as ilhas têm um lado frágil que as une ao mundo. Assim, talvez através da porta insinuada pela véspera do rio, a linguagem das ideias não seja absurdo, mas permanente cheiro a maçãs maduras...

Beijo :)

Mar Arável disse...

Uma ilha

rodeada de sonhos

a preto e branco

com todos os azuis

infinitos

Vivian disse...

...Graça querida,
diante de tão belas palavras,

eu apenas beijo tua
sensibilidade!

Gisela Rosa disse...

muito belo o seu poema Graça

"...a curva da lua cheia"

Obrigada por assim escrever.

beijinho

Marta disse...

O que dizer quando a beleza se torna tão real???
Adorei....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

manuela baptista disse...

pelo lado morno da voz

fui véspera de um rio
desenho
e vi desenhar

insular, é um poema que aprisiono

um beijo, Graça!

manuela

AFRICA EM POESIA disse...

Lindo poema...
Adorei...
Um beijo

Sandra disse...

Temos uma amigo junto conosco. Venha e confira.
aqui neste caintinho
http://sandraandradeendy.blogspot.com/
Um grande abraço,
Sandra

Vai gostar, srsrsrsr

Sandra disse...

Linda e berla Portugal..
Um dia irei conhecer...
Sandra

heretico disse...

frágeis os lugares da memória. delicados como o odor das maçãs.

e no entanto vibrantes. como a sede dos caminhos. ainda...

belíssimo.

beijos

Ana Martins disse...

Maravilhoso poema Graça, parabéns!

Beijinhos,
Ana Martins

Laura Ferreira disse...

Gostava de conhecer essa ilha...

carlos pereira disse...

Cara POETISA Graça;
Poema de excelência, num arrebatamento de emoções e sensações que desaguam num mar onde nunca estivemos, mas, é nosso supremo desejo navegar nele desnudando a alma.
Gostei imenso.
Um beijo.

tati_nanda disse...

lindo lindo
tanta delicadeza..
amei

beijos fica na paz!!!

partilha de silêncios disse...

É lindo o seu poema, adorei "o escorregar das mãos pelo lado morno da voz".

um beijinho

Desnuda disse...

Amiga Graça,

o poema é de uma riqueza! Versos maravilhosos, amiga. Obrigada.


Carinhoso beijo

José Manuel Vilhena disse...

...geografias secretas...
:)

teresa p. disse...

Com "a curva incontornável da lua cheia" essa espectacular paisagem de neve a cobrir o jardim e a casa do forno.
Lindo o poema e, também, a fotografia!
Beijo.

carol disse...

As suas palavras rasgam a realidade com um golpe certeiro. Sempre!
E sempre muito bonitos, fonética e semanticamente.
Só há uma palavra: Parabéns!

tecas disse...

Lindo, verdadeiramente belo o seu poema Graça. Cada palavra é emoção sentida. Um poema que é uma tela, tal a imagem que transmite a quem o lê.
Parabéns
um bjito e bfs

A.S. disse...

Um belo poema com a tua chancela inconfundivel!

É uma delicia ler-te...


Beijos
AL

avlisjota disse...

Imagens em movimento repletas de sentidos e sensações...

Belo poema!

Um beijo Graça e bom fim de semana!

José

Úrsula Avner disse...

Olá querida, seus poemas são sempre reflexivos, intensos, reveladores de uma interioridade rica e profunda... Belo ! Bj com carinho.

Vieira Calado disse...

Hoje não vou comentar...

Desejo-lhe bom fim de semana.

Beijoca

Véu de Maya disse...

Belíssimo este labirinto poético com cheiro a lua cheia...

beijinho,

Véu de Maya

Eduardo Aleixo disse...

"Na vertente do corpo
havia um lugar frágil,
onde o cheiro das maçãs
se transformava em orvalho
e as mãos escorregavam
pelo lado morno da voz,
até à represa de um chamamento azul.
Vim do lado sul
de todos os caminhos
que vão dar à sede.
Conheci a turbulênciade um verão intacto
e desenhei a curva
incontornável da lua cheia.".
Que lindas palavras que nos levam das maçãs ao orvalho, da secura do suão ao afago doce da neve, à quietude duma ilha cheia de paz, onde o frio tamborila do lado de fora e o afago quente da intimidade se senter espalhado pelo corpo.
Beijinho.

Licínia Quitério disse...

Maravilhoso este corpo contra o tempo.

Um beijo, Graça.

dade amorim disse...

A ambiguidade tem um lugar privilegiado num poema como os que você sabe fazer tão bem, Graça.

Beijos

viernes disse...

palavras que parecem tocar a neve...
muito belo poema, graça,

um beijo

Nilson Barcelli disse...

Este teu poema revela muito bem a tua inteligência poética... é plural nas interpretações possíveis e acho que o fizeste intecionalmente.
Mas, como o escreveste há 20 anos, já nem te deves lembrar...
Em qualquer caso, a forma é deslumbrante.
"Na vertente do corpo
havia um lugar frágil,
onde o cheiro das maçãs
se transformava em orvalho
e as mãos escorregavam
pelo lado morno da voz,
até à represa de um chamamento azul."
Destaquei esta parte porque, para além da beleza, me pareceu o centro de gravidade do poema.
Querida Graça, boa semana.
Um beijo.

Sonhadora disse...

Minha querida

Um poema que FALA...muito belo.
Adorei

Beijinhos
Sonhadora

Mara faturi disse...

A saudade de te ler me trouxe aqui...Volto com a íris iluminada de azuis e verões;))
Grande bjo Graça!

Fernando Campanella disse...

Desenhar a curva incontornável da lua cheia... que enigma é este que nos faz criadores em imagens do universo incontornável? Belo poema, minha amiga. Bjos e o desejo de uma linda época de natal.

Paula Raposo disse...

Uma beleza de poema! Beijos.

De Amor e de Terra disse...

Concordo que a lua cheia, muitas luas cheias, hão-de ter sempre uma beleza incontornável, como os teus poemas Amiga, como os teus poemas!

Bjs.
Maria Mamede

Virgínia do Carmo disse...

Suponho que é nas ilhas que nos descobrimos, inteiros...

Sempre muito bom ler a Graça, obrigada!

Bjos

lupuscanissignatus disse...

alvo

trilho


[inunda-nos
de cheiros
e de espuma]


*abraço*

Jaime A. disse...

É nestes caminhos, é por aqui que passa (também) a poesia, e o sonho de quem é filha