29.4.11

Emudecemos

Dorothea Lange

Emudecemos com a noite calada entre os olhos.
Ao alcance dos espelhos colocamos a luz coada
das janelas para que os filhos não busquem
em vão o rosto da palavra, a primeira,
que lhes quebrou os dentes
quando a inocência em plena boca se desfez.

Graça Pires
De O silêncio: lugar habitado, 2009

37 comentários:

Isamar disse...

Lindíssimo poema em homenagem àquela que tudo devemos.Comovo-me sempre que leio algo relativo a este amor maior e incondicional.

Bem-hajas, Poeta!

Beijinhos

Luis Eme disse...

sim, emudecemos, silenciamos...

sinais também protectores.

beijinho Graça

Marta disse...

Porque às vezes já nada mais há a dizer.....
Belo, Graça como sempre...
Obrigada pela visita
Beijos e abraços
Marta

© Piedade Araújo Sol disse...

sim porque por vezes é isso mesmo que fazemos.
ternura escondida em mais um belo poema.
bom final de semana Graça

Desnuda disse...

Querida amiga,

Belíssimo e sensível poema, Graça. Ficaram palavras ressoando no meu coração, reflexo dos seus belos versos.


Beijos com carinho e ótimo fim de semana.

hfm disse...

Um tema recorrente tratado com palavras enxutas e uma poética muito própria. Gostei muito, Graça.

manuela baptista disse...

emudecemos
reconstituindo dente a dente aquilo que se quebrou

e se algum ruído houver
será um canto baixo de calar o medo


um beijo, Graça,

com uma comovida marca entre os meus próprios olhos

manuela

Lara Amaral disse...

Gostei do impacto do poema. Bonito, forte. Sempre bom aqui!

Beijo.

heretico disse...

palavras envolvidas da ternura primeva.

belíssimo

beijos

Parapeito disse...

e mais uma vez palavras bordadas a ponto cheio....de ternura ..de amor...Emudecemos então doce Graça**
brisas doces*****

São disse...

Mas não podemos emudecer...

Um bom final de semana.

viernes disse...

muito bela evocação da infância, da palavra inocente...

Um beijo!

Nilson Barcelli disse...

A luz coada das janelas...
Belíssimo poema, gostei imenso.
Querida amiga, tenha um óptimo fim de semana.
Beijo grande.

AC disse...

Graça,
As palavras certas ao serviço duma síntese perfeita. Muito bom!

Beijo :)

dade amorim disse...

A poesia diz o que de outro modo seria indizível.

Beijos, Graça.

Vieira Calado disse...

Sempre belos, seus poemas!

Bom 1º de Maio!

Bjjss

d'Angelo disse...

"A noite calada entre os olhos", a poesia entre páginas da infância. Poucas palavras, porém repletas de luz.

Licínia Quitério disse...

A perda, sempre tão violenta, da inocência. Belíssimo poema, Graça.
Um beijinho terno.

De Amor e de Terra disse...

Olá Graça, boa tarde.
Obrigada pelas palavras lá em casa.
Também eu tenho andado um pouco emudecida...a vida, às vezes deixa falar, outras não.
Hoje, no entanto, aqui estou para te ler e coo sempre AMAR o que escreves.
Bjs.
Maria Mamede

teresa p. disse...

Palavras profundas, envoltas de uma ternura imensa, que nos comove e "emudece"...
Muito, muito belo!
Beijo.

Mar Arável disse...

Do ventre

Até à foz

Adriana Karnal disse...

a palavra q quebra os dentes....matáfora física linda,Graça.

Elizabeth F. de Oliveira disse...

Graça, eu ainda me assombro em cada releitura, que sempre me traz novas descobertas, sempre me faz divisar um novo canto poético.
A tua maestria com as palavras carregadas de sentimento, sempre me trará perplexidade, porque o teu sentimento é único, o teu olhar feminino me encanta, mas o teu manuseio com as palavras é o que torna tudo muito mais especial.
Felizes somos, por ler-te.


Grande beijo

carol disse...

Um poema às mães que sempre querem proteger os seus das adversidades do mundo.

Muito forte! Muito bom!

Beijinhos

João Videira Santos disse...

Duas palavras,apenas: Muito bom!

~*Rebeca e Jota Cê*~ disse...

Belo o quebrar dos dentes, o despertar das batalhas.

JC

Um brasileiro disse...

Oi. Estive por aqui a dar uma espiada. Muito legal. Gostei. Apareça por lá. Abraços.

Cristina Fernandes disse...

Os silêncios que emudecemos em olhares salgados...
Bjs,
Chris

António. R. disse...

Quando nos calamos, fica a falar o silêncio.
Quem lê este blogue nunca emudece.
Beijos.
António

Bárbara Queiroz disse...

A primeira palavra que emana, - Mãe -, e depois dessa nunca mais emudecemos,pois é mãe de todas as outras. Poema belo, profundo!

Fa menor disse...

E mudos ficamos
perante a imensidão das tuas palavras.

Bjins

Vitalina de Assis disse...

Lindo! Perfeito!
Voltei no tempo,
senti as palmas
e não chorei.

Parabéns pelo blog. Excelente final de semana.

Eduardo Aleixo disse...

Poema terno. de amor maior . que o silêncio testemunha. pétalas tricotadas nas vestes dos corpos que vão crescendo. mãos de entrega total. Sorrisos velados em noites de insónias.
-
Beijinho

Virgínia do Carmo disse...

Emudecemos sempre que tudo é tão maior que nós...

Um sentido abraço

Fernando Campanella disse...

Muito lindo e terno colocar a luz coada das janelas, para que nossos frutos, os que vêm de nós, consigam se enxergar na inocência resgatada. Belo poema, Graça. Bjos, minha grande e querida amiga.

lupuscanissignatus disse...

tear

de

luz

Rosinha disse...

Passei por aqui para "bisbilhotar" :) e gostei...vou voltar..
Belíssimo poema **