28.1.18

Sede


katharina Jung

Aproximo os olhos do deserto
e reconheço que só uma sede antiga
fica suspensa do regresso da chuva
ou da proximidade de um rio.
Enterro a língua no chão.
Mas os pássaros cortam os ventos
com  seus voos apressando o inverno
e as sombras que me refrescam a boca.

Graça Pires
De Caderno de significados, 2013

57 comentários:

Maria Eu disse...

Pássaros milagre!
Excelente, como sempre!

Beijos, Graça ;)

la casetta delle meraviglie disse...

hello, i'm new follower of your blog, can you follow mine?
https://amoriemeraviglie.blogspot.it/

Teresa Almeida disse...



É uma poesia de sede e de sabores poéticos. De ausências se escreve e se pressente a elevação do ser.
A tua assinatura é sinal de qualidade.

Beijos, Graça.

Célia Rangel disse...

O deserto de um olhar providencia o saciar da sede que invade a alma! Poético!
Abraço.

Mar Arável disse...

Fizeste-me recordar a sede do Eugénio de Andrade
Como sempre um prazer visitar o teu espaço
Bj amigo

Tais Luso disse...

Fico com a bela imagem que fazes nesse poema usando lindas metáforas.
Gostei e sigo com a frase da Teresa Almeida:
A tua assinatura é sinal de qualidade!
Um beijo, querida Graça, uma excelente semana!

* Ia esquecendo... bela escolha da foto.

Larissa Santos disse...

Boa noite. Poema lindo demais. Parabéns.

Hoje:- Sou terra e mar...Sou sol e lua
-
Bjos
Votos de um Domingo Feliz

Cidália Ferreira disse...

Tanto o Poema como o imagem estão bastantes ricos! Amei

Beleza de um luar enamorado ( Poetizando... )

Beijos. Bom fim de semana.

silvioafonso disse...

Fui preciso ir a terra de Camões
para sentir o cantar ritmado dos
pássaros e do vento pulsarem no meu
coração.

Beijos e parabéns.

silvioafonso



.

✿ chica disse...

Sempre lindo,Graça! Adoro te ler! beijos, tudo de bom,chica

Érika Oliveira disse...

Uau, que poema lindo!!!!

manuela barroso disse...

Os pássaros, sempre eles que na proximidade do poeta lhes mata a sede de tanta secura.
Mas aqui, o teu poema uma Fonte!!
Belo, Graça
e um beijinho! **

Luis Eme disse...

Fazes sempre uma boa "colagem" das imagens com os teus poemas. :)

abraço Graça

José Carlos Sant Anna disse...

Aqui somos nós que matamos a nossa sede com poemas em que a depuração da linguagem nos deixa extasiados.
Um beijo, Graça!

Monyque Evelyn disse...

Que bela mensagem

https://submersa-em-palavras.blogspot.com.br/

Isa Sá disse...

Mais um bonito poema!
Boa semana!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Magnifico e belo poema minha amiga de que gostei bastante.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
O prazer dos livros

Marta Vinhais disse...

Há ausências que nos quebram... nos fazem sentir no deserto...
Lindo...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

Andre Mansim disse...

Linda poesia!
Com muitas imagens e sentimentos.

Aplausos para você!

A Casa Madeira disse...

Ou Graça, as vezes temos sede e acabamos
por vezes adiando e deixando suspenso,
pensamentos e por vezes desejos.
Poema curto e belo.
A imagem tbm está linda.
Boa semana.
Abraços.

Marli Terezinha Andrucho Boldori disse...

Boa tarde, querida Graça,
que belo poema, a sede invade a todos e nos transporta para o deserto,
há vários tipos de sede, mas a do coração, da alma é a mais intensa, pois
nos deixa secos por dentro.
Bela imagem. Abraços!

Ailime disse...

Boa tarde Graça,
Que poema tão belo!
Há sedes que só a excelente poesia mitiga.
Um beijinho grande.
Boa semana.
Ailime

lua prateada disse...

Lindo...e, o inverno está ai
Gostei de aqui ter passado
Abracito meu

Cidália

Existe Sempre Um Lugar disse...

Olá, lindo o que escreve, curto e profundo, por vezes atravessamos um deserto de sentimentos.
Continuação de boa semana,
AG

Lu Dantas disse...

Eu adoro a sua poesia, a sua profundidade, o seu olhar para as sensações que pulsam por dentro! ;)

beijos!

https://ludantasmusica.blogspot.com.br

Ana Freire disse...

Sede... de viver... ainda que às vezes a vida, nos contemple com fases... de perfeitos desertos...
Mais uma vez, um trabalho notável, Graça!... Onde cada palavra, é tão preciosa, como cada gota de água num deserto... Parabéns!
Beijinho! Feliz semana!
Ana

Pedro Luso disse...

Olá, Graça!
Como fica difícil falar de um poema como este, com essa sensível mensagem para ser decifrada. Peso que é melhor ler poema sem pressa, no silêncio para te homenagear, querida amiga, pois a beleza é para ser contemplada e sentida.
Desejo que tenhas uma ótima semana.
Um beijo.
Pedro

Louraini Christmann - Lola disse...

Poesia é poesia...
E esta, então!?
POESIA!!!!

Louraini Christmann - Lola disse...

Sobrevivo em meio a dor da perda do filho amado.
Estou me dando o direito de viver o luto como preciso.
Sabiamente, dizia minha mãe, que o luto leva um ano, o
ano das "primeiras vezes", primeiro aniversário sem ele,
primeiro Natal sem ele, primeira virada de ano, primeira
praia... A dor é intensa. Intensa é a saudade...
Perdão pela ausência. Volto aos poucos. Ainda não sei fazer
poesia que não fale na saudade. Mas elas virão. Eu tenho certeza.
E aqui estarei compartilhando contigo.
Muito obrigada pelo teu carinho.

Gil António disse...

Bom dia. Intenso, profundo, delicioso. Mais palavras para quê?. Poema e imagem deliciosas.
.
* Campos ondulando em flor, afectos infinitos *
.
Votos de um dia feliz.

Manuel Veiga disse...

arde a sede no deserto
apenas pela língua se inventa a chuva.

gostei muito

beijo, minha amiga

Majo Dutra disse...

Uma «sede antiga» impressionante!
Muito belo, estimada Poeta amiga.
Beijinhos
~~~~

Nequéren Reis disse...

Belíssimo poema amei sempre arrasando, obrigado pela visita.
Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br/
Canal: https://www.youtube.com/watch?v=DmO8csZDARM

ManuelFL disse...

Sede antiga, sede que não se sacia, sede de ter sede.
Belo poema, Graça.
Beijo

© Piedade Araújo Sol disse...


há várias formas de sede..
e a língua encontra como a matar ( ou nem sempre).
um poema onde a metáfora predomina.
a foto de suporte ficou magnífica.
beijinhos
:)

Lídia Borges disse...


A força e a delicadeza conjugam-se numa palavra poética madura e depurada.
Que sacia...

Beijo meu

Lídia

Ailime disse...

Boa noite Graça,
Como vai minha Amiga e Enorme Poeta?
Tenho um miminho para si no meu sinais.
Beijinho grande.
Ailime

LuísM Castanheira disse...

é na memória da boca que todas as sedes despertam.
e o poema leva-nos para lá das sombras de verão, saciando.
muito belo, minha Amiga.
um beijo, Graça.

Nidja Andrade disse...

É uma soma de poesia com ingredientes de emoção e delicadeza. AbraçO

Jaime Portela disse...

Mais um brilhante poema.
Parabéns pelo talento.
Continuação de boa semana, amiga Graça.
Beijo.

O Puma disse...

Pensar globalmente
resistir localmente

Bj

Anete disse...

A sede interior é forte e contínua... Ainda bem que há a fonte inesgotável!
Belíssimo poema, Graça!!!
Beijo

Marta Moura disse...

Tão bom.

Maria Rodrigues disse...

Profundo e belo poema
Beijinhos
Maria de
Divagar Sobre Tudo um Pouco

teresa p. disse...

Sede que consome interiormente e só a esperança atenua. Muito belo este poema, com imagens fortes e cheias de significado. A foto é maravilhosa.
Beijo.

Suzete Brainer disse...

Uma forma bela e excelente da Poeta (como sempre...) a dizer,
poeticamente tão enigmática e única sobre a sede de viver,
no tempo interior, na sua força matriz.
A imagem escolhida belíssima em harmonia com o poema.

Um ótimo final de semana, Graça!
Beijos.

Sinval Santos da Silveira disse...

Graça Pires, querida Mestra/Poetisa !
Que belo texto !
Aguçou minha imaginação, transportando-me
ao deserto, descrito por ti.
Um ótimo final de semana e um fraternal
abraço, aqui do Brasil.
Sinval.

Ana Rodrigues disse...

Há sedes que não saciam... bom fim de semana :)

mz disse...

Hoje é um dia em que esses pássaros cortam os ventos e o Inverno refresca-nos na esperança de que as estações se ajustam afastando-nos do deserto e da sede.

Sempre tão profunda a sua poesia e tão coerente.

Beijo

AC disse...

Da imprecisão da vida, da imprecisão do real significado das coisas...
Gosto tanto de a ler, Graça!

Abraço :)

Olinda Melo disse...



"Enterro a língua" no chão: imagem forte, carregada de desespero.
Apesar do deserto e da sede vislumbra-se uma esperança.

Bj

Olinda

Agostinho disse...

"Enterro a língua no chão" e
encontro o saber da Terra
determino o norte
o sentido da vida
na alma do poema

Muito belo, Graça.
PS - tenho e li todas as mulheres...
Bj.

manuela baptista disse...

tristes são os que não sentem sede

não sabem dos rios, da terra, do vento, da língua e ainda menos do voo dos pássaros


um abraço, Graça

Lourdinha Vilela disse...

Vivemos no limite da sede. A esperança há que ser o oásis nesse deserto de cada um de nós.
Um grande abraço. Parabéns Graça.

Toninho disse...

Um belo poema deste estado de solidão, que muitas vezes nos seca a garganta,
arranha nossos olhos e precipitam em versos tristes, mas que rebuscam em beleza.
Esta é a Graça com toda sua arte para o bem da literatura.
Amo ler.
Beijo

baili disse...

remarkable expressions my friend!

thirst is state of desire
desire of anything which we lack at the every moment

it highlights the true value of desired things
it is friend

Odete Ferreira disse...

Já não me é fácil encontrar adjetivos...
Neste, relevo as fabulosas construções imagéticas, soando-a a um estado surreal.
Aplausos!
Bjo