28.3.16

Em seara alheia


Evita sonhar, procura não saber
Dos sorrisos que se acendem
Ao longo da rua. Remete-te

À desordem moderada do teu
Coração silencioso, à ausência
De expressão, mesmo nos momentos

De sobressalto. Fecha, devagar
Muito devagar, as mãos e chora
De modo a que ninguém veja.

Há alegria a mais no mundo, há
Demasiado tempo perdido a roubar
A propriedade dos tristes.

Rui Almeida
In: A solidão como um sentido seguido de Desespero. Póvoa de Santa Iria: Lua de Marfim, 2016, p. 22

46 comentários:

Graça Pires disse...

“A solidão como um sentido,/ Regra sabida antes/ De qualquer possibilidade/ De memória […]” Assim começa este livro de Rui Almeida. É um livro a roçar uma certa angústia. Ao lê-lo lembrei-me de Miguel Torga quando diz: “Uma obra literária é uma experiência muito dolorosa e muito profunda tornada expressão”.
O Rui tem uma escrita muito própria que nos conduz através de um itinerário que enfrenta a realidade e que nos instiga a procurar respostas e caminhos.
É muito belo, o livro. Parabéns Rui!

Cidália Ferreira disse...

Poema maravilhoso, em que em identifico! Parabéns, amei.

Beijinhos e um dia feliz

Coisas de Uma Vida 172

Carmem Grinheiro disse...

Olá, Graça.

A Graça diz da obra que roça uma certa angústia e, no poema, o autor fala-nos que
"Há alegria a mais no mundo" - por antagónico que pareça, a mim, falar de alegria desperta uma angústia estranha, numa fase em que parece ser moda dar provas de viver em alegria permanente, com "selfies", a quererem, a todo custo,fazerem saltar à nossa vista uma alegria espampanante.

bj amg

Blog da Gigi disse...

Ótima semana!!!!!!!!!!! beijos

Bell disse...

Gostei!!

Uma linda semana pra você.

bjokas =)

Daniel Costa disse...

Boa tarde Graça
Ler os poemas teus poemas e as tuas opções é garantia certa e viver bons momentos de poesia.
Reportando-me - fui mesmo vinhateiro, do campo até vinte anos fiz de tudo. Na minha contagem, terei "explorado" cerca de duzentos patrões. Aos dezassete anos, era difícil ser batido a trabalhar no campo, no sitio do meu nascimento: o Oeste - Peniche.
Abraço

Lucinalva disse...

Olá Graça
Lindo poema, desejo uma bela tarde. Bjs

jorge vicente disse...

Um poema muito duro, intenso, belo, corajoso. Muito grato pela poesia do Rui <3

E muito grato também a ti, Graça, por a partilhares.

Muitos beijos
Jorge

Marta Vinhais disse...

Ás vezes, assim é... Há momentos em que temos que chorar, esvaziar o peito dessa angústia que nos impede de abrir as asas e voar....
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

© Piedade Araújo Sol disse...

Achei o poema do Rui Almeida muito nostálgico onde nos fala da tristeza dos outros e da alegria(?) a mais no mundo, que é uma maneira subtil de outras interpretações.
E é nisso que embora na sua angústia o poema se torna belíssimo.
muito bom!
uma boa escolha sem dúvida.
uma boa semana.
um beijo
:)

Ana Tapadas disse...

É um poema de uma sensibilidade invulgar!
Adorei o ritmo também.

Beijo meu, Graça e parabéns ao autor.

graça Alves disse...

Muito bonito!

Para além do Miguel Torga, eu tinha um sábio professor que dizia "a felicidade não importa à Literatura".
Concordo com ele. De facto, são os poemas mais tristes aqueles de que mais gosto, Graça!
Beijinho e parabéns ao seu amigo!

Agostinho disse...

O poeta manifesta a angústia que mina as nossas vidas numa liguagem poética acutilante.
"Há alegria a mais no mundo"!
Dito assim, sem filtros nem photoshop, vemos a mentira estilhaçada no poema: a alegria postiça que marca este tempo de simulação.
Boa semana, Graça.

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
MUITO LINDO VALEU PODER LÊ-LO.
ABRÇS

http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Teca M. Jorge disse...

Angustiante, porém emocionante...
Um beijo

Isa Sá disse...

Bonito poema...

Isabel Sá
http://brilhos-da-moda.blogspot.pt

Anete disse...

Poema que nos leva a pensar e questionar... Bonito e realista!
Boa tarde de 3a feira, Graça...
Boas inspirações p vc e um abraço.

José María Souza Costa disse...

Olá, Graça Pires.

Um poema triste. Mas, muito bom
Abraços.

MARILENE disse...

Nossa, não havia lido, antes, um canto à solidão sem tristeza. Pode-se dar outra conotação às suas palavras, mas prefiro abraçar o que me chegou à primeira leitura. Esse riso exagerado que pode estar lá fora, nem sempre é fundamentado dignamente. E estar só constitui prazer opcional.
Uma bela escolha, Graça! Bjs.

DE-PROPOSITO disse...

Evita sonhar ............

Claro que devemos sonhar ! São os sonhos que nos impulsam na caminhada da vida.

Felicidades
MANUEL

Mariangela do lago vieira disse...

Que belíssima realidade contida neste soberbo poema. Amei a partilha!
Beijos Graça, uma ótima semana!
Mariangela

heretico disse...

bem aventurados os que se confessam tristes, perante as alegrias do Mundo
pois são eles os que merecem ser escutados.

Poesia que não transige com "rodriguinhos"...

gostei muito, Graça

beijo

Tais Luso disse...

Particularmente prefiro os poemas tristes e os de cunho social. Encontro neles beleza e emoção. Encontro muita realidade.
Gostei desse, e muito.
bjus, Graça!

Odete Ferreira disse...

Estar triste tem tanto sentido como estar alegre.
A solidão, por vezes, é opção e necessária. Eu preciso dela, no sentido do encontro com o meu mundo.
Gostei imenso do poema (conteúdo e estrutura). Parabéns ao autor.
Obg pela partilha, Graça. :)

Sinval Santos da Silveira disse...

Ah, Graça Pires, querida Amiga !
Muito agradecido por compartilhar
tão lindos versos.
Uma Boa noite e um fraterno abraço,
aqui do Brasil.
Sinval.

teresa p. disse...

Um poema triste que fala de angustia e desesperança. Não deixa, contudo, de ser muito belo! Parabéns ao autor e à Graça por o dar a conhecer.
Beijo.

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Muito belo este poema em que o poeta consegue transmitir pela sua sensibilidade a realidade angustiante dos nossos dias.
A solidão, o silêncio, o choro são infelizmente o refúgio de tantos.
Muito obrigada por dar a conhecer este jovem e promissor Poeta.
Beijinhos,
Ailime

Existe Sempre Um Lugar disse...

Boa tarde, a solidão por opção não significa tristeza, é uma necessidade que serve principalmente para um encontro com próprio interior, o poema é perfeito.
AG

Ana Freire disse...

Que belíssima partilha, Graça!
E o mundo e a vida... por vezes, bem nos remetem para essa tristeza... quase nos fazendo sentir que a felicidade, não é opção...
Sejamos então felizes... e sem noção... do peso do mundo e da vida... antes que a vida passe... e não tenhamos tido a oportunidade de o ser... de a sentir... mesmo que apenas ao de leve...
Beijinhos! Continuação de uma boa semana, Graça!
Ana

José Carlos Sant Anna disse...

O poema já nos seduz na primeira leitura, no contato "físico". Depois descobrimos a chama mais pura em cada palavra.
Abraços, Graça!

Silenciosamente ouvindo... disse...

Os tristes têm direito à sua tristeza.
Gostei amiga.
Desejo que se encontre bem
Bj.
Irene Alves

Majo disse...

~~~
Intensa tristeza,
desesperadamente sentida e tangível!

Canto emocionante
a reivindicar o direito a estar triste...

Um poema belo na sua singularidade.

~~ Grata pela oportuna divulgação.

~~~~~ Beijinho amigo Graça.~~~~~
~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~

Ani Braga disse...

Lindo poema Graça.


Beijos
Ani

Mirtes Stolze. disse...

Boa noite Graça.
Achei o poema do Rui Almeida muito belo. Um feliz fds amiga. Enorme abraço.

Suzete Brainer disse...

Um poema profundo que espelha
uma racionalidade numa bela poesia concreta.

Grata pela partilha!
Beijo.

Poesia Portuguesa disse...

Controverso o poema...
"...
Há alegria a mais no mundo, há
Demasiado tempo perdido a roubar
A propriedade dos tristes."

Grata pela partilha. Um livro a ler oportunamente.

Um grande abraço de carinho.

Alfredo Rangel disse...

Graça, sábios conselhos do Rui Almeida. Prazer enorme em estar aqui outra vez. Parabéns pela escolha.

Marineide Dan Ribeiro disse...

Alegria nunca é demais, porém temos todo o direito de chorar...O sofrimento faz parte de nossa jornada e é preciso saber viver cada fase com dignidade.

Um lindo fim de semana!

Lourdinha Vilela disse...

A tristeza parece ser mais inspiradora, quem a tem se oculta no próprio silêncio, daí podem surgir obras nas mais variadas expressões da arte, muito embora no plano exterior e material possam demonstrar uma falsa alegria. E essa é bem conhecida dos tempos atuais.
Insurgir à própria dor, por si- já é uma grande obra.
Muito bonito o poema que nos trouxe. Abraço.

As Mulheres 4estacoes disse...

Talvez a falsa alegria esteja demasiada no mundo, este, carece sim, de uma alegria sincera e cristalina.
Abraços

Cristina Sousa disse...

Olá Graça, lindo poema. Obrigada pela partilha.
Um beijo e feliz semana

manuela barroso disse...

Muitos parabéns por trazer esta pérola, Graça!
Parabéns, Rui Almeida!

Fê blue bird disse...

Um poema pode ser uma arma, e este amiga Graça é exactamente isso.

Obrigada por mais esta preciosa partilha.
Um beijinho

Mariazita disse...

Não conhecia este poema do Rui Almeida, e adorei, simplesmente.
A solidão! Como a entendo! E como a procuro, tantas vezes, porque, em determinados dias (hoje, por exemplo - 46ºmês) só nela encontro consolo.

Continuação de boa semana.
Beijinhos
MARIAZITA / A CASA DA MARIQUINHAS

Rui Almeida disse...

Só agora vi estes comentários todos. Muito obrigado.

Alane Lima disse...

Poema maravilhoso!