26.1.11

Nas casas abandonadas

Ana Pires



Nas casas abandonadas, as silvas
vão tecendo as rédeas do tempo.
A terra inquieta fende o cimento
afagado, desfaz a cal das paredes,
contamina alvenarias.
Um declínio de pássaros na poeira
da tarde, desfoca as mãos
dos que morreram com as árvores.

Graça Pires
De Quando as estevas entraram no poema, 2005

57 comentários:

Cata- Vento disse...

A finitude existente nos vários aspectos da vida.
Gostei, como sempre do teu poema e do poder encantatório das palavras.
Os meus blogues têm estado encerrados.

Bem-hajas!

Beijinhos

Lara Amaral disse...

Há sempre uma terra para assentar, mesmo nas coisas mais esquecidas.

Lindo e intenso, Graça!

Beijo.

Braulio Pereira disse...

olá amiga

obrigado pelo teu carinho

belo teu poema "caminhos que nâo se veem"
por amar uma flor

sou jardineiro.


beijo amiga!!

Tania regina Contreiras disse...

Percepção cheia de sutilezas nesse belo poema!
Um grande abraço,

De Amor e de Terra disse...

Casas como estas, minha amiga, servem para guardar sonhos desfeitos e esperas sem fim, que como silvas se vão enredando nas memórias do tempo.
Também as há dentro da minha saudade.
Bjs.
M.M.

AC Rangel disse...

A desesperança, afinal...

São disse...

O abandono é uma coisa tão triste e que tanto nos magoa...

Beijinhos.

Silenciosamente ouvindo... disse...

As casas abandonadas têm várias
histórias de vida e poder-se-á
imaginar várias histórias.Até
fazer poesia, como fez e bem.
Beijinho
Irene

Lídia Borges disse...

Um belo retrato que verbaliza o abandono... Não só das casas.
Uma profundidade textual admirável.

L.B.

manuela baptista disse...

seduzem-me
as casas abandondas

os farrapos de cortinas
as esquinas do medo

inquieto-me
com as asas de morcego


e assim me seduz este poema "nas casas abadonadas" e desfoco as minhas mãos e liberto a imaginação!

um beijo, Graça

manuela

Pena disse...

Preciosa e Estimada Poetiza Amiga:
Nem me atrevo a comentar, tal o encanto, ternura e beleza que saiem de si.
Excelente! Parabéns sinceros. Toda a poesia que brota das suas mãos fascina.
Abraço amigo de gratidão e respeito.
MUITO OBRIGADO pela simpatia e amabilidade expressas no meu blogue.
Abraço amigo de respeito gigantesco.
Deslumbram os seus versos geniais, fantásticos e admiráveis.
Sempre a estimá-la e a lê-la atentamente.

pena

Bem-Haja, prodigiosa poetiza amiga.
Adorei.
Perfeito.

José Manuel Vilhena disse...

"a terra inquieta"secretamente...
um beijinho

carlos pereira disse...

Cara POETISA Graça;
No abandono há sempre um desfiar de memórias que contribuem para o desmoronamento das paredes, sejam elas de cimento ou de afectos.
Gostei deste belo poema.
Um beijo.

Marta disse...

Mas não morrem as memórias....
Porque há quem escreva um poema delicado sobre a tristeza do abandono....
Lindo....
Obrigada pela visita...
Beijos e abraços
Marta

partilha de silêncios disse...

Uma imagem muito forte!
Uma ruina contém a virtualidade do declínio e é desta condição que retira a sua força, permitindo sonhar o passado,despertando a memória e provocando a emoção e a sensibilidade.
É uma pena ver as casas morrer por não serem habitadas com amor.

um beijinho

Luis Eme disse...

nas casas abandonadas tudo se vai desfazendo...

menos as memórias, cravadas em cada divisão...

beijinho Graça

A.S. disse...

Graça,

O musgo chegará ás palavras quando nada mais existir que o choro dos pássaros...

Abraço!
AL

AFRICA EM POESIA disse...

GRAÇA

Aveiro tem na sua Ria uma beleza ímpar.
não me canso de a fotografar e de a cantar..

UM BEIJO

AFRICA EM POESIA disse...

Volto para dizer que o seu poema é cheio de beleza.
Obrigada pelo Momento
Um beijo

Jaime A. disse...

Que imagens tão bonitas num poema tão belo, tão ritmado...

Teresa Durães disse...

casas sem história?

MFLourenço disse...

A beleza melancólica, outonal, do poema prolonga-se na depurada fotografia de Ana Pires.
Adivinha-se uma sonata de Schbert.

Manuel Fazenda Lourenço

teresa p. disse...

As silvas a preencherem o lugar do abandono e a cobrirem memórias "dos que morreram com as árvores".
A imagem e qualidade da fotografia da Ana Pires, prolongam o sentimento traduzido pelas palavras deste belíssimo poema.
Beijo.

Laura Ferreira disse...

Lindo, Graça, o tempo desfocado destas palavras...

Sandro Rozzo disse...

Morrer com as arvores
é escrever um poema com a própria vida...
lindo

Elizabeth F. de Oliveira disse...

O tempo sempre com as rédeas de tudo.

A tua escrita, Graça, é única e unânime no meu coração.

beijo na luz da tua inspiração.

Ana Pires disse...

Apesar de conhecer, é sempre bom reler aquilo que é bonito. agradeço os comentários de MFLourenço e TeresaP. que me são muito valiosos! ;0) Obrigada!

Álvaro Lins disse...

Nas casas abandonadas há histórias de vida belas, tristes, efémeras... e eternas.

© Piedade Araújo Sol disse...

as casas abandonadas guardam memórias e vivencias

muito belo o seu poema

beij

avlisjota disse...

Uma imagem com a a qual deparámos e que nos faz reflectir, sobre o tempo, o abandono, o declínio... Sacudir a poeira, olhar o voo dos pássaros e lembrar-nos que não somos mais que isso...

Belo poema Graça!

Um beijo

José

Argos disse...

Graça,

Gostei muito deste poema.
Nas casas abandonadas há raizes...ainda...


Abraço

alice disse...

morreram num lugar sereno com vista para esta janela magnificamente fotografada. lindíssimo. um grande beijinho, graça*

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Tudo é efêmero, menos essa sua intensidade na escrita.

Beijo, Graça.

Rebeca

-

Sonhadora disse...

Minha querida

Na casa que é o nosso corpo, por vezes apenas sobram as mãos...e tão vazias, adorei as entrelinhas do poema...é onde mais grita.

Beijinho com carinho
Sonhadora

Úrsula Avner disse...

Oi Graça, sempre belos e profundos seus versos... Bj com carinho.

segredo disse...

e quantos corações vivem assim...cobertos de silvas pelo abandono!

Beijinho de lua*.*

viernes disse...

estranha vida a que cubre os lugares abandonados, estranhas e belas as palavras que falam deles...

um beijo

Nilson Barcelli disse...

A natureza das coisas, às quais pertencemos, é implacável. Com ou sem silvas, tudo entra em declínio e perece.
Magnífico poema. Como sempre... gostei imenso, querida amiga Graça.
Beijos.

AC disse...

As casas abandonadas são lugares da ausência, que se vai esbatendo à medida que as silvas restabelecem novo equilíbrio...
Ao poeta, contudo, não escapa o pormenor das lentas mudanças.

Beijo :)

tecas disse...

"Nas casas abandonadas" crescem as silvas,mas quantas vezes guardam sonhos de quem lá viveu.
Adoro a sua poesia,ela contém percepção e sensibilidade,as palavras, de tão belas, não necessitam de imagem. Elas são imagens em si.
Belíssimo poema.
Bjito amigo

pin gente disse...

ergue-se uma teia com as mágoas do tempo.
dores finas que circundam a janela dos meus olhos,
rendilham-se umas nas outras,
formam a armadilha de onde os braços pendem e o corpo,
engodo que o tempo rejeita.


um abraço

maría nefeli disse...

É um poema comovente, muito belo...como a fotografia...
Um beijo muito forte, querida amiga.

heretico disse...

como as árvores. e as pedras - memórias vivas!

beijos

R.B.Côvo disse...

Descobri o seu blog por acaso; gostei muito do que li. Também escrevo, se por mera casualidade quiser dar uma olhada no meu espaço ficaria contente. Um abraço. Muita inspiração, sempre!

Vieira Calado disse...

E é o que mais por aí há,

neste país!

Saudações poéticas

Livraria Poesia Incompleta disse...

Boa tarde, Graça.

Gostava de saber se será possível comprar-lhe um exemplar de "Ortografia do olhar". Se puder, por favor, responda-me por mail (poesia.incompleta@gmail.com) ou para o telefone 960005360. Não lhe escondo uma certa urgência.

Obrigado e cumprimentos.
Mário Guerra

Mar Arável disse...

Bjs tantos

Aníbal Raposo disse...

Cara Graça,

Lindo poema sobre as coisas como foram e são.

Beijo

Sandra disse...

Obrigada pelo carinho. Agradeço pela sua amizade.. Carinho.
Como é bom abrir as portas do Blog e poder te encontrar.
Desculpe pela ausencia. Mas nenm sempre conseguimos fazer tudo, como pensamos. Sempre precisamos dar um tempo.
Obrigada pelo seu carinho. assim que puder voltarei.
Carinhosamente,deixo o meu abraço..
Sandra.

A Amizade é um grande tesouro que encontramos.. Um Brilhante que esta sempre a brilhar.
Até mais..

Daniel Hiver disse...

Quase pude ver o declínio desses teus pássaros na poeira
da tarde.
Eu sou das árvores e me acostumei a observar mãos e braços, e pernas e corpos sumindo lentamente da paisagem.
E meus galhos não aguentaram o peso das perdas!

maria carvalhosa disse...

Ninguém quer ser uma casa abandonada. Acontece. Aí, só as tuas palavras sabem falar do que resta.
Obrigada, Graça. Beijos.

cleri disse...

Graça adorei o poema, profundo e as fotos da Ana me sensibilizam, um abraço,cleri

Licínia Quitério disse...

Um quadro belíssimo do declínio. Da tarde, das casas, de nós.

Beijo, Amiga Graça.

Parapeito disse...

será que são as silvas..carrasco?
Sempre que vejo uma casa abandonada..."invento -lhe" uma história...
Adorei Graça*
brisas doces para si*

maré disse...

sob a cal que recebe as memórias do sol
prevalece a antiguidade de uma melodia dos pássaros.
uma árvore, testemunh do tempo, seduz-se na sombra onde já ninguém mora.
e do ventre da terra cresce uma mágoa desiludida.

__

um beijo e uma flor para florescer sempre

Fernando Campanella disse...

Novamente , a metáfora sutil, e poderosa, que é tua marca poética , minha amiga. Belíssimo poema. Bjos.

José Carlos Brandão disse...

Penso numa terra desolada. Se até as árvores morreram. Então também a poesia morreu. Um poema que dói.
Um grande abraço.