8.1.15

A inundar todas as mágoas

The Economist

Só em frente ao mar
posso inquirir e afirmar
ao mesmo tempo a lonjura
da enchente que começa
na cavidade do olhar
e se faz linguagem líquida
a inundar todas as mágoas.

Graça Pires
De Espaço livre com barcos, 2014

37 comentários:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Gracitamiga

O poema é belo e a gravura é excelente. Significa bem a tristeza que nos invadiu e invade e invadirá. Porque podem assassinar homens mas não pode exterminar ideias!...

Qjs

heretico disse...

"a linguagem líquida a inundar todas as mágoas!..."

tão belo e tão apropriado, Graça!

Beijo, minha Amiga,

ambos sabemos que todas "as lonjuras" são possíveis!

Sinval Santos da Silveira disse...

Amiga querida, Graça Pires !
Nas ondas do mar, e no velejar das lágrimas, que escorrem pela face da dor, a expressão maior do sofrimento da Poetisa.
Um carinhoso abraço, aqui do Brasil.
Sinval.

EU disse...

Há dimensões que só se tornam possíveis, se estivermos perante o que observamos. A imensidão do mar e encantamento que nos insufla os pulmões, emociona e lava as mágoas.

Muito bom, Graça. Parabéns!
Bjo :)

Braulio Pereira disse...

SEGUIR EM FRENTE E LUTAR.


beijos Querida amiga.

lupuscanissignatus disse...

inunda-nos de inquietude

Mariazita disse...

Um belo poema!
A imagem actualíssima, de acordo com os nefastos acontecimentos recentes.
Um MUITO FELIZ 2015.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Cadinho RoCo disse...

Minha vontade de estar diante do mar inunda meu estar.
Cadinho RoCo

ManuelFL disse...

Estamos de facto invadidos por uma grande, uma enorme, uma desoladora tristeza.
Não é de forma nenhuma aceitável, nada pode justificar, que uns indivíduos entrem na redacção de um jornal, matem à queima-roupa oito ou mais jornalistas ou cartoonistas indefesos, só porque discordam das suas ideias ou desenhos ou se sentem ofendidos por eles.
É um acto de uma cobardia infame e de uma deprimente desumanidade, que viola todos os princípios da sociedade aberta e plural que queremos preservar.
Obrigado à Graça Pires pelo seu poema e pela força da imagem que o acompanha. São gestos e palavras como as suas que alimentam a nossa esperança de um modo de vida decente onde valha a pena viver.

Marta Vinhais disse...

O mar ampara, da-nos alento e esquecemos a tristeza naquele momento...
E depois... continuamos...
Brilhante
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

© Piedade Araújo Sol disse...

Graça

que poema tão necessário e tão actual.

arrepiei-me!

obrigada pelas tuas palavras lá no meu espaço.

comovida fiquei eu!

:)

Mar Arável disse...

Roubem-me tudo menos a liberdade

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
CALAR PALAVRAS COM SANGUE, SÓ POR ALGUNS MOMENTOS, POIS ELAS RESSURGIRÃO EM MIL OUTRAS BOCAS OU LIVROS OU JORNAIS...
EM TEU TEXTO A BELEZA, TRISTE!
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Ailime disse...

Boa noite Graça,
Um poema muito belo que reflecte de forma singular a mágoa, a tristeza que a todos assolou neste momento tão trágico para a liberdade de expressão!
Um beijinho e muito obrigada pela sua coragem.
Ailime

Nilson Barcelli disse...

O mar enche-nos...
E a liberdade de expressão é um direito como o de respirar.
Magnífico poema, como sempre.
Bom fim de semana, querida amiga Graça.
Beijo.

São disse...

Estamos todos de luto !

Beijinhos, querida

teresa p. disse...

Um poema belo que se adapta à realidade atual. "a linguagem líquida a inundar todas as mágoas..."
O mundo de hoje é cada vez mais um lugar perigoso.
A imagem é forte na luta pela liberdade...

Pérola disse...

O mar, essa lonjura por onde o impossível desaparece.

Beijinhos

AC disse...

A imperfeição não nos fica mal, é da nossa condição, mas há muito que deveríamos ter ultrapassado a intolerância e o fanatismo.

Um beijo :)

Lídia Borges disse...


O mar de descontentamento... O nosso!

Beijo meu

Lídia

José María Souza Costa disse...

Olá, bom dia, Graça Pires
Neste inicio de semana. Caminho por aqui, para desejar-te, um ótimo dia para você, e uma ótima semana.
Que o Criador, lembre-se das nossas fraquezas, e ajude-nos a seguir adiante, afinal, independente da condição social, todos precisamos de algo para compor os momentos da vida. Um abraço.

Teresa Almeida disse...

Mágoas que não poderão ser liquefeitas. Na verdade o mar projeta-nos numa imensidão de incredulidade.
Beijinho.

O Puma disse...

Tantas são as formas de terrorismo

ॐ Shirley ॐ disse...

Graça...ADOREI!!!
Beijo!

Ana Tapadas disse...

Uma das coisas mais belas que li a propósito!

Beijinho

Agostinho disse...

Como pode a estupidez secar este mar se os sentimentos são infinitos?
Um poema perfeito de ontem, de hoje e de amanhã.
Obrigado, Graça.

Pêndulo disse...

O poema é lindíssimo. Obrigada.

Mas, agora que passaram uns dias, talvez o que nos tenha entrado pelos olhos dentro seja uma reconstituição de filmes de índios e cowboys dos tempos modernos - sem esquecer que os índios, que nos eram pintados como os maus, afinal eram as vítimas e apenas se estavam a defender...

poesia de vieira calado disse...

A sua poesia é sempre de muito valor!

Beijinho para si!

Gyzelle Góes disse...

Querida, há muita sabedoria em ti

author casulo-online disse...

Quando se faz algo para provocar, as consequências nunca são do bem.
É uma enchente sem fim!

Maria Eu disse...

Que, pelo menos, se mantenha a inquietação.

fernando disse...

"Ó mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
quantos filhos em vão rezaram!
quantas noivas ficaram por casar
para que fosses nosso, ó mar!" Pessoa)

Mar Imenso
"...Se mais houvesse lá teríamos ido..". (Camões)

Mar imenso
Que nos Elevou
Mar imenso
Que nos Afundou!

Mar Salgado
A inundar todas as mágoas (Graça Pirres)

Depois do Desastre de Alcácer-Quibir.
Portugal nunca mais se levantou desde de então. Deixou de ser a Nação, promissora que era, para liderar a Europa.

Infelizmente, e a mim me dói cá de longe, Portugal desde de então; não acompanhou a Europa.
Hoje não tem “voto na Matéria”: tanto Político, Econômico nem Cientifico ou Cultural; na Europa Central e muito menos igual aos Países Nórdicos. Mas o Pior de Tudo; Isto Portugal ainda não Acordou. Vamos; pensando e sonhando que somos os Melhores do Mundo. Vivendo de Sonhos já Consumados .


João Fernando Cardoso

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Graça, minha querida, hoje tirei a tarde para ler-te.
Uma pena não ser em frente ao mar, lugar tão apropriado para esse teu novo livro, de um lirismo oceânico.

O mar, aqui, é tua poesia que nos faz navegar em inolvidável beleza.

Um beijo, minha querida!!!

Luria Corrêa disse...

Enquanto isso espero pelo dia em que conhecerei este gigante para que possa usá-lo como desculpa para nostalgias e desapegos...♥
Belo 2015, Graça!
Abraços!

José María Souza Costa disse...

Prezada, Graça Pires.
Que o teu dia de domingo, seja agradável.
Que o Criador, nos brinde, com: Saúde. Paz e Alegria.
E que a família, continue, a ser, o - esteio - dos nossos dias.
Um abraço.

Nilson Barcelli disse...

Voltei, mas não há novo poema. Eu espero...
Aproveito para te desejar um bom domingo e uma boa semana, querida amiga Graça.
Beijo.

Enide Santos disse...

Que maravilha! Parabéns