8.1.18

A ruiva

Amedeo Modigliani

Soltaram-se os pássaros vermelhos,
colados em meus cabelos.
Roçaram a sombra dos navios
e voaram, em círculos fechados,
rasando os areais.

Como um esboço de naufrágio
no rosto dos homens
que afagam sempre os filhos
como se fosse a última vez.
Como se, no coração das areias, os ventos
se enrolassem nas dunas em rituais de paixão.

Regressaram, depois, os pássaros vermelhos.
E, lentamente, desalinharam meus silêncios.

Graça Pires
De Fui quase todas as mulheres de Modigliani, 2017


62 comentários:

Laura Ferreira disse...

Gostava de ter um desses pássaros nos meus cabelos :)

Célia Rangel disse...

A imaginação é levada por caminhos 'ruivos' que certamente desassossegarão todo e qualquer silêncio de paixões, ainda que comuns em celebrações de rituais.
Abraço.

Gil António disse...

Simplesmente LINDO este Poema.
.
* Teu Sorriso ... Minha Doce Inspiração *
.
Deixando cumprimentos
Bom dia

angeloblu disse...

La poesia come emozione ed espressione dei sentimenti più profondi dell'animo umano,
le tue sono sempre meravigliose.
Spero il periodo di feste sia andato bene un buon nuovo anno carissima e tanta poesia nel cuore.

Victor Barão disse...

Por sinal, ...muito bem "desalinhados seus silêncios."
Obrigado
Parabéns
Excelente semana

Majo Dutra disse...

Um poema de rara beleza inspirado numa obra admirável
- uma expressão que reflete de forma notável um misto
de tristeza, nostalgia e resignação.
Afinal, duas obras de arte tocantes.
Beijinhos, estimada Amiga.
~~~~

Cidália Ferreira disse...

Simplesmente divinal!


Beijo e uma excelente semana.

Sinval Santos da Silveira disse...

Oi, Mestra Poetisa, Graça Pires !
Que suavidade de texto, imprimindo
as emoções de quem parte e de quem
chega, nas aparências da vida !
Um carinhoso abraço, aqui do meu
Brasil.
Uma ótima semana.
Sinval.

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Gostei bastante deste trabalho poético minha amiga.
Uma boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Alfredo Rangel disse...

Os naufrágios no rosto dos homens se dão sempre que se perde a fé no regresso dos pássaros vermelhos. Mas eles sempre regressam. Sempre! Linda...

Bell disse...

Belíssimo adorei a imagem.

bjokas =)

silvioafonso disse...

.

Talvez tivesse sido gostoso
enquanto juntos, mas quem nos
garante que em separados não foi?
Pois que esvoacem novamente de
encontro ao vento. Que se deitem
no vácuo do silêncio e gorjeiem
a liberdade às amadas enquanto
um novo ninho, nas dunas de pena,
sem pena, se cria.

Beijos, amiga e obrigado pelo
espaço, aqui e acolá.

silvioafonso


ç

manuela baptista disse...

cabeleira mágica!

um abraço, Graça

Ana Bailune disse...

Um poema lindo, pungente e libertador!

Lídia Borges disse...


A comparação dos cabelos com pássaros vermelhos é majestosa! Estas coisas "claras", à vista de todos, não são vistas por todos. Por isso é que precisamos tanto dos verdadeiros poetas.

Obrigada, Graça!

Lídia

Cadinho RoCo disse...

A leveza dos "pássaros vermelhos" faz com que minha cabeça vá às nuvens.
Cadinho RoCo

O Puma disse...

Desgrenharam por bem os teus cabelos
Bj

Marta Vinhais disse...

Parte-se, regressa-se... Como os pássaros....
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Tais Luso disse...

Olá, querida Graça, bela peça, um esmero de construção da série das mulheres de Modigliani.
Que venham mais poemas da Graça Pires!
Beijinho, amiga!

O Profeta disse...

Já desenhei um corpo no lugar vazio do amor
Prisioneiro da inocência absurda do querer
Já sonhei com barcos sem mar
Já falei pelos olhos do ultimo sobrevivente
Já percorri o dia do encontro dos desencantados
Para te amar...
Caminheiro, caminhante sobre a espuma
Olhando por uma janela violentamente transparente
Abrindo uma passagem secreta
Para o universo das palavras simples
Sopram os ventos
Para içarmos velas
No céu uma lua feiticeira
Sabes?!
És um Ser de amor e luz
Até os teus olhos são feitos de luz
“ As estrelas fizeram os teus olhos para se verem a si próprias”
Escrevo na branca imensidão de uma folha branca o que Deus quiser
Na simplicidade do sorriso de uma flor
O teu nome

O primeiro nome de uma mulher...

doce beijo

Ana Paula disse...

Que inspiração mais bela, ruivas madeixas...
Como pássaros que voe sua imaginação e volte com lindos versos!
Beijo

CÉU disse...

Olá, querida Graça!

Fico de mente "desgrenhada", não ruiva, é verdade, mas há tantas cores, naturais e artificiais, de cabelos no feminino e não só, quando leio os seus poemas, porque os não sei comentar, devidamente, e como tenho tendência para "empolar", interpretar, exaustivamente e à letra, e sobretudo divagar, "perco-me" na vastidão (os seus poemas, até são pequenos, eu sei), intenção e sobretudo talento da sua escrita, que nem sempre entendo muito bem, mas sei que está tudo lá.

Pássaros vermelhos condizem, mais ou menos, na cor, com cabelo ruivo, acho. E soltaram-se? Ah, talvez fossem de arribação, mas são pássaros, não são aves. Que "confusão" eu estou a fazer! Pronto, talvez procurassem lugares mais quentes ou mais frios, pois em poesia tudo é possível acontecer, onde assistissem a outros cenários, humanos e não humanos. Afinal, eles, também, têm coração e estão sujeitos a estados de alma.

E depois de tantas voltas e círculos, os pássaros vermelhos voltaram com os olhos preenchidos de tudo e tanto, desassossegando o seu espaço, tranquilidade e tempo.
Isso, não se faz!

Parabéns pelas excelentes metáforas, que, inteligentemente concebe. A escrita, a boa escrita é um voo de muitas cores e de poucas gentes.

Grata pela sua visita e tão amistoso comentário. O meu poema parece-me incompleto e cinzento, mas o cinzento também é uma cor. Pois, eu estou "habituada" a escrever rubro. É isso.

Beijos e uma excelente semana.

Mirtes Stolze. disse...

Muito lindo. Uma linda semana. Beijos.

Zilani Célia disse...

OI GRAÇA!
NAS PARTIDAS E CHEGADAS, INSPIRAÇÃO E BELEZA NESTA FORMA TÃO TUA,DE NOS DIZERES COISAS.
ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/

Luis Eme disse...

Uma beleza!

abraço Graça

Evanir disse...

Boa Noite Amiga Querida de muitos janeiros.
Fico feliz por estar sempre presente sem
imaginar a dor que vivo sentindo.
Mais pela fé vou vivendo tendo no meu mundinho virtual tão real.
Basta ler seus poemas para entender a grandiosidade do seu coração.
Uma feliz semana.
Beijos..Evanir.

Reflexo d'Alma disse...

Graça
eu adoro ler você sempre!
Sua escrita nos conduz ao
encontro equilibrado
da imaginação com a descrição.
Encantada.
Bjins
CatiahoAlc. do Blog
https://reflexosespelhandoespalhandoamigos.blogspot.com.br/

Teresa Almeida disse...

Este enrola-me, Grãça Toda eu sou navio com pássaros vermelhos na proa.
Um poema em que as viagens são poesias inéditas e apelativas.Perder-me nelas é a solução

Beijo

Isa Sá disse...

Muito bonito.


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Odete Ferreira disse...

Beleza, originalidade, precisão, arte!
Apenas ler, reler e pasmar-me...
Bj meu, amiga Graça

LuísM Castanheira disse...


todos os pássaros deveriam ser vermelhos e dos seus voos, um suave perfume largado seria paixão, nos desalinhados cabelos ruivos, de uma qualquer mão.

mas, sendo assim, como as coisas são, fica-se pela imaginação, do pintor e da poeta, nesta 'viajem' celta, no dessossego duma visão.

já tinha gostado muito e, outro tanto, agora.

um beijo, minha amiga Graça.

LuísM Castanheira disse...

*desassossego
sorry

Lu Dantas disse...

Oi, Graça! Quanta beleza, quanta leveza, quanta inspiração!

Beijo grande

Ailime disse...

Boa noite Graça,
Que poema tão belo!
A inquietude dos pássaros tal como os "os homens que afagam sempre os filhos como se fosse a última vez".
É sempre um prazer ler a sua excelente poesia.
Um beijinho, minha Amiga, e continuação de boa semana.
Ailime

Maria Rodrigues disse...

Maravilhoso poema.
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

silvioafonso disse...

Ser mulher do escultor, quiçá,
seu amor, talvez seja melhor que
sua musa de inspiração.

Beijos, amiga e boa noite.

silvioafonso



ç

ManuelFL disse...

Eu li, senti este poema como um retrato do desassossego da paixão - "Soltaram-se os pássaros vermelhos, colados em meus cabelos [...] Regressaram, depois ... E, lentamente, desalinharam meus silêncios."
No meu subconsciente, e talvez não aconteça apenas comigo, associo metaforicamente - ou será fisicamente? - uma mulher de cabelos ruivos ao anúncio de uma explosão de corpos e almas que anseiam por se possuírem.
Assim, Graça, poema e pintura magníficos.
Beijo.

Ives disse...

Um linda viagem entrelinhas, beijos

Olinda Melo disse...

Olá, Graça

Regressaram os pássaros vermelhos, talvez, anunciando novos tempos.

Um poema belíssimo, Amiga Graça.

Bj

Olinda

José Carlos Sant Anna disse...

"Como se, no coração das areias, os ventos
se enrolassem nas dunas em rituais de paixão".

Bastam os dois versos para todo o poema calar dentro de nós.
Este imbricar de palavras, teia e trama da linguagem, tecidos em que os fios nos enleiam, gerando riqueza do poema.
Um beijo, amiga!

Ana Tapadas disse...

É um ritmo perfeito...
Imagem da ruiva esvoaçante...lindo.
Beijo, Graça

Larissa Santos disse...

Bom dia. Um poema lindo demais

Hoje:- Saudade, com cor e presença.
.
Bjos
Dias felizes

Suzete Brainer disse...

Que capacidade especial (a sua) no voo da
Poesia que magistralmente diz sobre a paixão,
num ritual de "pássaros vermelhos" que
"lentamente, desalinharam meus silêncios."
Privilégio a leitura aqui da sua arte poética, Amiga Poeta.
Beijos.

manuela barroso disse...

A tua imagética é fantástica! Poderias, com o voo destes pássaros, trazer fios de algodão para fazer seus ninhos. Tão romântico, quiçá, normal.
Mas num voo mais ousado, eles desfazem ninhos, no alvoroço das emoções!
Só espero , assim, de ti, querida amiga!
Beijinho, Graça :)

ANNA disse...

Magnifico poema me encanto.
Besos

baili disse...

magnificent poetry dear Grace!

red birds tangled in hair ,what an awesome and beautiful imagery

Marta Moura disse...

Maravilhoso.

Jaime Portela disse...

Há pássaros vermelhos assim... que desalinham silêncios.
Magnífico poema, como sempre.
Bom fim de semana, amiga Graça.
Beijo.

Sara com Cafe disse...

Fenomenal! Parabéns!

Agostinho disse...

Como se fosse a última vez!
Leio o poema sem querer ver
as palavras lançadas ao vento.
As coisas não se querem alinhadas
muito menos alinhadas.
A emoção, Poeta, emerge
"pura e limpa" do coração,
como do Modigliani,
desalinhado.

Bj.

Profª Lourdes Duarte disse...

Olá amiga!
Hoje como estou evitando ficar digitando devido está melhorando da tendinite, para que ela não volte, estou passando para deixar o meu carinho e lhe desejar um fim de semana feliz, com muita saúde e paz.
Deixo também esse pensamento que que uma amiga me enviou e nos leva a reflexão.
“Semeei flores... colherá o perfume. Semeei o carinho... colherá a amizade. Semeei sorrisos... colherá a alegria. Semeei a verdade... colherá a confiança. Semeei a vida... colherá milagres. Semeei a fé... colherá a certeza. Semeei o amor... colherá a felicidade”
Abraços da amiga Lourdes Duarte

Daniel Costa disse...

Sempre ao sabor de metáforas é sempre um prazer de ler é até reler os teus poemas, tentando a sua interpretação. Já que esta tentativa é que dá sabor a um leitor de poesia.

Beijos

Lucinalva disse...

Olá Graça, lindo poema, bjs

Maria Rodrigues disse...

Graça passei para desejar um bom fim de semana
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

teresa p. disse...

Muito belas e profundas as imagens com que falas da "paixão".
São os ventos que se enrolam nas dunas "em rituais de paixão" e os pássaros vermelhos que lentamente desalinham os silêncios...
É um poema de encantamento e sensibilidade. Sublime!
Beijo.

Just Fantasy Bijuteria disse...

Adorei o poema, assim como a pintura. Bom fim de semana :)

Ana Freire disse...

Voando nas asas do seu profundo talento, Graça!
Impressionante, como pouco mais de uma dúzia de linhas... nos oferecem tanta emoção!
Magnifico trabalho! Adorei cada palavra!
Beijinho! Feliz semana!
Ana

Manuel Veiga disse...

como quem (re)constrói os barcos
e recolhe os salvados!

belos os "pássaros vermelhos", a desalinharem silêncios

Beijo, minha Amiga.

Toninho disse...

Linda figura Graça entre o desencanto e o encanto.
Uma bela arte de sua poesia sempre elegante.
Estou a deliciar seus livros.
Bjs de paz amiga

Anete disse...

Versos densamente bonitos...
Abração sincero

Duarte disse...

Gosto da obra pictórica deste artista e se é assim também gosto de ti. Uma figura com estilo, forçando certos movimentos que dão expressão ao gesto.
Belo, aquilo que escreves.
Beijinhos, querida amiga.

Majo Dutra disse...

Passo para, do coração, agradecer a atenção, o carinho
e a dedicação que me dedica no meu blogue.
Uma semana muito agradável.
~~~ Beijinhos ~~~